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Dez curiosidades sobre o gênio Heitor Villa-Lobos

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Por Pedro Fernandes O Brasil assinala hoje a passagem dos cinquenta anos sobre a morte de Heitor Villa-Lobos, um dos nossos gênios da música clássica. Ele foi o primeiro a conseguir compor ou dar   um tom  genuinamente brasileiro à música erudita, sempre fechada aos estrangeiros, sobretudo, europeus. E, levei um tempo para conhecer um pouco sobre sua obra; a ocasião onde tudo começou foi um concerto que vi tem uns dois anos de algumas peças suas executadas com flauta. O que fez Villa-Lobos se distanciar da forma oferecida pelos compositores europeus, foi o mesmo exercício que levou os europeus à composição de peças já então clássicas; e nosso compositor demonstrou, desde cedo, a necessidade de buscar naquilo que mais nos definia enquanto identidade brasileira: os ritmos africanos e indígenas. Já década de 1920, quando têm apenas 33 anos, é senhor de seus próprios recursos artísticos, revelados em obras como "A prole do bebê", composto para piano, ou "...

Dostoiévski para as telas

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Por Manuel da Costa Pinto O Crime e castigo , de Aki Kaurismäki. Dos livros de Dostoiévski, o mais adaptado para o cinema é Crime e castigo , certamente por causa da trama detetivesca e dos diálogos envolventes entre o protagonista Raskolnikov e o juiz de instrução Porfiri Pietróvitch. A trajetória começa com os clássicos homônimos estrelados por Peter Sorre em 1935 (direção de Josef von Sternberg) e Jean Gabin, que na versão francesa dirigida por Georges Lamin em 1956, faz o papel de Porfiri. A lista inclui a versão em desenho animado, feita em 1953 pelo japonês Osamu Tezuka (o mestre dos mangás), e uma adaptação livre, algo maneirista, feita no Brasil pelo diretos Heitor Dhalia e pelo escritor Marçal Aquino: Nina (2004), longa no qual Raskolnikov se transforma na garota desajustada do título (interpretada por Guta Stresser), que vive num quarto de aluguel e é explorada por uma rabujenta senhora (Myrian Muniz). Uma asfixiante versão, que investe menos na trama polic...

Crimes e Pecados, de Woody Allen

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O cineasta consegue tocar em assuntos fortes, passando longe do humor, mas sem perder a levez de suas grandes comédias Fanático por Ingmar Bergman, Woody Allen sempre sonhou em fazer dramas profundos na linha do cineasta sueco. A primeira tentativa, não muito convincente, foi com Interiores  (1978), em que deixava de lado a ironia predominantemente em seus trabalhos anteriores. No final da década de 1980, o diretor voltou a se arriscar em territórios bergmanianos e os resultados foram os fracos Setembro  (1987) e A Outra (1988). Mas com Crimes e Pecados  ele acertou no tom: a mistura de drama e humor, em histórias alternadas. De um lado, o correto oftalmologista Judah Rosenthal (Martin Landau) se vê na obrigação de pedir ao próprio irmão que mate sua amante de longa data, Dolores (Anjelica Huston). De outro, Cliff Stern (Allen), um cineasta fracassado obrigado a dirigir um documentário sobre seu cunhado famoso e egocêntrico, Lester (Alan Alda), apaixona-se por uma...

Meu encontro com Maria Teresa Horta

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Por Pedro Fernandes Eu e a escritora Maria Teresa Horta, Salvador, 2009. Arquivo pessoal. 1. Embora conheça através da leitura esparsa na web  vários outros títulos da poesia de Maria Teresa Horta,  conheci seu nome primeiramente de ouvir uma fala da professora Conceição Flores na qual se propunha uma relação interbiográfica com a obra de outra Teresa, Teresa Orta (leia mais aqui ). 2.  Logo depois disso, encontrei a edição das Novas Cartas Portuguesas , obra com a qual os nomes de Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno, e também o de  Maria Teresa Horta,  se fizeram marcantes na literatura portuguesa. Para quem não conhece o livro, fica a recomendação. Há edição brasileira relativamente fácil de encontrar nos sebos. Escrito em 1971, o livro saiu um ano adiante pela Estúdios Cor. Por aqui, três anos mais pelo Círculo do Livro. 3.  As Novas cartas...  reúne cartas, ensaios, textos de ficção, poemas e vários fragmentos dispersos. As...

O grito de Caim por José Saramago

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Por Pedro Fernandes É preciso ser-se Deus para gostar tanto de sangue José Saramago, em "O Evangelho segundo Jesus Cristo" (OESJC), 2006, p.327. Já era de se esperar. E não há novidade alguma no fato. O novo romance de José Saramago, Caim , lançado há poucos dias, recebeu da Igreja o já esperado visto de condenação devido seu teor. Segundo o episcopado lusitano, a nova obra do escritor português não passa de uma operação publicitária e reduz o romancista à categoria de sujeito amante da descordialidade e da ofensa. Depois de insistir na concepção carnal de Jesus, "nascido como todos os filhos dos homens, sujo do mesmo sangue de sua mãe, viscoso de suas mucosidades" (OESJC, 2006, p.65), de uma Maria não virgem, do relacionamento amoroso entre Jesus e Madalena e do que possivelmente esteve envolvido no desfecho da vida de Cristo, Saramago avança sua veia crítica sobre o discurso religioso cristão quando nesse seu novo romance intima o leito...

Uma Rua Chamada Pecado, de Elia Kazan

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Adaptação de peça do dramaturgo Tennessee Williams revelou para o cinema talento mítico de Marlon Brando Antes de cinema, Elia Kazan foi um homem de teatro. Desta origem, seus principais filmes herdaram uma admirável direção de atores (por suas mãos passaram os míticos Marlon Brando e James Dean) e a habilidade em reter o essencial da carga dramática, transferindo-a concentrada do palco para a tela. É o que mais chama a atenção no impressionante Uma Rua Chamada Pecado , que tem por base o texto Um Bonde Chamado Desejo , de Tennessee Williams. Como hábito no universo do dramaturgo nascido no Mississipi, os personagens carregam valores fortes e enraizados, e o drama consiste externamente, no confronto entre eles e a sociedade, e, internamente, no conflito moral que acaba por lhes produzir crises psicológicas. É o que acontece a Blanche DuBois (cujo nome ressoa significados de pureza), centro da trama. Ela chega a Nova Orleans vinda do interior, e se hospeda na casa de Stella,...