Boletim Letras 360º #701

DO EDITOR

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Julio Cortazar. Foto: Ulf Andersen



LANÇAMENTOS

Livro reúne quatro valiosas entrevistas concedidas por Julio Cortázar a duas televisões públicas, da Espanha e da Argentina, entre 1977 e 1983

Trata-se de um material que revela uma singular dimensão íntima e autorreflexiva. Entre memórias, humor, política, ética e reflexão poética, o escritor pensa sua vida, sua obra e oferece sua original visão da literatura e da linguagem. Vistas em seu conjunto, as quatro entrevistas configuram um poderoso espaço biográfico, um território discursivo híbrido, situado entre vida e narrativa, onde o sujeito se constrói performaticamente perante o outro. Nesse sentido, elas não são um mero registro documental, são autorrepresentações em que Cortázar negocia sua memória, revisita episódios pessoais e literários, reelabora sua trajetória e projeta sentidos para sua obra. Cada conversa funciona como uma pequena cena biográfica: o escritor se narra, se corrige, se inventa e se reinscreve, produzindo uma figura de si que é sempre provisória, relacional e atravessada pela presença do interlocutor. Assim, o livro não apenas preserva a voz de Cortázar, mas revela o modo como essa voz se constitui, no encontro, na conversa, na performance. A organização, transcrição e tradução cuidadosas de Cassiano Viana devolvem ao leitor a textura viva dessas falas — seus ritmos, pausas e desvios — e permitem acompanhar Cortázar no gesto íntimo de pensar em voz alta, compondo um autorretrato que só existe na conversa. Cortázar por ele mesmo é publicado pela 7Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Um dos romances mais influentes do fim do século XIX, Bruges-a-Morta, de Georges Rodenbach, realiza um feito peculiar na história da literatura: transforma uma cidade em protagonista.
 
Canais silenciosos, igrejas, torres e ruas desertas tornam-se uma extensão do luto de Hugues Viane, viúvo inconsolável que se recolhe em Bruges após a morte da esposa. A rotina melancólica é desestabilizada quando ele acredita ter reconhecido a mulher perdida no rosto de uma bailarina. A fronteira entre memória, desejo e obsessão começa a se dissolver, conduzindo a narrativa a um desfecho inevitavelmente trágico. Publicado originalmente em 1892, o romance inaugura uma concepção moderna da paisagem como força dramática, em que a cidade deixa de servir apenas de pano de fundo para se tornar agente ativo da narrativa. Combinando prosa, poesia e artes visuais numa obra de extraordinária unidade estética, Bruges-a-Morta permanece como referência para narrativas como a ópera Die tote Stadt [A cidade morta], de Erich Wolfgang Korngold, que exploram o tema do duplo, da obsessão amorosa e da impossibilidade de reviver o passado. O livro chega ao Brasil pela Ercolano em edição que preserva as fotografias da cidade selecionadas pelo próprio autor. Tradução de Helena Coutinho. Você pode comprar o livro aqui.

Histórias do centro do mundo — coletânea de 25 contos de autores consagrados e emergentes do Oriente Médio e do Norte da África — surpreende pela qualidade literária de uma região frequentemente percebida a partir de seus conflitos geopolíticos.

Das ruas e becos de cidades cosmopolitas a vilarejos remotos e destruídos, percorrem-se, neste livro, Bardabal, Cabul, Lahore, Amã, Istambul e Beirute; as vastas paisagens do Egito; uma Los Angeles pontuada por mesquitas; Buenos Aires, origem de uma paixão; e a Paris de redutos transgressores. Desfilam personagens que precisaram — ou não — deixar seus países, enfrentando situações em que "o amor em si é um remendo duvidoso, uma cola precária". Com personagens complexos, que insistem na possibilidade de mudança e regeneração, alimentando a esperança de um futuro melhor e afirmando o desejo de independência e liberdade. Escritores oriundos da Síria, do Líbano, do Marrocos, do Paquistão, de Omã, do Qatar e de outros países que configuram esse centro do mundo reafirmam, nesta edição, a literatura como um espaço privilegiado de encontro entre diferentes mundos. Celebrado pela crítica internacional, Histórias do centro do mundo oferece uma extraordinária oportunidade de, por meio da ficção, descobrir uma das regiões mais fascinantes e incompreendidas do nosso tempo. Com traduções de Safa Jubran (árabe), Felipe Benjamin Francisco (inglês), Nicolas Voss (persa), Marília Scalzo (francês), o livro sai pelas Edições Cosac. Você pode comprar o livro aqui.

