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Mostrando postagens com o rótulo Mario Benedetti

A trégua, de Mario Benedetti

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Por Pedro Fernandes                                                                          Mario Benedetti. Foto: Eduardo Longoni Numa das entradas para o breve diário cultivado às vésperas de sua aposentadoria, Martín Santomé, ao refletir sobre a vida e sua descontinuidade, tece uma leitura sobre uma dessas frases que pela força do hábito são tornadas em expressão de efeito e esta é quase-sempre utilizada no interstício entre a vida ativa, baseada na rotina do trabalho contínuo, e a vida posterior a esse tempo: “Mas o senhor é ainda um homem jovem!” O narrador se concentra no termo em destaque, se questiona sobre a quantidade de anos que lhe restam e sobre a angustiosa sensação de que a vida lhe corre agora agressiva e rapidamente para o fim. “Porque a vida são muitas coisas (trabalho, dinheiro, sorte...

Mario Benedetti, o escritor das classes médias

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Por Danubio Torres Fierro   Duas características definiram Mario Benedetti (1920-2009). A primeira: foi um escritor de (e para) as classes médias. A segunda: foi um escritor marcado por um compromisso ideológico. As consequências de tais características também foram duplas. Por um lado, sua difusão entre um público sociologicamente enraizado nos setores nos quais se localizam as donas-de-casa, os profissionais “liberais” (dentistas, escrivães, burocratas), alunos de ensino médio, talvez um atleta e também certos revolucionários sentimentais. Por outro lado, seu espírito literário sucumbiu a uma prosa catequética e a uma eficácia emotiva superficial que afastou a reflexão crítica e abriu caminho para um sistema de cumplicidades.   Batizar Benedetti, como foi feito e continua se fazendo, como escritor popular, é mais uma imprecisão destes tempos imprecisos. Desde seus primeiros contos e poemas, surgidos nos anos cinquenta, almejou (e optou) retratar a arqueologia de algumas clas...

Mario Benedetti: cem anos

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Por Mario Vargas Llosa Embora fôssemos bons amigos, não me lembro quando conheci Mario Benedetti. Provavelmente a primeira vez que fui ao Uruguai, em 1966: uma viagem maravilhosa em que descobri que um país da América Latina pode ser tão civilizado, democrático e moderno quanto a Suíça ou a Suécia. Nas ruas de Montevidéu havia cartazes anunciando um Congresso do Partido Comunista e os jornais ― El País , La Mañana , Marcha ― eram muito bem escritos e melhor diagramados, o teatro era soberbo, as livrarias eram formidáveis, a liberdade respirava-se por toda parte sem viseiras.  Aquele pequenino país tinha uma vida cultural de primeira ordem e, se pudéssemos pagar, em Linardi e Risso encontrávamos todas as primeiras edições de Borges. Já havia feito palestras para pequenas plateias, mas na Universidade de Montevidéu, onde fui levado por José Pedro Díaz, falei sobre literatura diante de um público que lotou o auditório, o que me surpreendeu.   Se foi então que nos conhecíamos, eu...

Mario Benedetti

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Mario Benedetti nasceu no dia 14 de setembro de 1920 na cidade uruguaia Paso de los Toros. Foi onde seus pais Brenno e Matilde se apaixonaram, à margem do Rio Negro; eles eram de origem italiana, como se pode adivinhar pelos nomes. Presos às suas tradições, decidiram batizar o primogênito com o nome de cinco gerações: Mario Orlando Hardy Hamlet Brenno Benedetti Farrugia. Depois se mudaram; primeiro para o município onde já viviam, Tacuarembó, e em seguida para Montevidéu. Seu pai era farmacêutico, mas a fortuna da família desmoronou quando foi roubado de um negócio; quando Mario chega à capital do país tem quatro anos de idade. Benedetti recorda que sua mãe teve que vender toda a louça e prataria da família, e os três moraram num barraco por vários anos, até que seu pai, como um grande número de outros uruguaios, conseguiu encontrar um emprego como funcionário público. Na capital do país nasceu o irmão Raúl, começou seus estudos primários na Duetsche Schule. Ap...