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Breakfast at Tiffany's

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Por Olga da la Fuente   Tudo começa às 5h57; um daqueles dias nublados em que não se tem vontade de sair da cama. A câmera de Franz Planer ( Roman Holiday , The Unforgiven ) captura com sutil elegância a cidade que ainda não despertou enquanto um táxi para na nossa frente. A orquestra de Henry Mancini toca: “Moon River”, a música que foi composta para o filme e que fala de todas aquelas pessoas que saíram de casa em busca de um grande sonho. Porque ninguém chega a Nova York em busca de uma vida tranquila. Nova York é para quem tem um desejo profundo de sucesso, porque mais do que qualquer outro lugar, a cidade dos arranha-céus está perto das estrelas.   E Holly Golightly, a sofisticada e complicada criação de Truman Capote, representa todas aquelas mulheres — meninas, como o escritor as chama — que chegam a Nova York, brilham por um momento e depois desaparecem. Audrey Hepburn, em seu papel mais famoso, desce do táxi. Vestida de preto, luvas de cetim, colar de pérolas, óculos ...

O primeiro Calvino. A resistência como testemunho e encontro entre natureza e história

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Por Diego F. Barros e Ivana Calamita A exploração do romance A trilha dos ninhos de aranha — o primeiro livro publicado por Italo Calvino em 1947 — está indissociavelmente ligada à do segundo, a compilação de contos Por último vem o corvo que veria a luz dois anos adiante. Mas além de ambas as obras serem claras expressões do “primeiro Calvino”, são vários os motivos que fazem com que qualquer aproximação à primeira conduza inevitavelmente à leitura da segunda.   No geral, os dois livros revelam a busca — muito típica dos escritores da época — por dar conta do que havia significado a experiência da guerra que acabava de terminar. No caso de Calvino, essa experiência adquiriu uma dimensão particularmente intensa porque ele próprio integrou as Brigadas Garibaldinas, quando decidiu juntamente com o seu irmão alistar-se como partigiano . Havia sugado o antifascismo do seio familiar, mas logo ele saberia conciliar sua decisão de passar à ação armada com seu compromisso intelectual, es...

Borges, simetrias e leves anacronismos

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Por Cristian Vázquez   1 Como começar um novo artigo sobre Borges? O que mais se pode dizer de um escritor sobre o qual foram escritas bibliotecas inteiras, apenas sobre ele, que sempre imaginou que o paraíso em forma de biblioteca?   “A realidade gosta das simetrias e dos leves anacronismos”, diz o narrador de “O Sul”, o conto que Borges mais gostava entre todos que escreveu. Em outra passagem, o autor arriscou que “ao destino agradam as repetições, as variantes, as simetrias”. Esta última citação corresponde ao brevíssimo texto intitulado “A trama”, de O fazedor , o mais “pessoal” de seus livros, conforme declara no epílogo. Pois bem, brinquemos com as simetrias e os leves anacronismos: Borges publicou esse livro em 1960, quando tinha pouco mais de sessenta anos, há quase sessenta anos. Falemos do mais pessoal de seus livros, falemos de O fazedor .   2 O fazedor é um livro especial em vários aspectos. Provavelmente se deve, em grande parte, ao fato de ser o primeiro l...

Oito poemas de “Os Cinquenta Poemas do Ladrão de Amor” (Caurapankasika)

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Por Pedro Belo Clara         Mesmo agora    que tudo se desmoronou Recordo a minha amada    luminosa Como uma grinalda de douradas flores A pelugem negra que desaguava no seu umbigo O corpo fremente de desejo ao acordar       Mesmo agora   se a visse de novo A essa rapariga de olhos de lótus O corpo soçobrando devido ao peso dos seios Estreitá-la-ia entre os meus braços E beberia da sua boca como um louco Como uma abelha insaciável   sugando uma flor Mesmo agora    recordo a minha amada Na dança selvagem do amor Curvada devido ao peso dos seios O corpo esguio consumido pelo desejo O rosto transparente como a lua cheia Submersa pelos seus longos cabelos       Mesmo agora    recordo a minha amada Cavalgando por cima de mim O seu esforço de vaivém    constelava A sua pele de cachos de pérolas Gotas claras e espessas de suor Recordo o pendente de ouro Roçando as suas maçãs do r...

Boletim Letras 360º #601

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Hermann Broch. Arquivo: Leo Baeck Institute     LANÇAMENTOS   Os leitores brasileiros têm ao alcance uma nova edição e tradução de três livros centrais na obra de Hermann Broch .   “Os sonâmbulos” foi título dado por Hermann Broch aos três livros que retratam três fases cruciais na vida da Alemanha: a prussiana, a imperialista e a da Primeira Guerra Mundial. Cada romance narra a história de indivíduos que, tal como os sonâmbulos, vivem entre o sono e a realidade, buscando encontrar um sentido para a própria vida: Pasenow ou o romantismo (1888), Esch ou a anarquia (1903) e Huguenau ou orealismo (1918). Pasenow, Esch e Huguenau tentam libertar-se dos valores do passado, nos quais já não acreditam, mas dos quais ainda fazem parte. Em cada romance, Broch retrata a decadência dos antigos valores europeus, a libertação da razão acompanhada pelo surgimento da irracionalidade, e a autodestruição do mundo em sangue e miséria. Ao mergulhar nas reviravoltas de seus personage...

Nossas noites: a pequena última pérola de Kent Haruf

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Por Vinícius de Silva e Souza   “Addie apagou a luz. Cadê a sua mão? Bem aqui do seu lado, onde ela sempre está.”       “E então um dia Addie Moore fez uma visita a Louis Walters”. Com tamanha simplicidade Kent Haruf inicia aquele que viria a ser seu último romance: apenas uma senhora indo visitar seu vizinho. Mas o que se desencadeia a partir daí, não possui nenhum vestígio de superficial ou banal — muito pelo contrário: em suas cento e cinquenta e sete páginas, na edição brasileira, Nossas noites vai fundo na solidão da terceira idade e nas conexões humanas.   O enredo: Addie decide começar a passar as noites com seu vizinho de longa data Louis. Ela, viúva, ele, também. Assim que faz a proposta, de que ele vá à casa dela todas as noites apenas para conversarem e dormirem juntos, logo deixa claro: não é sobre sexo; e sim, sobre solidão: “Estou falando de ter uma companhia para atravessar a noite, para esquentar a cama. De nós nos deitarmos na cama juntos e voc...