E se, de um dia para o outro, toda a população palestina de Israel desaparecesse sem deixar rastros? A autora palestina Ibtisam Azem imagina esse acontecimento extraordinário e suas consequências devastadoras

O país mergulha em perplexidade e caos, enquanto diferentes narrativas tentam dar sentido ao inexplicável. Entre os cadernos de Alaa, um palestino de Yafa que registra memórias de sua avó e as dores da herança da Nakba, e a investigação conduzida por Ariel, seu vizinho israelense, a trama é construída como um diálogo tenso entre presença e ausência, lembrança e apagamento. O livro do desaparecimento é uma obra indispensável para compreender as dinâmicas de poder, memória e identidade na Palestina atual. O romance foi semifinalista do International Booker Prize de 2025.
Publicação da editora Tabla. Tradução de Jemima Alves. Você pode comprar o livro aqui.

A editora Mnēma publica a tradução de Leonardo Antunes para a Ilíada, de Homero

No prefácio para esta edição, Alexander Pope afirma que “Homero é universalmente aceito como possuidor da maior capacidade de invenção em relação a todo e qualquer escritor. Virgílio, de forma justa, disputou com ele a consagração pela capacidade de julgamento, e outros podem ter suas pretensões no que diz respeito a demais excelências em particular, mas sua invenção permanece ainda sem rival. Nem é de espantar que ele já tenha sido reconhecido como o maior dos poetas, aquele que mais se destacou naquilo que é o próprio fundamento da poesia. É a invenção que, em níveis diferentes, distingue todos os grandes gênios: o máximo esforço do estudo, do aprendizado e da diligência, que domina tudo o mais, não é capaz de alcançá-la. Quaisquer elogios que possam ser atribuídos às obras dotadas de julgamento, nelas não há uma única beleza à qual a invenção deixe de contribuir: como na maioria dos jardins, a arte é capaz apenas de reduzir as belezas da natureza a uma regularidade maior, e tal imagem o olho comum consegue apreender melhor, e com ela é, portanto, mais entretido. E, talvez, a razão pela qual os críticos comuns sejam inclinados a preferir um gênio mais metódico e sensato a um grande e fecundo é porque acham mais fácil acompanhar um passo uniforme e constrito da arte do que compreender a vasta e variada extensão da natureza. A obra de nosso autor é um paraíso selvagem, onde, se não podemos ver todas as belezas de modo tão distinto como em um ordenado jardim, é apenas porque o número delas é infinitamente maior”. O livro tem introdução também de Leonardo Antunes, que traduziu o épico em decassílabos duplos. Você pode comprar o livro aqui.

No ano de seu centenário, os poemas escritos por Alexina Crêspo (1926-2013) vêm à tona

Produto do escrutínio minucioso do vasto acervo que reuniu ao longo da vida, os poemas revelam as angústias inerentes a sua atribulada biografia pessoal — e de sua família — bem como apresentam ao público uma faceta inesperada de sua personalidade. Para a poeta Cida Pedrosa, “a publicação deste livro é um acontecimento”. Trabalhadora rural, guerrilheira, ativista e dramaturga brasileira, atuou em organizações como as Ligas Camponesas e a União Feminina de Pernambuco. Por conta do golpe militar, viveu exilada com a família em Cuba, no Chile e na Suécia, retornando ao Recife em 1980, após a Lei da Anistia. Com organização de Raul Calle de Paula, Os poemas de Apolo e outros escritos são publicados pela editora CEPE. Você pode comprar o livro aqui.

Vidas de três gerações de mulheres marcadas pela violência. 

