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Um homem só, de Christopher Isherwood

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Por Pedro Fernandes Christopher Isherwood. Foto: Michael Childers   Depois das experiências romanescas de Virginia Woolf e de James Joyce, multiplicaram-se os romances que se utilizam de uma narração cujo tratamento de dilatamento do tempo se mostra propícia ao testemunho sobre as experiências comuns de uma circunstância ou um dia corriqueiro na vida de uma personagem trivial à maneira de evidenciar simbolicamente toda uma existência. De alguma maneira, Um homem só , de Christopher Isherwood dialoga, chamemos assim, com essa tradição, uma vez acompanharmos um dia na vida de George, tempos depois de quando recebe a notícia sobre a morte trágica de Jim, com quem estabeleceu longos anos de convívio.   Como nos outros casos reconhecidos na literatura, por entre o itinerário que se inicia com o despertar de George e finda com a hora de dormir, passa-se a rotina recorrente na vida dessa personagem, seu trabalho como professor, as trivialidades exercidas por qualquer pessoa e os enco...

Um homem só, de Christopher Isherwood

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Por Sérgio Linard Christopher Isherwood. Foto: Cynthia Gould.   Quando temos algum amigo, conhecido ou, também, quando estamos passando por uma fase melancólica da vida, seja por perda seja por ruptura, adotamos o espaço comum que prontamente anuncia: o tempo há de curar. Esse eterno e constante fator na vida de todos está sempre associado a um remédio para as fases ruins e/ ou desagradáveis pelas quais passamos, de modo que parece ser um resultado esperado para essa perspectiva o de que tudo aquilo que sobreviva a este incontornável tempo é bom, melhor ou “tinha de ser”.   Nas artes isso não se comporta de forma tão distinta. É também um lugar comum aquele em que se constata que uma obra artística de qualidade só merece esta alcunha se tiver, necessariamente, sobrevivido ao tempo. “Veja só, Machado de Assis escreveu há um bom tempo e permanece atual”, “Dante Alighieri, autor de uma obra prima, dialoga conosco até hoje, mesmo depois de tanto tempo .” Nas rodas de leitores, ...

Christopher Isherwood, a memória alegre

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Por Manuel Hidalgo Christopher Isherwood. Foto: Peter Schlesinger.   Os gêneros literários, como se sabe, não se configuram segundo a sexualidade, hétero ou homossexual, dos escritores, embora se fale da literatura gay ou da poesia sáfica, o que seria, antes, identificar rótulos de uma predileção temática, obviamente ligada à um ponto de vista que sem dúvida parte de identidades outras.   Uma certa classificação de Christopher Isherwood (1904-1986) — e de outros — como autor gay tem muito a ver, é claro, com a ênfase das manifestações literárias e pessoais do escritor britânico em relação à sua sexualidade. Não apenas seu olhar e conteúdo homossexual são explícitos em seus livros, mas ele foi um dos primeiros escritores do século XX a reconhecer publicamente sua posição sexual em entrevistas, em militar abertamente a favor dela e, isso é importante, em dotar seus livros de uma farta e franca carga autobiográfica relacionada às suas experiências sexuais. Sem pertencer orig...