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José Saramago e a necessidade de termos olhos quando outros já os perderam

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Por Pedro Fernandes Toda a obra de José Saramago é um apelo à visão. Somos um sistema construído pela combinação de cinco sentidos, mas desses que nos definem, ver talvez seja o mais importante de todos. Da leitura que fiz de um texto de Alfredo Bosi, espicaçada no meio de Retratos para a construção do feminino na prosa de José Saramago (Appris, 2012), disse enquanto comentava sob o enigma do olhar numa das personagens mais enigmáticas, certamente, da literatura saramaguiana, Blimunda (de Memorial do convento ), que o olhar tem a vantagem da mobilidade. É fronteira aberta entre o sujeito e o mundo, pode perscrutar todos os ambientes e movimentações que estiver ao seu alcance. Pelo olhar é que se distingue, conhece, reconhece, é que se estabelece a explicação do mundo objetivamente. Enquanto expressão cognitiva é definidor dos tons da subjetividade: ri ou chora, cala ou denuncia, admira ou reprova, ama ou detesta. Base de uma plenitude da existência, sem a visão, d...

Esopo e La Fontaine na atemporalidade que aniquila a obviedade da aparência

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  Por Maria Vaz Esopo - Fábulas completas  (Cosac Naify). A obra reúne 383 fábulas, das quais, 26 inéditas em língua portuguesa. Na história da literatura – que mais não é do que um passado concreto dado à estampa –, encontramos escritores capazes de tocar significâncias complexas com os textos mais simples: uma simplicidade capaz de passar de boca e boca e atingir um público-alvo alargadíssimo. Pois é, existem autores que, sem adornos, nos conquistam pela simplicidade com que nos transmitem uma mensagem profunda. Este texto versa sobre o poder das fábulas que, tristemente, caíram em desuso. Afinal de contas, longe vão os tempos em que os pais tinham tempo de ler pequenas histórias às crianças, que esperavam por aquele momento como apogeu dos seus dias. A verdade é que a pós-modernidade encontra-se submergida numa dilacerada aceleração do tempo: em que tudo é para ontem; em que há sempre mais a fazer; em que se nos pede para ser mais e melhor, numa espécie de...

A cristalização do universo de Joyce: “Stephen herói” e “Os mortos”

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Por Alfredo Monte 1 Durante a primeira década do século XX, quando tinha vinte e poucos anos, James Joyce produziu os contos que, publicados somente em 1914, formam a coletânea  Dublinenses ; por essa mesma época também se dedicava a um imenso manuscrito,  Stephen herói  [ Stephen hero ], no qual inovava radicalmente uma das linhas mais fortes da ficção europeia, a do “romance de formação”. Ao contrário de Goethe (o ciclo Wilhelm Meister) ou Keller ( O imaturo Henrique ), não se tratava de um autor já vivido meditando e recapitulando o aprendizado de um jovem (geralmente, um artista), e sim do próprio autor em formação relatando esse processo enquanto o vivia. E não através da mera transposição autobiográfica, como é comum (ainda mais em escritores iniciantes), pois a Joyce pouco interessava o anedótico pessoal (pelo menos, nesse período de composição do romance de estreia), planejando que avultasse o lado “épico” da escolha do destino ...

Catálogo maçante das coisas comuns, de José de Paiva Rebouças

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Por Pedro Fernandes Aos olhos do leitor comum pode ser que um título como Catálogo maçante das coisas comuns não alcance a curiosidade suficiente de instigá-lo a leitura. Mas, é de se perguntar que título faria a atenção imediata do leitor comum. Convergência (Murilo Mendes), A rosa do povo (Carlos Drummond de Andrade), Poemas negros (Jorge de Lima), Coral (Sophia de Mello Breyner Andresen), A duração do deserto (Nina Rizzi), Cidade íntima (Leontino Filho) – para citar pequeno conjunto de bons poetas e de bons títulos que têm em comum a natureza de não produzir movimento que seja na curiosidade do leitor comum sobre a natureza de seu conteúdo.  No meu caso, também de leitor comum, mas daquele que tem o mínimo de curiosidade sobre as coisas comuns, deixo me guiar, diante desses títulos, primeiro pela dificuldade de se dar nome a tudo, depois, abrir-me em indagação sobre o porquê dos nomes, antes do porquê do nomeado. De modo que, se o título não se mostra como ...

Boletim Letras 360º #121

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Findamos mais uma semana. E temos o privilégio de dizer que já enviamos mais dois livros aos nossos leitores; desta vez, dois exemplares da nova edição preparada pela Alfaguara Brasil para a Antologia poética  de Mário Quintana. E, deixamos dois convites aos leitores: (1) pense na pessoa amada, inspire-se e escreva a uma mensagem nos comentários de uma postagem que estará no topo do nosso mural no Facebook até domingo (dia 14/06) - a mensagem que tiver mais curtidas levará um Kit com livros. (2) ainda está aberto o desafio, 1000 seguidores no Twitter , uma edição de Alice no país das maravilhas  (Cosac Naify). Tá difícil, mas... Moacyr Scliar. Manuscritos e datiloscritos do escritor estão on-line. Mais informações ao longo deste boletim. Segunda-feira, 08/06 >>> Brasil: Reedição da obra poética de Max Martins Para grande parte dos brasileiros é um desconhecido; mas é, na literatura brasileira, um dos nomes fundamentais. De Belém, chega-nos a notí...