Entre o mundo rural e a capital de Minas Gerais, três gerações de mulheres ― avó, mãe e filha ― expõem as marcas deixadas por décadas de violência. Um romance de estreia arrebatador que explora as cicatrizes que herdamos ― e o que podemos fazer com elas. No velório da mãe, Amélia confronta a realidade. Depois de uma vida de extremos, Iraci cometeu suicídio, deixando para a filha uma única mensagem: a proibição da presença de Magda, a avó, no funeral. Isso, e nada mais. Em 1974, no vale do Jequitinhonha, Magda é uma jovem ambiciosa, que sonha em se mudar para Belo Horizonte. Ela conhece César, um médico da capital, 20 anos mais velho e enlutado pela morte recente do pai. O casamento impulsivo parece a realização de sonhos e ideais dela e dele. No entanto, muito rapidamente, o marido se revela um homem possessivo e controlador. Entre o interior e a capital de Minas Gerais, três gerações de mulheres ― avó, mãe e filha ― carregam, ao longo de 40 anos, as marcas da violência. Numa narrativa lírica e envolvente, o romance explora, por meio de complexas dinâmicas familiares, as cicatrizes que herdamos e as escolhas que atravessam o tempo e o espaço. Durou um momento, não teve um fim sai pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.

O território lusco-fusco da identidade. 

Entre o preto e o branco existe um intervalo — uma zona de sombra onde a sociedade brasileira costuma colocar os que não cabem inteiramente em nenhuma das duas margens. É nesse território incerto onde identidade e pertencimento são constantemente colocados em dúvida que transita a história narrada em Lusco-fusco. Em seu primeiro romance, Marisa Marísia Reis transforma em literatura a matéria bruta de uma vida. Nascida e criada nas ruas de terra de Guarulhos, ela carrega na bagagem ecos da experiência de milhões de mulheres brasileiras, que precisam atravessar um mundo onde o machismo, o racismo e a violência silenciosa das hierarquias sociais impõem limites estreitos aos sonhos. Habitar esse lusco-fusco social — nem plenamente aceita como branca, nem reconhecida sem ambiguidades como preta — é viver na fronteira. É crescer aprendendo a perceber olhares, medir palavras, contornar barreiras. Assim, a autora, negra e pobre, precisou abrir caminho entre preconceitos de classe e de raça para conquistar algo que ninguém poderia lhe conceder: a consciência de si mesma.
Dessa travessia nasce um romance-verdade, que não apenas denuncia as marcas profundas da exclusão, mas afirma, com lucidez e coragem, a força de quem sobreviveu às sombras e conquistou o direito de olhar para trás e, às vezes, até rir das próprias desgraças. Publicação da Seja Breve Edições. Você pode comprar o livro aqui.

Os dois últimos volumes da trilogia autobiográfica A casa dos coelhos, de Laura Alcoba, já estão entre nós. 

1. Em O azul das abelhas, aos dez anos, a heroína do romance deixa a Argentina de Videla para encontrar a mãe exilada na França, enquanto o pai está preso em La Plata. À dura realidade do exílio logo se mistura o entusiasmo da descoberta de um novo país e de uma nova língua. Você pode comprar o livro aqui.

2. Em A dança da aranha estamos nos anos 1980. Laura tem 12 anos e vive em Bagnolet, num apartamento que divide com a mãe e uma amiga. É uma menina como as outras, que vai à escola, brinca com as amigas, sente as transformações de seu corpo… Mas a normalidade de sua rotina é apenas aparente, pois Laura, nascida na Argentina, chegou à França há apenas dois anos, deixando em seu país natal o pai, mantido prisioneiro pela ditadura. Neste terceiro livro, a heroína dá continuidade ao aprendizado da língua francesa, à experiência do exílio e do afastamento do pai, com quem mantém uma correspondência regular que marca o ritmo de seu cotidiano. Os livros saíram pela editora Paris de Histórias com tradução de Natália Bravo. Você pode comprar o livro aqui.

Goethe e as plantas. 

