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Mostrando postagens com o rótulo Ondjaki

Peixe-frito: o nome e o sensível para a diáspora

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  Por Wagner Silva Gomes Em Os vivos, o morto e o peixe-frito (2014) o contexto de uma fila de repartição pública que resolve assuntos documentais de cidadania reúne a diáspora africana com moradia em Portugal, estando principalmente, os nascidos em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, enfim, pessoas de países de Língua Portuguesa.  Nesse cenário é derrubado o muro que separa palco e plateia, arte e vida real, como na estética do oprimido, de Augusto Boal, em que todos, como agentes sociais, produzimos também efeito sensível sobre a vida.   Na fila a dificuldade burocrática só é superada pelo sensível, da convivência entre as pessoas, que ali criticam a vida em Portugal, as dificuldades, com bom astral, ora gozando do modo do português falar, ora apontando para os absurdos de exigências, como o caso da mãe que para ter um filho registrado como português além de ter que morar seis anos em Portugal e ter que mostrar a comprovação disso, não podendo faltar um dia, tem que ter...

Golpes de versos afro-potiguares do poeta Antonio Eliano

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Por Ciro Leandro Costa da Fonsêca O escritor angolano Ondjaki tece em suas obras uma imagem da escuridão com um viés belo e positivo, pensamento presente, por exemplo, no título da sua obra Uma escuridão bonita (2013). A escuridão para esse autor revela um lugar na história, um espaço que permite o tempo narrativo. Nessa obra a escuridão está relacionada à proteção de um jovem garoto ao faltar nas ruas de Luanda capital de Angola, criando uma oportunidade para o diálogo com sua amiga. Essa discussão sobre o autor angolano se constrói como bastidor para que cheguemos aos poemas do jovem potiguar Antonio Eliano Juvêncio da Silva, um poeta e compositor que lançou no ano de 2015 o seu primeiro álbum intitulado Ecdemomania e que se assume negro versando sobre a sua identidade. Natural de Pau dos Ferros, no interior do Rio Grande do Norte, onde faz mestrado pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, é descendente dos povo...

Bom dia, camaradas, de Ondjaki

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Por Pedro Fernandes Até a publicação deste romance, Ondjaki só havia lidado com a poesia e a prosa curta – havia publicado títulos como Há prendisajens com o xão (2002), Materiais para a confecção de um espanador de tristezas (2009), poesia marcada pela leitura de nomes como Manoel de Barros, e Momentos de aqui (2001), E se amanhã o medo (2005), contos. Sua vivência nesses outros gêneros certamente foi o que lhe deu suporte para o romance. E isso está muito marcado neste Bom dia, camaradas : é uma narrativa breve com certa incidência poética, embora não esteja no poético a marca distintiva da literatura romanesca do escritor angolano, assim como parece crer, ingenuamente, parte da crítica. O lirismo, especificamente no caso do texto que comentamos aqui, é decorrente do elemento narrativo elegido pelo escritor para dar pulsão às ações. Bom dia, camaradas é narrado por um menino em fase de travessia da infância para a adolescência – travessia que se confunde com o mom...

Pelos 96 anos de Manoel de Barros

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Hoje, 19/12, Manoel de Barros completa exatos 96 anos. Já desde o começo da manhã estivemos publicando fragmentos de O livro das ignorãças  na nossa fan page no Facebook. Justa homenagem, é verdade. Mas, ao revirar alguns livros na estante, no instante de procura por este livro, encontramo-nos com um pequeno livro, quase um opúsculo, do escritor Ondjaki, há prendisajens com o xão (o segredo húmido da lesma e outras descoisas ), livro que, olhado de relance, tem uma proximidade medonha com o tom poético do poeta brasileiro. Evidente que dedo de Ondjaki está já aí nesse reinventar de palavras. Pois então, recortamos desta edição o poema de abertura, dedicado a Manoel de Barros e uma nota do autor sobre o encontro seu (de certo modo foi um encontro) com o próprio autor d' O livro das ignorãças . Chão palavras para manoel de barros apetece-me des-ser-me; reatribuir-me a átomo. cuspir castanhos grãos mas gargantadentro; isto seja: engolir-me para mim poucochinho a cada ve...