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O monstruoso na literatura de Aurora Venturini

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Por Gabriella Kelmer Aurora Venturini. Foto: Claudia Bernaldo de Quirós   Publicados no Brasil pela Fósforo, com tradução de Mariana Sanchez, os romances As primas e Nós, os Caserta têm muito em comum. Este último — publicado inicialmente na década de 1960, depois reeditado em 1992 — tem a senioridade, tendo sido o ponto de inflexão em que talvez se tenha estabelecido, para a jovem Aurora Venturini, o espaço literário que a interessava ocupar. Entretanto, é sua literatura verdadeiramente descoberta na Argentina deste século apenas em 2007, por meio da vitória de As primas no prêmio Nova Novela do jornal Página/12 . Enfim, aos 85 anos, depois de décadas de uma imerecida desatenção do público, tornou-se, por uma radicalidade surpreendente no tratamento estético dado a temáticas pouco frequentes na literatura, uma escritora celebrada.   Fosse-me dado um único qualificador para a literatura da argentina, nas duas obras referidas, escolheria desconcertante. Não habitam em ...

Uma grafomaníaca secreta

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Por Ana Llurba Aurora Venturini. Foto: Nora Lezano   Aurora Venturini (1922 - 2015) foi uma escritora secreta, ou quase despercebida por muito tempo. Publicou por conta própria e em pequenas editoras antes de ganhar um prêmio destinado a obras novas e inovadores. Foi amiga de Evita, dividiu apartamento com Violette Leduc e passeou por Paris, onde morou por 20 anos, com Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.   Sob o pseudônimo de Beatriz Portinari (em homenagem à famosa florentina idealizada por Dante), ela contou a história de Yuna Riglos, uma artista precoce com uma leve deficiência mental, numa prosa desenfreada em que se desenvolvem com franqueza perversa os segredos macabros e intimidades de uma família de classe média baixa na Argentina dos anos 1940. O romance se chamava As primas .   Um júri formado por escritores como Rodrigo Fresán, Alan Pauls e Guillermo Saccomano, entre outros, deu atenção a essa voz radical que vinha de um original datilografado com marcas d...