Após anos de estudos e de intensa observação, J. W. Goethe publica em 1790 o breve tratado sobre A metamorfose das plantas. Com exceção de uns poucos nomes que enxergaram a amplitude de suas considerações, a recepção ficou aquém do esperado. Seriam necessárias algumas décadas para que as teorias de Goethe, escritas na contramão do mecanicismo dominante em sua época, alcançassem a devida ressonância. A intuição genial do poeta, tanto na botânica como em outros campos da ciência, consistiu basicamente em não tomar os fenômenos de modo estático, mas sim em sua perpétua mutabilidade, indagando então as leis que regem as suas transformações. Partindo do espanto primeiro ― como é possível a Natureza apresentar uma tamanha exuberância de formas? ―, Goethe formula a ideia de morfologia , cuja atenção se volta, no estudo dos organismos vivos, não para as formas fixas, mas para as formas de transição, as formas em devir, com fundas implicações para a biologia, a antropologia, a teoria da linguagem e outros campos. No ensaio que conclui esta edição, “Para um esquematismo da natureza e da arte”, a filósofa e professora portuguesa Maria Filomena Molder, que também assina a tradução e as notas de A metamorfose das plantas, ilumina por vários ângulos o pensamento morfológico do autor de Fausto, destacando com maestria ímpar suas contribuições nos âmbitos da filosofia e da arte. O presente volume conta ainda com uma seleção de excertos, cartas e comentários de Goethe sobre a própria obra, bem como passagens de outros autores, num arco de leitura que vai de Maimon a Walter Benjamin. Além disso, traz a elegia “A metamorfose das plantas”, de 1798, vertida ao português por Matheus Guménin Barreto, e reproduz dez desenhos do autor, cedidos especialmente para esta edição pelo Goethe- und Schiller-Archiv, de Weimar. Edição da Editora 34.

Depois do grande apagão, o mundo desabou e a fé virou cárcere. O novo de Agustina Bazterrica, depois de Saboroso cadáver.

Quase nada restou: nem animais, nem cidades, nem luz. Em meio ao frio cortante e ao calor que sufoca, um grupo de mulheres vive isolado na Casa da Irmandade Sagrada, submetido às ordens implacáveis da Irmã Superiora e à presença invisível de uma entidade que todos chamam apenas de Ele. Uma delas decide registrar tudo às escondidas — com tinta roubada, com terra, com o próprio sangue — para que alguém, um dia, descubra o que acontece atrás daqueles muros: rituais, castigos, promessas de iluminação e um terror silencioso que se disfarça de devoção. Mas a chegada de uma nova “indigna”, vinda de um mundo em ruínas, começa a abrir fendas na crença que as mantém submissas. Conforme a amizade entre as duas cresce, também aumenta a dúvida: quem são, de fato, as “Iluminadas”? O que existe por trás das portas proibidas? E por que ninguém lembra do passado antes de entrar ali? As indignas é uma distopia arrebatadora sobre fanatismo, violência e sobrevivência — um horror lírico e visceral que desmonta falsas divindades e ilumina, com ferocidade, o poder subversivo da solidariedade. Publicação pela Tusquets e  tradução de Sandra Martha Dolinsky. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES

Dois livros de Zadie Smith editados pela Companhia das Letras voltam aos leitores.

1. NW, o seu retorno ao romance desde o sucesso estrondoso de Sobre a beleza. Neste livro Zadie Smith volta o olhar para Londres, sua cidade natal, e mais especificamente para o bairro de Kilburn, na região de NW, uma zona moldada por sucessivas ondas migratórias, em que culturas do mundo inteiro se encontram e se transformam. Um lugar tão lindo quanto brutal, onde as ruas agitadas ocultam esquinas sombrias e até os caminhos conhecidos podem levar a um beco sem saída. A narrativa deste romance segue o passo de quatro londrinos ― Nathan, Natalie, Leah e Felix ―, conforme eles deixam o bairro de sua infância e passam a viver numa cidade ao mesmo tempo acolhedora e áspera. O enfrentamento com a vida adulta se dará numa Londres complicada e reveladora. E é após um encontro fortuito que esses quatro personagens, vivendo na encruzilhada entre quem eram e quem querem ser, vão finalmente enxergar as escolhas do passado se desenrolando no futuro. É Natalie, que se reinventou como uma pessoa de sucesso, mas que assiste sua vida descarrilar. Ou Leah, insegura com a perspectiva da maternidade. Ou ainda Nathan, preso a um destino infeliz desde os tempos de escola; e Felix, aspirante a cineasta que se vê obrigado a abandonar seus planos. A complexa topografia da Londres moderna é explorada nesse vívido retrato sobre ambição e apatia, mudança e continuidade e, no limite, sobre as barreiras sociais e pessoais e os modos que encontramos para derrubá-las. A tradução é de Sara Grünhagen. Você pode comprar o livro aqui.

