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Boletim Letras 360º #78

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Assinatura de Guimarães Rosa. Arquivos raros do escritor foram a leilão esta semana. Mais detalhes ao longo deste boletim. Quantas vezes você foi ao mural do Letras no Facebook essa semana? Pergunta de curioso. Mas, quem foi (ou vai com frequência) terá percebido que sempre rola uma novidade relacionada ao universo literário pelo menos duas vezes ao dia. Sim, esse universo é agitado e olha que estamos longe (muito longe de dar conta!) O que acompanhamos são  os nomes que já circulam aqui pelo blog, de um modo ou de outro (nunca perceberam?). Enfim, quem não foi tem a oportunidade de rever aquilo que foi notícia por lá, lendo este boletim editado todos os sábados por aqui. Vamos lá? Segunda-feira, 11/08 >>> Portugal: Na web , documentário sobre o poeta Mário Cesariny  Poeta, surrealista e tudo – eis um possível retrato para Mário Cesariny, o português que de forma mais plena assumiu o surrealismo: não como método ou escola, mas como forma de insurr...

A leitura “histórica” de Thomas Mann: mas além do sensacionalismo artístico

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Por Anna Maria Iglesia Num mundo fragmentado, a reconciliação tornou-se impossível, este é o mundo que Friedrich Nietzsche vislumbra e ante o qual propõe um regresso ao mito primitivo, ao mito de Dionísio, ao mito do excesso e da desmesura. Dionísio é o mito da vontade de poder, dessa mesma vontade que permite dizer sim à vida marcada pelo pessimismo, pela negatividade, uma vida constituída por um sofrimento inevitável, impossível de superar, que retorna eternamente. O mundo vislumbrado por Nietzsche é o do eterno retorno, o mundo que o homem do futuro deve aceitar tal e como é sem esperar a redenção final que a moral cristã e a razão acrítica e, inclusive, a ideia de uma ciência que visa o progresso demasiada vezes prometida e prevista. A racionalidade acrítica já não é válida, tornou-se insuficiente; converteu-se numa ferramenta invisível num mundo e numa realidade que não podem ser mudadas, pois o mundo deve ser aceito na dor e no prazer que o constituem. Dionísio ...

Quatro documentos inéditos sobre Miguel de Cervantes e uma nova mulher na vida do escritor

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O trabalho quase detetivesco de um arquivista de La Puebla de Cazalla, município da região sevilhana, lança luz sobre aspectos desconhecidos da biografia de Miguel de Cervantes. A descoberta de quatro documentos inéditos em arquivos diferentes apresenta novos dados sobre seu labor como coletor da Fazenda Real e aponta a possibilidade de que houvesse outra mulher na vida do escritor. O arquivista em questão, José Cabello, encontrou há três anos por acaso com um manuscrito de 5 de março de 1593 no qual Cervantes foi empossado neste Ajuntamento como comissário de suprimentos das Forças Armadas Real para o encargo de provedor da frota para as Índias comandada por Cristóbal de Barros. O trabalho do romancista era levantar trigo e cevada para abastecer a frota de Felipe II. “O documento é importante porque acredita que Cervantes esteve em La Puebla, algo que se desconhecia até o presente, e o relaciona pela primeira vez com Cristóbal de Barros, quem foi o armador que construiu os ...

O livro como extensão da imaginação

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Por Lee Pontes O livro, diz Borges, é o instrumento mais impressionante inventado pelo homem. O fato se deve, para o mestre argentino, que todos os outros são extensões do corpo. A roupa atua como uma segunda pele. Os automóveis são continuações dos pés, o microscópio amplificador dos olhos, etc. Apenas, o livro não é extensão de nada, mas um depositário da imaginação humana. São nas inúmeras páginas que nos perdemos, vertendo, de acordo com nossa formação sociocultural, o mundo forjado pelos escritores. Não existe algo de mais singular, que perdesse entre livros, entretanto, com os outros objetos, perdemo-nos, mas, logo nos encontramos. Os outros objetos tem o momento de adequação para seu uso, o livro não exige uma adequação ou pede um lugar exato para ser lido. Embora, cada indivíduo promova um ritual próprio para o culto à leitura, o próprio ato de ler que orienta a jornada do leitor. Em Gli amori difficili , Calvino coloca o leitor a par da aventura da leitura. Um...

A lista de leituras de Liev Tolstói

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Liev Tolstói por Ilya Repin (detalhe) Guerra e paz , Anna Kariênina , A morte de Ivan Ilitch – o que seria da literatura universal sem livros como estes? Obras que, de um modo ou de outro, têm sido influência para muitos nomes das letras ao redor do mundo. Há mesmo quem diga que, sem estes textos, o romance não teria sobrevivido tanto tempo assim.  Bom, mas sabemos que nenhuma escrita é obra do acaso; que quem escreve necessita beber de várias fontes. Mais que um escritor, todo escritor é um exímio e apaixonado leitor. Sendo assim, quais teriam sido as influências do escritor russo? Não sabemos muito, porque elas não chegaram até nós e listas são coisas que se refazem com uma grande frequência. E nunca estão prontas; sempre há que acrescentar novas referências, retirar outras. Isso porque a única lista de leituras produzida por Tolstói data de quando o escritor tinha 63 anos e o escritor viveu 82; depois desses vinte anos, teria ainda o mesmo interesse de quando esc...

Urbano Tavares Rodrigues

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Até onde pudemos pesquisar – entre os muros do espaço virtual – encontramos que a obra de Urbano Tavares Rodrigues, assim como a de outros muitos nomes da literatura portuguesa merecedores da atenção do leitor, encontra-se inédita no Brasil. Também não há nisso empecilho para conhecê-la; Portugal pode ser logo ali e de lá para cá, zanguem-se alguns gramáticos de um e do outro lado, fala-se um mesmo idioma. Mas, é para romper esse desconhecimento que existem espaços como estes, embora também as fronteiras da web sejam ilimitadas e os daqui podem ler sobre qualquer literatura de qualquer parte do mundo. Ainda assim, importa mesmo é quem fala. Dizer de um nome pouco conhecido é um gesto de multiplicá-lo nesse universo sem fronteiras e fazê-lo mais próximo de outros leitores. Desde 2013, quando o escritor morreu, que era prevista uma entrada como esta para o Letras. Terá sido necessário esperar um ano para se falar sobre Urbano Tavares aqui; nada grave. Circula já outros textos q...