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Cosmópolis, de David Cronenberg

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Por Pedro Fernandes O mundo numa limusine. Em Cosmópolis  o carro é a figura de uma ilha itinerante que se confunde com a própria personagem vivida por Robert Pattinson (foto). Há vários critérios para enquadrar um filme ou livro na sessão Cult. O melhor deles, e vou listar aqui um que certamente não está entre os da ficha da crítica especializada, não com esta definição, parece ser o soco mental. São as produções que desafiam o telespectador ou o leitor, as que o levam a pensar, as que melhor se enquadram nesse critério. Cosmópolis está entre esses títulos. Faço um curto parêntesis para tocar no título A árvore da vida , filme de 2011, que assisti uma vez em casa aos trancos e barrancos entre o estágio de sonolência e o televisor e ficou para uma revisitação que até hoje não fiz. Não é que para ser Cult tenha de ser maçante. Mas é para apenas recortar o estágio comum que pude verificar entre uma plateia inquieta e desprevenida para o filme David Cronenberg: no iníc...

Uma nova face de Alexandre Dumas

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Dumas, já todos sabemos, está entre clássicos como Dante, Cervantes, Shakespeare, Balzac. Destaca-se entre os citados como um dos pilares do gênero romance de aventuras. Produziu vários artigos para revistas e peças de teatro. O que terá lhe dado a celebridade, pelo que já enunciamos, não foi portanto, essas publicações, mas grandes trabalhos com Os três mosqueteiros , já adaptado ao cinema inúmeras vezes, O conde de Monte Cristo , também já encenado nas grandes telas, O quebra-nozes , que mais tarde foi adaptado para o balé por Tchaikovsky, entre outros. Mestre do folhetim – teve sorte de seu trabalho profissional se situar justamente no tempo áureo do gênero – Dumas, assim como Balzac, foi sempre um dos mais requisitados autores. Foi um escritor de vida intensa, mas não é sobre a sua vida que iremos tratar neste texto. O motivo é para falar de uma face, diríamos, até desconhecida de leitores assíduos da obra do francês. É certo que um escritor de folhetins, assim tão requis...

Oscar Wilde em 20 frases

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Oscar Wilde está entre os escritores mais (bem ou mal) citados na web . Os aforismos do escritor inglês ganham cada vez mais força e forma diversa. Mas, será que o que aí circula é mesmo do escritor? Há sempre os que escrevem e atribuem a um nome famoso, há ainda quem pegue a frase de outro escritor e diga que é Wilde, ou de uma obra literária fazendo sua a expressão de um personagem.  O nem sempre fácil na era da pressa é ler e sempre consultar a literatura do escritor, porque se existe uma coisa antiética no universo da literatura, é que dizer que um escritor não disse. Talvez pensando nisso, tenham surgido obras em que os recortes são o conteúdo. Aqui está um exemplo: recolhemos algumas frases do autor de O retrato de Dorian Gray que estão reunidas num livreto recém-publicado pela Editora Sextante chamado  Oscar Wilde para inquietos .     * Às vezes, podemos passar anos sem viver em absoluto, e de repente toda a nossa vida se con...

A vela de cera, o inédito de Hans Christian Andersen

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O manuscrito descoberto depois de dois meses de estudo é mesmo de Hans Christian Andersen. O texto agora é o primeiro escrito do autor. Deve ter sido produzido quando ele tinha ainda 18 anos. No passado dia 16 de dezembro de 12 divulgamos página do Letras no Facebook a notícia da possível descoberta de um inédito de Hans Christian Andersen. Então, ontem, 23/12, em matéria no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo , a confirmação: é sim um inédito do autor. A descoberta foi feita pelo historiador dinamarquês Esben Brage, um dos mais importantes especialistas na obra de Andersen, quando fazia uma pesquisa no arquivo público de Funen, em Odense, Dinamarca, terra natal do escritor. Depois de 15kg de papéis dos arquivos da família Plum, no fundo de uma caixa, um documento amarelado; dois meses de estudos depois, os especialistas deram a confirmação. O texto passa a ser agora o primeiro conto do autor de tantas histórias famosas que fizeram a infância de muita g...

Dos melhores de 2012

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As listas são símbolos do fim de ano. Há quem passe muito bem sem elas, e é caso nosso; mas, há os que não, seja porque a memória anda curta para enfileirar fatos, seja porque as próprias listas são inúmeras – a das benfeitoras, a dos erros, a das metas cumpridas, a das que ficaram por cumprir, a dos melhores momentos no trabalho, nos estudos, na diversão, os livros melhores do ano, os filmes de igual designação, os piores livros e filmes, e assim como a das boas músicas, a também das piores e, bem, haja lista.  Como se toda essa contabilidade fosse insuficiente vêm ainda as listas para lembrancinhas, para os presentes, os pessoais e os dos mais achegados, dos amigos secretos, um em casa, um no trabalho, outro não sei onde. É por esta razão última que aqui estamos, em pleno sábado, já atrasados como sempre, afinal, também nessa época do ano é costume tanto quanto o das listas deixar as coisas para próximo do fim.  Não é para marcar o que foi de melhor em 2012...

Alexandre O’Neill

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Há muitos poetas portugueses que precisam ser descobertos no Brasil. Como há muitos poetas brasileiros, certamente, que também precisam ser descobertos em Portugal. Não é o fato de interdependência literária; é o fato de intercâmbio literário. Porque, e disso muitos sabem, já apartamo-nos de determinados moldes europeus, inclusive o molde português, há algum tempo e temos um rico sistema literário, principalmente quando nos referimos à poesia. Mas, somos leitores de uma mesma língua e é inútil ampliar certo  apartheid  que parece vigorar entre os dois lados do Atlântico desde há algum tempo.    No passado 19 de dezembro, na página do Letras no Facebook, lembramos do aniversário de Alexandre O’Neill, nascido em 1924. Foi quando, pesquisando sobre sua biobibliografia, encontramo-nos com um poeta com vida integralmente dedicada ao fazer literário, ultrapassando, por todos os ângulos dos limites o gênero no qual mais destacou e no qual se iniciou, ainda em ...