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Planeta dos macacos: a origem, de Rupert Wyatt

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Por Pedro Fernandes Retirando o exagero comercial (diria) do diretor ao afirmar que se a natureza houvesse dado oportunidades o macaco venceria o homem, Planeta dos macacos – a origem pode ser lido como uma surpresa cinematográfica de 2011. Minha nota de leitura acerca do filme não buscará fazer paralelos com as primeiras produções da saga, sabe-se que esta agora é um remake , o xodó dos cineastas vazios de ideias, mas buscará ler o filme pelo o que ele é atualmente. É lógico que, quando digo “surpresa cinematográfica” estou levando em questão a opinião de quem assistiu as edições passadas e tinha o medo de que todo o aparato tecnológico artificializasse o filme a ponto de não se reconhecer nas feições do filme atual o que veio antes dele. Fato. Mas, para esses que temiam um desastre ou um distanciamento, digo que devam se contentar com a última impressão. Uma obra relida nunca é a obra original. É sim uma outra obra. Uma das coisas que se salvam no filme é seu ...

Miacontear - A carta de Ronaldinho

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“Uns aprendem a andar. Outros aprendem a cair. Conforme o chão de um é feito para o futuro e o de outro é rabiscado para sobrevivência.” “O pulo é o desajeito humano de ensaiar o voo.” “A carta de Ronaldinho” é mais um conto de O fio das missangas que reitera o tom anedótico. Estamos outra vez diante de um típico personagem. Filipão Timóteo. Assim nomeado pelo mesmo distintivo próprio do antigo técnico da Seleção Brasileira. Como técnico, Filipão Timóteo também se põe a elaborar estratégias de jogo num papel velho, depois de sua cerveja, para traduzi-las na falsa tela do televisor disposta à sua frente. Falsa porque o que se vê não passa de um desenho “rabiscado a carvão”. “Filipão desenhara o televisor com detalhe de engenheiro. E ali estavam compostos com perfeição os botões, a antena, os fios.” Pela tela imaginária este homem vive as grandes emoções do futebol, coordena os jogos e comemora os gols com a mesma veemência de alguém que estivesse de frente a um televisor de ve...

À cata de novos nomes da Literatura Brasileira

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A revista Granta em português é publicada no Brasil pelo selo Alfaguara. No início do mês resolveu abrir o processo de seleção para lançar até julho de 2012, uma edição especial com "Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros". A edição segue tradição consagrada pela Granta inglesa. Desde 1983, a cada dez anos Granta publica um número intitulado "Os Melhores Jovens Escritores Britânicos". Estas coletâneas revelaram autores vibrantes, originais, que definiram novos rumos para a literatura inglesa. O mesmo conceito e formato seriam repetidos em 1996 e 2006 em edições de "Os Melhores Jovens Escritores Norte-Americanos" e, em 2010, com "Os Melhores Jovens Escritores em Língua Espanhola". Para compor este primeiro número com escritores em língua portuguesa, serão considerados escritores com menos de 40 anos de idade, que tenham publicado ou assinado contrato para publicar obra de ficção.  Para se inscrever, o concorre...

Lançamento de "50 poemas escolhidos pelo autor", de José Inácio Vieira de Melo

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José Inácio Vieira de Melo. Poeta da nova safra dos brasileiros que tem hoje carreira ascendente. Foto: Alice Santos. Há nomes que topamos por aí e damos a seguir. Quanto aos artistas conhecíamos eles de ouvir falar ou de dá de cara com suas obras – no caso dos escritores, com seus livros. Hoje, as relações ainda permanecem quase que nesse ponto, mas podem tomar uma direção oposta: conhecermos o autor e só depois conhecermos a sua obra. Pois bem, tenho um rol de nomes que se fixam nesse itinerário contrário. Alguns, consigo até seguir com leituras e comentários. Outros vão ficando pelo caminho. Nesse mover-se de nomes descobri, ao acaso das redes sociais (que é esse o espaço ideal para a inversão da ordem comum dos conhecimentos) o nome de José Inácio Vieira de Melo. Inicialmente chamou-me atenção o nome. Esse Vieira de Melo condiz ipsis literis com o sobrenome de minha mãe, que não herdei por pura idolatria paterna pelo nome do seu pai. José Inácio Vieira de Melo, ao q...

127 horas, de Danny Boyle

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Por Pedro Fernandes James Franco em atuação como Aron Está aí um dos filmes - que já assisti a certo tempo e fiquei de comentar por aqui - que me impressionou muitíssimo; devo ter ficado uns tantos dias tontos com seu enredo. E por motivos muito óbvios. Primeiro porque esse filme vem dialogar in diretamente com um pensamento que já certa vez escrevi neste blogue: sobre nossa incapacidade (por vários momentos) de ter aquilo que chamamos de controle sobre o rumo da nossa própria vida. Não que eu acredite em destino. Se um dia acreditar em destino, então terei de acreditar nas previsões feitas por "descobridores" do futuro de toda sorte - ciganas, cartomantes, astrólogos, sensitivos etc.  Segundo porque reforça aquela ideia que, antes das baratas, devemos ser uma das últimas espécies a ser extinta na Terra. E aqui tem um porém de previsão misturado com conhecimento parco de ciência. A proximidade com a morte experienciada pela personagem central do filme nos co...

Glauber pela boca da mãe

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Glauber Rocha. Foto: Blog da Cosac Naify. Aos 90 anos a mãe do cineasta maior, numa conversa feita em 2008 com Rafael Munduruca, fala sobre o filho e as dificuldades para a carreira do diretor de Terra em transe. Todo pequeno entendedor de cinema sabe da importância que representa o nome Glauber Rocha para o cinema nacional e por que não para o cinema mundial. Glauber não foi apenas grande cineasta e diretor de uma obra genial e importante para o cinema. Deixou também uma produção escrita vasta com reflexões acerca do cenário no Brasil, sobre o movimento por ele preconizado – o Cinema Novo – e, sobre as perspectivas para o seu presente e futuro do cinema no mundo. Essa produção foi reunida em três amplos volumes pela editora Cosac Naify e representa uma produção importante para entender a magistratura do cineasta bem como sua produção cinematográfica. Autor de obras clássicas como Terra em transe e A idade da terra o autor é rememorado numa conversa inédita apresentada...