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O sol, de Aleksandr Sokurov

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Por Pedro Fernandes Quando estou diante de filmes cuja narrativa é arrastada como em O sol , segundo filme da tetralogia sobre o poder de Aleksandr Sokurov – os outros são Moloch , Taurus e Fausto – eu costumo aplicar um teste de resistência que se mantém com o desejo inconsciente (já me explico o porquê) de encontrar em qualquer esquina trama o elemento que me seja a grande surpresa. Há casos em que ele vem e o filme se desfaz; há casos que ele não vem e o filme é perfeito. No filme de Sokurov, acontece a segunda via. Mas, quando falo sobre o ‘desejo inconsciente’ é porque esse elemento surpresa não vem do telespectador para o filme, mas pelo trajeto contrário, isto é, do filme, mais especificamente, do modo como o cineasta concebe a arquitetura da narrativa do filme, para o telespectador. Esse trabalho já foi lido pela crítica à semelhança de outro filme sobre o fim de um estado de opressão – A queda , cujo protagonista é Adolf Hitler e a trama as últimas horas do regi...

Fausto, de Alexandr Sokurov

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Por Pedro Fernandes Não será desnecessário repetir a origem de Fausto , obra já clássica da literatura ocidental que ganhou este status quando Goethe compôs o longo poema cuja primeira parte foi publicada em 1806 e a outra, já às vésperas da morte do autor, em 1832.  No mesmo ano em que o filme de Sokurov teve sua estreia por aqui a Editora 34, inclusive, vez uma nova edição com outra tradução para o poema. Goethe toma por base uma lenda alemã nascida da figura histórica do Dr. Johannes Georg Fuast que viveu entre 1480 e 1540; obcecado pelo advento do poder da ciência e logo desencantado dele, Faust teria assinado um pacto com diabo a título de reencontrar o sentido pela técnica e pelo progresso. O filme do diretor russo, é uma adaptação do livro de Goethe, mas os que já tiveram oportunidade de ler o poema têm, como é já comum no jogo das adaptações, impressões opostas: uns dizem que o filme distorce o poema e, apesar das muitas cenas ‘pesadas’ não chega ao limite do q...