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Mircea Cărtărescu: os sótãos de Bucareste

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Por Mercedes Monmany Mircea Cărtărescu. Foto: Mircea Struţeanu   Autor de uma extensa obra, o que o torna um credor a cada novo livro (seja no gênero narrativo, seja com sua deslumbrante produção poética) ao Prêmio Nobel de Literatura, hoje devemos acrescentar ao seu lado a presença de duas magníficas escritoras, de diferentes gerações: Tatiana Ţîbuleac (Chisinau, Moldávia, 1978), com dois excelentes e poderosos romances, e uma das mais populares e famosas escritoras, tanto no seu país como no estrangeiro, Gabriela Adameșteanu (Targu Ocna, 1942), magistral dissecadora dos anos do comunismo na Romênia.¹ Um tema, os anos cinzentos e sombrios do comunismo na Romênia até a libertação, que também se repete na nova obra agora publicada por Cărtărescu, o terceiro volume de seu prodigioso ciclo Orbitor (Cegador), que consiste em A ala esquerda , O corpo e o agora e deslumbrante A ala direita ², cujo pano de fundo, entre tantos outros fascinantes que sempre se sobrepõem na história deste ...

Um homem só, de Christopher Isherwood

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Por Pedro Fernandes Christopher Isherwood. Foto: Michael Childers   Depois das experiências romanescas de Virginia Woolf e de James Joyce, multiplicaram-se os romances que se utilizam de uma narração cujo tratamento de dilatamento do tempo se mostra propícia ao testemunho sobre as experiências comuns de uma circunstância ou um dia corriqueiro na vida de uma personagem trivial à maneira de evidenciar simbolicamente toda uma existência. De alguma maneira, Um homem só , de Christopher Isherwood dialoga, chamemos assim, com essa tradição, uma vez acompanharmos um dia na vida de George, tempos depois de quando recebe a notícia sobre a morte trágica de Jim, com quem estabeleceu longos anos de convívio.   Como nos outros casos reconhecidos na literatura, por entre o itinerário que se inicia com o despertar de George e finda com a hora de dormir, passa-se a rotina recorrente na vida dessa personagem, seu trabalho como professor, as trivialidades exercidas por qualquer pessoa e os enco...

A herança de Rilke

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Por José Filadelfo García Gutiérrez Rainer Maria Rilke, em seu escritório, por volta de 1905. Fine Art Images/ Heritage Images   Rainer Maria Rilke começou a escrever as Elegias de Duíno em 21 de janeiro de 1912 e as concluiu dez anos depois, às 18h de 11 de fevereiro de 1922. Imediatamente após terminar a décima elegia, ele escreveu uma carta à amiga e sua protetora, a princesa Maria von Thurn und Taxis: “minha mão ainda está tremendo”. Ao longo dessa década, houve um silêncio poético, que durou de 1916 a 1921, que nada mais foi do que um longo processo de reflexão entre a inquietação pela aridez criativa e a espera pela descoberta que unisse, poeticamente, o que já havia sido resolvido dentro do poeta. Para Eustaquio Barjau, Rilke “já sabia há muito tempo em que consistiria sua decalogia”. Para o futuro das Elegias , são utilizadas as notas e rascunhos de cartas que o poeta de Praga, peregrino de mansões e castelos, escreveu no início de 1921, e que intitulou de O testament...

Labirintos entre idiotas: Hans Magnus Enzensberger

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Por Hugo Alfredo Hinojosa Hans Magnus Enzensberger. Foto: Barbara Klemm   No início do século XXI, Hans Magnus Enzensberger, o poeta e filósofo alemão, galardoado com o Prêmio Príncipe das Astúrias em 2002, era uma figura ativa nos meios sociais do seu país e da Europa, uma celebridade pensante vilipendiada pelos intelectuais puritanos, para quem o reconhecimento público é degradante. Alguns de meus professores se referiam ao escritor com desdém: “um vendido ao capitalismo”, “traidor dos ideais socialistas aprendidos em Cuba”, “falhou no projeto de reunificação da Alemanha em 68”, declaravam, “sua teoria do novo homem (livre) foi um fiasco.” Nunca compreendi a falha moral do filósofo e reflito, sem medo de mal-entendidos, que o problema cardinal do ensino da filosofia (as humanidades e as ciências sociais) reside na transmissão dos ressentimentos de classe dos professores aos alunos; a filosofia é tomada como instrumento para toda doutrina grosseira, um grande equívoco devido às li...

My beloved Sterne: a sabedoria do Tristram Shandy

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Por Pablo Sol Mora Staircase Group (Portrait of Raphaelle Peale and Titian Ramsay Peale I) 1795 Charles Willson Peale.   Em minha biografia de leitor de romances, a descoberta do Tristram Shandy foi um marco tão importante quanto a do Quixote ou A consciência de Zeno (de fato, um mesmo espírito cômico une os três romances). Por vezes ocorre que, ainda que não tenhamos lido um determinado autor, pelo que ouvimos falar dele e o que aprendemos aqui e ali, pressentimos a partilha de certas afinidades, e, quando enfim o lemos, felizmente confirmamos nossas expectativas. Foi isso que se passou comigo com relação a Sterne. Eu sabia o que era o Tristram e tinha noção de sua natureza lúdica e humorística, sabia que certamente gostaria dele quando o lesse (já havia lido a Viagem sentimental , na tradução de Alfonso Reyes); ainda assim, não podia antecipar por completo o assombro e o prazer que sua leitura me causaria.   Meu Tristram é o traduzido por Javier Marías, reeditado pela A...

Boletim Letras 360º #511

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DO EDITOR   1. Caro leitor, continuam abertas as inscrições para o clube de apoios ao Letras no mês de dezembro. Esperamos realizar o sorteio no dia 17. Disponibilizamos quatro livros e queremos sortear quatro leitores: a edição de luxo da Ed.ufpa com os poemas inéditos de Max Martins  Say it (over and over again) ;  Mobiliário para uma fuga em massa , de Marana Borges (Dublinense); a edição especial de  Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago (Companhia das Letras); e Sátántangó , de László Krasznahorkai (Companhia das Letras).   2. Para participar é simples: colabora com R$20 e depois entrega o comprovante via blogletras@yahoo.com.br — este e-mail é também a chave do PIX. Para mais detalhes visite aqui ou escreva para o Letras .   3. Outra forma permanente de ajudar ao Letras  com o pagamento das despesas anuais de domínio e hospedagem na web  é na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim: você pode gar...