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A vegetariana, de Han Kang

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Por Sérgio Linard Han Kang. Foto: Gorm Kallestad   “Ninguém nasce para semente”. No interior do Maranhão, terra de onde brotou este que aqui escreve, usamos esta expressão sempre que intentamos lembrar da finitude da vida. No saber popular, diz-se que não se nasce para semente, porque não iremos viver para sempre; um dia, invariavelmente, nossa história por aqui chegará a um termo.   Yeonghye, protagonista de A vegetariana , queria, ainda assim, virar semente. Ou planta.   A trama deste romance da escritora sul-coreana, Han Kang, conta a história de uma família aparentemente comum que tem toda a sua normalidade alterada a partir de um sonho. Pesadelos que envolvem sangue, morte, catástrofes e situações parecidas levam Yeonghye a anunciar “Eu tive um sonho” e, a partir disso, as situações internas e externas a ela ganham ares e perspectivas distintas à medida que as páginas do romance avançam. Após este sonho, ela decide tornar-se, de forma irrenunciável, vegetariana. Os ...

A Palavra, de Carl Theodor Dreyer

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Por Solange Peirão Para quem assiste ao filme do dinamarquês Carl Theodor Dreyer, e tem alguma aproximação, seja por interesse intelectual ou por opção religiosa, com o Evangelho Segundo São João, lembra de imediato dos termos de abertura: “no princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus”.  Verbo ou Palavra, expressões que remetem, ao mesmo tempo, à potência criadora de Deus e à divindade de Cristo, o Verbo encarnado.   Particularmente, acredito que esse partido estava mais presente para o cineasta, ao intitular esse belo A Palavra , do que uma possível referência ao que é discursivo. À potência criadora do discurso, sim, mas na perspectiva teológica que o evangelista anuncia. Basta nos debruçarmos sobre o filme para confirmar essa suspeita.   Trata-se, aqui, de uma comunidade, em reflexão e questionamento ferrenhos sobre a doutrina cristã e a instituição que lhe dá suporte.   A família que centraliza a ação é a do fazendeiro, o velho patriarca ...

Os irmãos sejam unidos: William e Henry James

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Por Rodolfo Biscia Henry e William James. Foto: Arquivo Bettmann   Estávamos em meados dos anos 1980 e, num curso sobre Leibniz na Universidade de Saint-Denis, Gilles Deleuze notou a ausência de um estudo conjunto sobre os irmãos James, Henry o literato e William o filósofo. Entre seus alunos estava David Lapoujade, que ficaria encarregado de tecer esses fios em Ficções do pragmatismo (2008), um livro hospitaleiro com leitores de ambos os lados.   Ao mesmo tempo carteiro e contrabandista, Lapoujade coloca em prática um sistema de complementações. Se o psicólogo William persegue o imediatismo da experiência pura, o romancista James se deleita em seu caráter indireto (ele é um mágico da obliquidade). Se William expôs sua filosofia através de uma espécie de relato de aventuras, seu irmão transformou o romance na forma reflexiva por excelência. Os processos narrativos nas ficções de Henry lançam luz sobre a teoria de William da relação pragmática entre vontade, crença e verdade. ...

Uma gracejante obra-prima que expandiu as possibilidades do romance

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Por Parul Sehgal Seria possível que o romance mais moderno, mais surpreendentemente vanguardista que apareceu esse ano tenha sido originalmente publicado em 1881?* Este mês marca a chegada de duas novas traduções de Memórias póstumas de Brás Cubas , a obra-prima do romancista brasileiro Joaquim Maria Machado de Assis, uma história metaficcional e metafísica narrada por um homem que morre de pneumonia. Muito sinistro? Esqueci de mencionar que ele é carregado para o além no dorso de um volúvel e enorme hipopótamo. Se imaginarmos o progresso histórico do romance como a evolução do homem — do vergado primata ao ereto homo sapiens — o livro de Machado representa o momento em que o romance aprendeu a dançar. O livro lança mão do gosto onívoro do seu criador: tragédia grega, Shakespeare e Schopenhauer, fermentados pela tradição picaresca de Cervantes e Laurence Sterne. Sua experimentação formal e jocosidade são consideradas precursoras dos romances de Nabokov, Calvino e dos pós-modernistas am...

Boletim Letras 360º #485

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DO EDITOR   1. No dia 29 de maio de 2022 realizamos o último sorteio incluindo Kits de livros fornecidos por editoras parceiras que se dispuseram contribuir conosco para levantar fundos de custeio do domínio e hospedagem do Letras aqui na web.   2. O seu apoio é ainda necessário, continuamente. Os sorteios continuarão, com Kits de livros ou livros isolados entre todos os apoiadores. Simplificamos os valores. Agora é possível ajudar com valores a partir de R$10 através do PIX blogletras@yahoo.com.br .   3. Outras formas de colaborar com o Letras estão disponíveis aqui . E, cabe não esquecer que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você tem desconto, também ajuda a manter o Letras sem pagar nada mais por isso .   4. A todos que ajudaram, direta ou indiretamente, reiteramos, também continuamente, nossos agradecimentos. Yasunari Kawabata.   LANÇAMENTOS   Pela primeira vez, o último romance de Yasunari Kawabata ganha tra...