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Ilustrações de Salvador Dalí para Romeu e Julieta, de Shakespeare

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Capa de arquivo extra para 10 ilustrações assinadas por Salvador Dalí para Romeu e Julieta  de W. Shakespeare (detalhe) Aqui, vimos construindo um verdadeiro arquivo de coisas boas produzidas por Salvador Dalí – sobretudo no território das artes plásticas: seus desenhos para a Divina Comédia , de Dante, para Alice no país das maravilhas , de Lewis Carroll, para o Dom Quixote , de Miguel de Cervantes. Semanas depois de uma matéria sobre a influência da obra de William Shakespeare para as artes plásticas , voltamos a este território e ao trabalho do pintor catalão para a obra do dramaturgo e poeta inglês. É sabido que Dalí produziu material para obras como Macbeth – sobre o qual falaremos em outra ocasião – mas também produziu a partir de Romeu e Julieta . O leitor que tiver um tanto de conhecimento da obra do autor de A persistência da memória logo cairá em sobressalto. Sim, porque todos os títulos que anunciamos anteriormente têm um quê da estética surrealista, ma...

Admirável mundo novo, de Aldous Huxley

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Por Pedro Fernandes A lista de títulos de Aldous Huxley publicados pela Biblioteca Azul – Selo da Globo Livros – é bastante considerável: Admirável mundo novo , Contos escolhidos , Contraponto , Os demônios de Loudun , Folhas inúteis , O gênio e a deusa , A ilha , O macaco e a essência , Moksha , As portas da percepção , Céu e inferno , Sem olhos em Gaza , A situação humana , O tempo deve parar e Também o cisne morre ; apresentados aqui não por ordem de publicação, mas por ordem alfabética. É bastante considerável se pensarmos que há importantes nomes estrangeiros com pouca ou nenhuma circulação por aqui. Do Aldous, quem dera podermos alcançar aqui a leitura de, pelo menos, todos esses títulos. Sim, porque, a obra do escritor inglês permanece espantosamente tão ou mais atual de quando sua aparição a partir da década de 1920, quando o mundo ainda vivia com certo encantamento o prodígio das máquinas. E ainda vive, talvez até mais. Não é isso que justifica o encantamento das p...

O Bruxo de Casa Forte: Machado no esplendor da sua complexidade

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Por Alfredo Monte Houve uma grita geral nos últimos dias por conta do projeto (financiado com dinheiro público) de “descomplicar Machado de Assis”, alterando seu vocabulário (a responsável, Patricia Secco, diz entender “porque os jovens não gostam dele”: “seus livros têm cinco ou seis palavras que não entendem [sic] por frase. As construções são muito longas”), e cujo primeiro título sairá em breve ( O Alienista ). De minha parte, só posso evocar o jovem leitor que fui: quando o texto me interessava, não eram palavras que eu não entendia que brecariam a leitura, mesmo sem dicionário à mão. Ia em frente, simplesmente, e isso não me fez mal nenhum, quero crer¹. O contraponto mais adequado a essa visão míope do que seria “adequado” para jovens ou neoleitores é Machado devolvido a todo o esplendor de sua complexidade, e no melhor da sua obra (na contramão da preocupante hipervalorização da sua produção secundária — as crônicas, em especial), efeito final do mergulho (são q...

Um cine-poesia sobre Fernando Pessoa

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Se o poeta português deixou uma das obras mais extensas da literatura portuguesa – dizemos isso pensando no exercício poético a partir da heteronímia e da leva de produções que, vez ou outro irrompem como inédito nos diários de cultura – deixou também um imaginário diverso e possível de exploração igualmente diversa. E não têm sido poucos os motivos de criação artística em torno de sua literatura, ampliando, assim, o que poderíamos dizer de uma “galáxia pessoana”. Dentre esses exercícios criativos, um tem ganhado forma nos últimos anos, que é a relação poesia e cinema. A sétima arte sempre se atreveu a tratar das adaptações de romances ou textos narrativos em geral. A estrutura justifica o apreço da forma. Com o aparecimento do que hoje chamamos de cinema-arte, os olhares das câmeras não se deixam seduzir apenas pelo conteúdo prosaico. E há poemas, diga-se, depois do desmantelamento das estruturas fechadas pela atitude modernista, que figuram mesmo como verdadeiras narrati...

Véspera da água, de Eugénio de Andrade

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Por  Pedro Belo Clara Voltamos ao universo eugeniano com o intuito de abordar a obra que, em conjunto com outras editadas em anos relativamente próximos, por muitos é considerada um dos pilares centrais da mais amadurecida fase poética deste destacado autor. Publicada em 1973, Véspera da água é um livro que desenvolve as intenções poéticas sugeridas por Ostinato Rigore (1964) e Obscuro Domínio (1971), partilhando com os mesmos não só determinados preceitos comuns à temática de Eugénio como, de igual modo, fomenta a evolução dos mesmos. Por isso, poder-se-á dizer que este trabalho representa uma tentativa continuada de aperfeiçoamento de formas, estilos e temas. De facto, se nos familiarizarmos com os anteriores volumes publicados, iremos não só verificar a habitualmente depurada e translúcida imagem poética (ou a frugal raiz do vocabulário de sempre, embora cada vez mais rico e empregado em verso seguro), como também significativas mudanças ao nível do uso da ...

Boletim Letras 360 #64

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Mario Quintana e as muitas andanças por quartos de hotel. Foto de Dulce Helfer. Veja mais notícias sobre as fotos de Helfer ao longo deste boletim. Semana de possível estreia. Semana de intenso movimento no blog Letras in.verso e re.verso. Isso aqui vai, camaradas, de vento em popa. Só temos, nada mais a dizer além do que já dissemos, obrigado a todos que contribuem para o alargamento dessas fronteiras. Uma pausa por aqui, só por um fim de semana, como de costume, mas nos bastidores é tudo agitação: preparação de material para a semana que vem e, claro, conteúdo em constante atualização em nossas redes sociais. Para não perder cada lance vale acompanhar-nos clicando nos links no fim deste boletim. E, falando em redes sociais, vamos ao que foi notícia em nossa página no Facebook? Olhem só: Segunda-feira, 05/05 >>> Portugal: Jogar baralho Fernando Pessoa São 53 cartas de baralho com excertos de poemas, baseadas em fotogramas criados expressamente para o ef...