2. E Sobre a beleza. Howard Belsey é inglês, branco, professor de história da arte, e vive há anos em Wellington, cidade universitária da costa leste dos Estados Unidos. É um liberal radical, especialista em defender as cotas universitárias e desmascarar os mitos de beleza e gênio artístico que nos enganam e oprimem. É casado com Kiki, uma enfermeira negra americana, e tem três filhos: Jerome, Zora e Levi.
A vida dos Belseys se complica quando Jerome vai para a Inglaterra fazer um estágio com Monty Kipps, negro, professor ultraconservador e maior inimigo de Howard. Jerome se apaixona pela filha de Monty, Victoria. O caso é dissolvido, mas pouco tempo depois toda a família Kipps se muda para Wellington. Quando as vidas dessas duas famílias se entrelaçam, uma série de embates acadêmicos, relações extraconjugais e choques entre identidades culturais forçam os Belseys e os Kipps a reverem suas convicções teóricas e o lugar da beleza e do amor em sua vida. Com um olhar que penetra fundo nas sutilezas da vida familiar e com um talento narrativo extraordinário, Zadie Smith leva cada um de seus personagens a confrontar suas escolhas, crenças e identidades, mostrando a facilidade com que as certezas podem se tornar ilusões. Tradução é de Daniel Galera. Você pode comprar o livro aqui.

RAPIDINHAS 

Os cinquenta anos de Manual de pintura e caligrafia 1. Romance pouco comentado de José Saramago e que marcou sua afirmação como romancista em 1976 está no centro do interesse de especialistas na obra do escritor português em evento aberto ao público na Biblioteca Nacional de Portugal. 

Os cinquenta anos de Manual de pintura e caligrafia 2. A terceira edição do Colóquio de Estudos Saramaguianos é realizada nos dias 29 e 30 de julho de 2026 e é organizada por Pedro Fernandes, Carlos Nogueira e Filipa Soares. O programa completo está disponível aqui, no site da Fundação José Saramago.

De José Paulo Paes. Para sublinhar o centenário do poeta, ensaísta e tradutor, a Casa Matinas apresentou uma nova coleção, Grampo. Em formato de plaquete, publica-se na abertura dessa nova linha editorial duas traduções de Paes: o ensaio “Dos livros”, de Montaigne e “A confiança em sei próprio”, de Ralph Waldo Emerson.

Na gringa. Além da reedição da obra completa de Jorge Luis Borges, sai em língua espanhola 424 páginas de conferências do escritor. Pronunciadas entre 1960 e 1985, o livro organizado por Sara Luisa del Carril reúne trinta textos já agora essenciais.

DICAS DE LEITURA

1. Ratos e homens, de John Steinbeck (Trad. Caetano W. Galindo, Record, 160p.) George e Lennie, dois amigos que juntos têm o plano de conseguirem uns alqueires de terra e uma choupana. A história de uma amizade excepcional, capaz de aplacar o peso da existência individual. Você pode comprar o livro aqui

2. O poema dos lunáticos, de Ermanno Cavazzoni (Trad. Ana Maria Carlos, Ateliê Editorial, 408p.) Influenciado por Franz Kafka e Samuel Beckett, este romance é feito das situações absurdas do seu protagonista, contadas sob um ponto de vista que radicaliza com a lógica e o racional que definem a noção de realidade dominante. Você pode comprar o livro aqui

3. A bala dos desarmados, de Francisco de Morais Mendes (Sinete, 192p.) A palavra tomada como personagem e protagonista é o fio condutor numa história em que a linguagem é colocada fora dos limites da função comunicativa. Você pode comprar o livro aqui

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

Ainda o centenário de José Paulo Paes. Saiu em nossa conta no Instagram, estas notas para sublinhar a efeméride celebrada no passado 22 de julho. Aproveite para ler as anotações/ recomendações de Tiago D. Oliveira, também por lá. 

BAÚ DE LETRAS

Por causa do filme de Christopher Nolan se comenta com viral interesse a Odisseia, um dos pilares da literatura ocidental. Recordamos esse conjunto de anotações de Pedro Fernandes e uma leitura feita por aqui em 2012.

No dia 27 de julho próximo, passam-se os oitenta anos sobre a morte de Gertrude Stein, autora de uma obra singular e quista nas páginas deste projeto. No nosso arquivo, um pouco disso. 

DUAS PALAVRINHAS

O livro, qualquer livro, é uma proposta feita à sensibilidade, à inteligência do leitor: são elas que em última análise o escrevem.

— Carlos de Oliveira

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