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Para Michel Houellebecq a humanidade está condenada

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Por Mercedes Estramil Michel Houellebecq. Foto: Barbara d’Alessandri   No 2019 pré-pandêmico, Michel Houellebecq recebeu a Legião de Honra de um presidente que não admira, Emmanuel Macron. Este último, que também não o admira, o descreveu como um “romântico perdido em um mundo materialista”. É uma definição curiosa para esse francês anti-sistema, islamofóbico (misantrópico se ampliarmos o zoom), que lança bombas linguísticas contra toda ortodoxia de pensamento correto. Sua defesa a Donald Trump no artigo “Trump é um bom presidente” é bem conhecida, embora envolta em fina ironia; seus ataques à União Europeia; e sua preferência pelo presidencialismo vitalício e pela democracia direta, eliminando o sistema parlamentarista. Sua amizade com o ex-presidente Sarkozy e com o escritor Frédéric Beigbeder, suas coincidências com Julian Assange, ou a amizade que o uniu a uma das vítimas dos ataques de 2015 contra o semanário Charlie Hebdo também é bem conhecida. Para a literatura, nada disso...

Antonio Di Benedetto: a distração e o esquecimento

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  Por Jimena Néspolo Antonio Di Benedetto. Arquivo Cidade de Mendoza.   Surpreende, a partir da obra narrativa de Antonio Di Benedetto (Mendoza, 1922-Buenos Aires, 1986), sua vocação para desarticular as formas sem rituais que organizam a afetação. O seu é um caminho discreto, que aposta na coerência filosófica e num distanciamento reflexivo capaz de trair qualquer impostura. Há algo da ordem do estranhamento persistente do mundo, que espreita na seleção lexical e no fraseado, mesmo nos textos jornalísticos que apostam na comunicação plena.   Embora Zama (1956) seja uma de suas ficções mais conhecidas, pode ser El pentagóno. Novela en forma de cuentos [O pentágono. Romance em forma de contos] que melhor condensa essa busca. O “livro mais misterioso da literatura argentina” — segundo Sergio Chejfec 1 — foi publicado pelas Ediciones Doble P, em 1955, embora tenha sido escrito na década anterior. É um romance caótico e labiríntico onde todas as alternativas de enredo são ...

O olhar diferente

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Por Nadia Villafuerte Herta Müller. Foto: Jack Mikrut   Um menino a cavalo. O cavalo no meio de um rio. Um cavalo que joga o menino no chão e o pisoteia até a morte. O pai do menino que pula na água para resgatar seu filho. Outras crianças, testemunhas, que veem como o pai envelhece num instante. Crianças que viram tudo e não conseguem descrever como aconteceu a cena, completamente transparente e ao mesmo tempo uma enorme miragem, quando a vida de um homem chega ao fim de forma semelhante, mas também diferente à morte de seu filho. E porque onde a presença do cavalo lembra a ausência da criança morta, o pai da criança morta prossegue: pega um machado e desfere golpes até o crânio do cavalo se partir. Um machado insano sobrevivendo ao homem e ao cavalo, que não estão mais curiosos sobre as almas um do outro.   Nenhuma criatura é inocente, diz a si mesma Herta Müller, nem o machado deste bucólico postal, nem mesmo esta paisagem, porque não sabemos se a paisagem é testemunha ou r...

Oscar Wilde, a verdade de máscara

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Por Juan Arnau Oscar Wilde, Nova York, 1882. Foto: Estúdio Napoleon Sarony.   A origem está sempre presente. A origem não faz parte do tempo, nem das máscaras, e, no entanto, está lá, à espreita, à espera de reconhecimento. A origem é o que está por trás da máscara. Há pessoas desesperadas por outro tipo de reconhecimento, social, teatral, que é basicamente o mesmo. Oscar Wilde foi uma delas. Toda a sua vida foi rebocada por essa necessidade. Ele sabe que o teatro purifica e espiritualiza, que inicia sentimentos nobres. É sua droga e seu veneno. E a literatura, porque as palavras também são máscaras, disfarce, cor, música que anuncia o invisível. Ele mesmo disse isso várias vezes. A emoção por si mesma é o fim da arte, enquanto a emoção pela ação é o fim da vida e dessa organização prática da vida que chamamos de sociedade. A sociedade pode perdoar o criminoso, mas não o sonhador. “As belas emoções estéreis que a arte provoca em nós são abomináveis ​​aos olhos da sociedade.” A cont...

Boletim Letras 360º #506

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  DO EDITOR   1. Caro leitor, até o mês de novembro, lembrarei aqui sobre o sorteio que agora o blog realiza com o apoio da Editora Trajes Lunares. A casa disponibilizou dois Kits de livros para sorteio entre os participantes do nosso clube. Este clube de apoios é uma das alternativas para ajudar este blog com o pagamento das despesas anuais de hospedagem na web e domínio.   2. Para participar dos sorteios é simples. Envia um PIX a partir de R$15 a blogletras@yahoo.com.br; para saber mais sobre os livros da Trajes Lunares disponíveis, sobre outras formas de apoiar, visite aqui . E lembro que: a aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim garante a você desconto e ajuda ao blog sem pagar nada mais por isso .   3. Boas leituras! Vinicius de Moraes. Arquivo Portal Terra.   LANÇAMENTOS   Livro reúne mais de uma centena de textos inéditos de Vinicius de Moraes .   Nome central da poesia e do cancioneiro brasileiro, Vinicius de ...