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José J Veiga

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Puro encantamento. Assim poderíamos designar a literatura de José J. Veiga. Uma vez enredado pela correnteza simples da sua escrita, é difícil largá-la. Mas, não é uma mera literatura de entretenimento. Encontra-se entranhada de uma reflexão crítica sobre o contexto histórico, político e social de seu país. De modo que, o exercício escritural zela pelo efeito formal da alegoria, isto é, dedica-se a contar uma situação com o intuito de denunciar outra. Essa combinação não é coisa fácil, daí que nesse procedimento, é a própria escrita que se afasta do tipo trivial da literatura de entretenimento. Isto é, a simplicidade não deve ser confundida facilidade; e talvez, encontremos nesse confusão aquilo que fez com que a obra de Veiga não esteja ao alcance do leitor mais refinado. Processo que culmina desmerecidamente com o esquecimento do grande público. Saibam desde já, entretanto, que esse escritor é autor de alguns dos títulos indispensáveis para o conhecimento sobre a diversidade d...

Os Cavalinhos de Platiplanto, de José J. Veiga

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Por Leila D. P. do Amaral José J. Veiga nasceu em 20 de fevereiro de 1915, em uma fazenda localizada entre os municípios de Corumbá de Goiás e Pirinópolis. O contato com a literatura aconteceu cedo. Ainda menino, leu todos os clássicos brasileiros e portugueses que o Gabinete Goiano de Leitura possuía em seus arquivos. Mais tarde, entrou em contato com autores estrangeiros e um, especificamente, Franz Kafka, marcou-o profundamente. Veiga se apaixonou pela obra desse escritor tcheco e, a exemplo dele, criou histórias em que a realidade aparece transfigurada. A estréia na literatura aconteceu em 1958, com a edição dos contos reunidos em Os Cavalinhos de Platiplanto , um livro sobre memórias de infância. Assis Brasil destacou em entrevista que “para José J. Veiga, o mundo é que está em face do homem, assim como a sociedade. O homem não é complexo, tem suas pequeninas normas de vida, sua conduta preestabelecida, é simples e despretensioso – o mundo e a sociedade é que o achac...

Enigma e sedução em A Hora dos Ruminantes: a originalidade de José J. Veiga

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Por Leila D. P. do Amaral A obra de José J. Veiga abre-se a uma multiplicidade de vozes – do historiador, do cientista social, do crítico literário etc. Lendo-a, somos convidados a uma participação ativa, a um processo de conhecimento e reconhecimento das realidades vividas pelos seus personagens. Ao criar um ambiente de mistério e de perplexidade, sua obra nos instabiliza para uma dimensão interrogativa, para uma atitude de rebelião. Já não queremos ser apenas leitores. O impulso provocado por ela é no sentido de sermos autores da escrita de nossa própria existência, reconhecendo os condicionantes objetivos e subjetivos para a realização da mesma. Na verdade, José J. Veiga é, se considerarmos que a linguagem é a fundadora da cultura e da sociedade e, portanto, da própria ciência, o escritor, o artesão da literatura, e, de certa forma, “um homem de ciência”. O local e o universal se dispõem, se compõem e se recompõem no artesanato literário da obra de Veiga. Penet...