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Noutros rostos, de Filipe Marinheiro

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Os que se aventurarem buscar informações na web  sobre o poeta português poderão encontrar, entre a leva de poemas publicados, alguns editados no caderno-revista 7faces . Foi através desse periódico, uma publicação nascida do lugar deste blog, que chegou-nos o nome Luís Filipe Marinheiro. Um nome, como de outros jovens poetas, perseverante no ofício da escrita de poesia. E deve ser. Não apenas porque a poesia tem sido a patinho feio das editoras, mas porque o espaço de onde vem o poeta é povoado por um complexo território de grandes vozes poéticas. Essa perseverança, portanto, é espada de dois gumes necessária à formação de qualquer nome no gênero. Nascido em Coimbra em 1982 e autor de títulos como Silêncios  e Um cândido dilúvio (acto I)/ Sombras em derivas (acto II) , todos editados pela Chiado Editora em 2013, agora, apresenta-nos também por essa mesma casa editorial,  Noutros rostos . Em preâmbulo, a abrir a obra, o poeta já logo cita dois de seus mest...

Boletim Letras 360º #93

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Neal Cassady e Jack Kerouac. Ao acaso, como tem de ser, uma carta de Neal a Kerouac, tida com a precursora de On the road  e dada como perdida pelo relapso Allen Ginsberg, foi encontrada agora, 60 anos depois. Mais detalhes ao longo deste Boletim.  2015 parece estar com certa pressa para chegar. Sim, porque o mês de novembro correu num piscar de olhos. Para assinalar esse fim repentino de novembro, deixamos mais uma promoção daquelas que somente esse blog é capaz de fazer: depois de dois exemplares do romance O irmão alemão , de Chico Buarque,   teremos a honra de presentear um leitor com a recente luxuosa edição de Antologia poética , de Murilo Mendes , o poeta que   ganha uma repaginada na sua obra pelas mãos primorosas da Cosac Naify. Imperdível, não? Tanto quanto saber das notícias que marcaram a semana na página do Letras no Facebook.  Segunda-feira, 24/11 >>> Espanha: Novas buscas aos restos mortais de Federico García Lorca “Ch...

Entendendo o universo feminino e a ditadura militar: resenha de “As meninas”, de Lygia Fagundes Telles

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  Por Rafael Kafka A ditadura militar brasileira é um período histórico ainda muito marcado pelo mistério acerca dos fatos ocorridos nos poucos mais de vinte de anos de vigência. Crimes de tortura, corrupção, censura, exílios e uma série de outras coisas foram marca registrada de uma época da vida social no Brasil marcada pela constante agressão aos direitos humanos e ao direito de expressão e liberdade de ir e vir. Ainda assim, vemos no ano de 2014 uma série de manifestações repletas de discursos de ódio pedindo a volta de um poder comandado pelos militares para restaurar a paz social de nossa nação, que segundo uma pequena parcela de maus perdedores das últimas eleições ainda se encontra ameaçada pelo terror comunista. O que soa mais perturbador nisso tudo é ver pessoas como Jair Bolsonaro alegarem em nossa conturbada contemporaneidade que nada disso que se fala por aí realmente ocorreu na ditadura militar e que tudo não passa de mentiras de uma oposição composta...

Promoção O nome Murilo Mendes

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Conforme publicamos matéria no blog, este ano , a obra de Murilo Mendes passa por uma primorosa reedição pela Cosac Naify. O Letras sorteia entre amigos um exemplar da luxuosa antologia ora publicada. Trata-se de uma compilação inédita de poemas selecionados por Júlio Castañon Guimarães, da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e Murilo Marcondes de Moura, professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo. A edição em capa dura traz, além dos poemas, um caderno com 18 imagens coloridas do autor mais um CD com gravações de 1955 em que Murilo Mendes lê oito de seus poemas.  Para participar leia atentamente o regulamento e veja o que necessário fazer: 1. Partilhar  essa imagem no modo público; 2. Inscrever-se na aba "Promoções"  aqui ; 3. Deixar um comentário  na postagem no Facebook  convidando três amigos para participar da promoção. O sorteio só é válido para amigos do Brasil. Será realizado através da ferramenta sorte...

Walt Whitman e suas "Folhas de relva"

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“Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo, / E aquilo que eu presumir também presumirás”. E um novo mundo se abriu com esses versos de “Canção de mim mesmo”. 159 anos separam esse começo do livro Folhas de relva , que Walt Whitman terminará em 1892, depois de nove edições e um total acumulado de 389 poemas. Uma obra-mestra que no Brasil circula em pelo menos três versões diferentes. A obra que consagrou Whitman poeta indispensável a todo leitor, embora, tenha se exercitado noutras formas de escrita, como o famoso diário que levou consigo quando enfermeiro de campanha durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. Trinta e três anos tardou Whitman em completar a “autobiografia de todo mundo”, como disse Gertrude Stein. Uma epopeia do estadunidense e da vida íntima, imaginada e pública, que se apresenta plena de realidade e premonição. Levou seus leitores ao reencontro de si mesmos. E se converteu num guia que abriria inusitadas e novas rotas literárias para poesia universal. A...

Um inferno repleto de livros: O irmão alemão, de Chico Buarque

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Por Alfredo Monte Boa parte do impacto da leitura de O irmão alemão reside — a meu ver — menos no aproveitamento ficcional de uma contingência biográfica, a existência do meio-irmão do título (e seus desdobramentos na vida do narrador), e mais na exploração (física e simbólica) do espaço da biblioteca da família Hollander: “E quando não havia ninguém por perto, eu passava horas a andar de lado rente às estantes, sentia certo prazer em roçar a espinha de livro em livro. Também gostava de esfregar as bochechas nas lombadas de couro de uma coleção que, mais tarde, quando já me batiam no peito, identifiquei como os Sermões do Padre Antônio Vieira (...) Até os nove, dez, onze anos, até o nível da quarta ou quinta prateleira, durante toda a minha infância mantivesse essa ligação sensual com os livros.” Nessa casa tomada (“Até então, para mim, paredes eram feitas de livros, sem o seu suporto desabariam casas como a minha, que até no banheiro e na cozinha tinha estantes do te...