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Clarice Lispector, a bruxa

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Por Pedro Fernandes Clarice Lispector em Bogotá, no pavilhão onde aconteceu o Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria. A foto de Madalena Schwartz está em Clarice: Fotobiografia . É conhecida a história da participação de Clarice Lispector num congresso de bruxaria realizado na Colômbia. Nádia Battella Gotlib se refere ao episódio na belíssima fotobiografia que organizou sobre a escritora brasileira. O ano era 1975 e por caminhos que a razão pouco conhece, a escritora se vê, certo dia, com um convite em mãos para o evento. O reconhecimento e a viagem paga foram os incentivos maiores para um escritora que se desdobrava noutros ofícios para manter alguma renda estável.   Realizado em Bogotá, entre os dias 24 e 28 de agosto, o Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria não era ficção de escritor. No programa, estavam figuras renomadas nos seus campos científicos: a Dra. Thelma Moss, neuropsiquiatra da Universidade de Stanford, Estados Unidos, por exemplo. Mas também reunia outras pessoas ...

Alice Ruiz

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Penso e passo Quando penso que uma palavra Pode mudar tudo Não fico mudo Mudo Quando penso que um passo Descobre o mundo Não paro o passo Passo E assim que passo e mudo Um novo mundo nasce Na palavra que penso. Alice Ruiz. Foto: Alice Slomp O poema em epígrafe está em Poesia pra tocar no rádio  (1999), título da poeta curitibana Alice Ruiz. Também foi musicado por Alzira Espíndola, perfazendo um raro (mas não improvável) movimento entre a letra do poema e a da música.  Alice Ruiz destaca-se como poeta. É uma autora versátil. Nasceu em 22 de janeiro de 1946 e começou a escrever ainda durante a infância (sim, a maioria de nós começamos, mas não  escrever  no sentido do interesse artístico. A curitibana aos nove anos de idade era "poeta de gaveta", como se autointitulou nas vezes em que discorreu do seu convívio com o fazer literário.  O exercício de escrever para guardar durou até aos 26 anos, quando, pela primeira vez publicou ...

O homem duplicado, de José Saramago

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Por Pedro Fernandes O homem duplicado conta com um acontecimento insólito como propulsor para o desenvolvimento da narrativa; essa parece ser o tônus para a formação de todo os romances pós-históricos de José Saramago. A nomenclatura para designar o conjunto dos primeiros romances do escritor português bem sei que é inválida, uma vez que as obras assim chamadas - Levantado do chão , Memorial do convento , O ano da morte de Ricardo Reis , História do cerco de Lisboa  - não se esgotam neste rótulo de romance histórico. São, sim, romances que se utilizam da história como elemento problematizador ou como matéria sobre a qual se constrói a narrativa; além disso, destituindo a história do pedestal a que foi elevada - o de ser verdade absoluta sobre o acontecido - toda e qualquer narrativa é, de fato, uma história. O tal acontecimento insólito se dá com o professor de História Tertuliano Máximo Afonso. O personagem descobre a partir de um vídeo a existência de um sósia, de ...

Textos que buscam olhar a literatura em suas mais diversas faces

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Por Pedro Fernandes Cândido Portinari Como todo estudante de Letras (que apesar de graduado, serei sempre) que antes de gostar de Literatura, gosta de ler (acho mesmo que não há como dissociar uma coisa da outra) estive por esses dias lendo um conjunto de artigos acadêmicos de professores e pesquisadores de várias instituições de ensino superior do Nordeste.  Trata-se de uma publicação das Edições UERN e da editora Queima-Bucha, esta conduzida pelo poeta Gustavo Luz, de quem escrevi a orelha da reedição de seu recente livro, ainda por lançar, o Das máquinas . A publicação de Linguagem, discurso e cultura  se deu em 2008. Acredito que estive em algum dos vários lançamentos desse livro porque tenho frequentado razoavelmente alguns congressos que versam sobre a temática. O livro é organizado pelos professores Alessandra Cardozo de Freitas, Lílian de Oliveira Rodrigues e Maria Lúcia Pessoa Sampaio. Mas, falo desse livro por um motivo: a presença de dois textos, um de uma das orga...

O Sacrifício, de Andrei Tarkovski

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Reflexão filosófica sobre o fim do mundo tornou-se o testamento de um dos maiores diretores do século 20 São raros os cineastas que chegam ao fim da vida a ponto de fazerem do último trabalho o seu melhor. Andrei Tarkovski conseguiu isso. O diretor russo já sofria com um câncer terminal no pulmão quando filmou a sua última obra-prima, em 1986. Como padeceu a vida inteira com problemas de censura, produção e distribuição precária de seus filmes na então União Soviética, mudara-se poucos anos antes para a Europa Ocidental. Na Itália rodou Nostalgia (1983). Fez O Sacrifício na Suécia, com a ajuda de vários colaboradores habituais de outro gênio, o sueco Ingmar Bernman (que o considerava o maior diretor do mundo, entre os seus contemporâneos), como o ator Erland Josephson, o diretor de fotografia Sven Nyvkist e o figurinista Inger Pehrsson. O jornalista e ator Alexander (Josephson) faz aniversário e convida os amigos mais próximos para comemorar em sua casa de campo, isolada da...

O estado da máquina de manter os índices péssimos da educação pública

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Por Pedro Fernandes Tenho acompanhado pela mídia o desenrolar da queda de braço apresentada entre professores e estado, professores e municípios. O fato não é novo, é verdade. Entra ano e sai ano e a novela se repete. Mas, depois de ver os rumos que determinadas greves têm tomado, sinto necessidade de sair de meu latente estado de espectador para dar pitaco sobre a questão. Não quero me posicionar a favor ou contra a arma que os trabalhadores vêm usando para intimidar o estado, desde que a greve foi assegurada por lei, entretanto, algumas questões devem ser vistas com certa cautela. As questões a que me refiro são as que os governos - em todas as instâncias - têm feito para com a educação no Brasil; educação que depois das propostas de Cristóvão Buarque à presidência da República na última eleição tem servido de engodo a políticos e políticos para se elegerem, assim como tem servido de engodo o meio ambiente, a saúde, a reforma agrária e outras questões que vira e mexe elegem polít...