A arte do romance, de Milan Kundera

Por Pedro Fernandes


Arquitetado em sete partes - número que, aliás, para Milan Kundera parece ter um significado de grande importância, ainda que inconscientemente (ver nesse livro a entrevista-ensaio "Diálogos sobre a arte da composição") - trata-se do primeiro livro do autor no gênero do ensaio. Escrito em 1986, ano passado a editora brasileira Companhia das Letras o reeditou na coleção Companhia de Bolso (imagem).

A arte do romance vem de quem, ao meu ver, melhor pode falar sobre o romance, assim como o poeta, que digo sempre, ser o melhor para falar sobre a poesia (e lembro aqui das falas de Maria Teresa Horta, Gastão Cruz, Ana Luísa Amaral, entre outras que já tive privilégio de ouvir). É bem verdade que Kundera e os nomes citados pertencem a outra esfera de escritores; são nomes que, além da vivência com a palavra, têm um interesse em compreender o campo teórico que o circunda.

Sem qualquer perspectiva de esboçar um texto mais desenvolvido sobre o livro, destaco aqueles textos que, na minha leitura, constituem o bom desse conjunto de experiências ensaísticas propostas pelo autor de A insustentável leveza do ser: "A herança depreciada de Cervantes", "Diálogo sobre a arte do romance" e "Em algum lugar do passado". Esses três textos são indispensáveis a qualquer leitor que tenha seus afetos pelo romance contemporâneo, porque tratam, de maneira muito simples, da materialidade estética e conteudística da prosa romanesca nessa época dos "paradoxos terminais" para usar do termo cunhado pelo romancista.


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