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Stoner, de John Williams

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Por Pedro Fernandes Quando a obra continuamente negada em seu tempo alcança o reconhecimento tardiamente uma das justificativas sempre repetidas é que ela não estava ao alcance dos leitores de então. No Brasil, por exemplo, essa complicada constatação é sempre oferecida em relação à literatura de Clarice Lispector. No país natal de John Williams, a compreensão se repete com frequência em torno de obras como Moby Dick , de Herman Melville, ou da literatura de Raymond Carver ou do próprio autor de Stoner só redescoberto meio século depois da sua morte. Sua chegada por essas terras só foi possível nessa febre tardia em torno do romance e da obra do escritor do Texas. Mas, a justificativa não é apenas complicada; é ainda uma daquelas mentiras fabricadas pela crítica – talvez inconscientemente – para não admitir sua falta de sensibilidade ou mesmo a esconder certa implicância proposital em torno de determinados criadores. Não é possível acreditar plenamente na ideia de ob...

A Sra. Stoner fala: uma entrevista com Nancy Gardner Williams

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Por Patricia Reimann John Williams. Arquivo: University of Texas Press / Reprodução Nancy Gardner Williams, viúva de John Williams, vive em um pequeno bangalô em Pueblo, Colorado, próximo ao deserto. Esta cidade perto das Montanhas Rochosas já foi conhecida por sua indústria do aço. Nancy, uma mulher alta que se mantém ereta, é atenta e observadora, amigável embora um tanto reservada. Não é decididamente falante, mas entende-se de imediato que ela e o marido deviam estar bem alinhados. “Nenhum tumulto, nenhuma moda, nenhuma pompa”, como observou Dan Wakefield sobre John Williams. Isto parece valer também para ela. Nancy estudou literatura inglesa na Universidade Denver. Um de seus professores foi John Williams. Entrevistadora: Sra. Williams, você conheceu John em Denver em 1959. Ele foi seu professor. Como era ele? Williams: Ele sempre usava uma echarpe e estava sempre fumando, mesmo enquanto lecionava. Creio que jamais foi dar aulas sem sua echarpe. E era u...

Queda e ascensão de William Stoner

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Por Steve Almond Porque autores labutam amiúde na obscuridade, e porque quase todos a creem injustificada, a história da ressurreição crítica e comercial de Stoner (Rádio Londres, 2015) tem sido repetidamente invocada como artigo literário de fé. A saga reafirma com força aquela voz petulante dentro de todo escritor, aquela que insiste que publicar é no fim meritocracia, que a posteridade não se refere a tendências editoriais, orçamentos de propaganda ou hype . Emily Dickinson enviou seus pequenos épicos sombrios a um mundo que os considerou pouco mais que pássaros estranhos. Herman Melville acreditava que Moby Dick seria sua conquista definitiva e ficou aturdido quando o livro pavimentou sua descida ao esquecimento. O Grande Gatsby foi refugado por anos como obra menor. Segue o baile. É também importante, e curiosamente inspirador, reconhecer o estado em que John Williams se encontrava quando escreveu Stoner . Como documenta Charles Shields em sua nova e escrupulosa b...