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Curzio Malaparte

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Por Álvaro Corazón Rural   Curzio Malaparte. Foto: Kitti Bolognesi Eu poderia procurar mil desculpas para elogiar a figura do escritor italiano Curzio Malaparte, mas não vou enganar você. Este homem não entrou na minha vida por causa de seu talento e sim por causa de seu sobrenome.   Quando criança, não conseguia acreditar que na biblioteca dos meus pais tivesse um nome tão duvidoso. Ma-la-part-te. E o que me perturbou muito, ao entrar na adolescência, foi que um de seus livros se intitulava Técnicas de golpe de Estado . Parecia-me um manual sobre algo ruim, muito ruim, que as democracias inocentes e boas sofriam. Eu não podia acreditar. Que tipo de pessoa tinha que ser, me perguntava, para publicar tal coisa. Então, um dia dei uma longa olhada na capa de sua obra-prima, Kaputt , com os soldados da Wehrmacht passando por maus bocados, em vez de aparecer como vilões desafiadores como meus esquemas morais exigiam. Isso fez o resto. Fui seduzido pela incorreção, que é muito atrae...

A pele, de Curzio Malaparte

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Por Pedro Fernandes Curzio Malaparte é um homem do seu tempo e este romance é, talvez, a prova mais sincera disso. Formou parte com os soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial, quando foi agraciado com o título de capitão no Quinto Regimento Alpino; membro do Partido Nacional Fascista até meados dos anos 1930, quando os vapores de uma nova guerra pairavam sobre a Itália. Foi nessa ocasião que escreveu vários artigos voltando-se contra Mussolini e Adolfo Hitler, o que levou ao exílio forçado na ilha de Lipari por cinco anos, entre 1933 e 1938; depois disso, ainda foi preso várias vezes e nesse mesmo período que cobre quase uma década da sua vida construiu uma casa na Ilha de Capri que serviu de recepção a várias figuras importantes no fim do segundo conflito. A título apenas de curiosidade, foi esta casa cenário de Le Mépris , de Jean-Luc Godard, filme em que estrelaram Brigitte Bardot e Fritz Lang e baseado no romance de mesmo nome de Alberto Moravia. A pele...

Viagem ao fim da noite, o grande romance escrito pela fúria

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Por John Banville Céline em Nova York, anos 1930. Voyage au bout de la nuit , ou Viagem ao fim da noite , publicado originalmente em 1932, é um dos grandes romances do século XX, além de ser o melhor romance escrito por um simpatizante da ultradireita política, como depois os críticos literários do pós-guerra classificaram o autor. Outros romances escritos por autores de extrema direita – como Nos penhascos de mármore , de Ernst Jünger ou Kaputt , de Curzio Malaparte – são, no mínimo, interessantes, mas a exuberante misantropia desta obra-prima, que não coloca em evidência afiliação política alguma nem expressa ideias antissemitas, é única, sobretudo como obra de arte revolucionária, e exerceu uma profunda influência em autores tão díspares como Samuel Beckett e William S. Burroughs, Jean Genet e Günter Grass. Poderia dizer inclusive que sem Céline não haveria existido Henry Miller, nem Jack Kerouac, nem Charles Bukowski, nem os poetas beat. Louis-Ferdin...