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Boletim Letras 360º #82

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Dedicatória de Carlos Drummond de Andrade a José Mindlin. A EDUSP apresentou uma edição que recolhe as mais significativas dedicatórias oferecidas ao bibliófilo. Saiba mais ao longo deste Boletim.  Alcançamos mais uma semana: a novidade é que despachamos os últimos livros que faltavam ser entregues e no domingo cumpriremos mais uma dívida: faremos o tão esperado sorteio entre os seguidores do blog no Twitter (@Letrasinverso) Enquanto não chega o domingo, fiquemos com o que foi notícia durante a semana em nosso mural do Facebook. Segunda-feira, 08/09 >>> Brasil: Nova edição de David Copperfield Aos 164 anos da primeira edição, a Cosac Naify apresenta uma nova edição com tradução também nova para uma das obras máximas da literatura de Charles Dickens. Além do romance o livro traz textos de Sandra Vasconcellos, Jerome Buckley e Virginia Woolf, mais reprodução de manuscritos. >>> Brasil: Mais ficção científica na biblioteca dos brasileiros T...

Minha pequena agenda política literária

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Por Rafael Kafka Por esses dias, li um texto de Antonio Candido muito interessante do ponto de vista de se defender uma visão política engajada em promover a difusão da literatura e da arte em geral. Tal texto que pode facilmente ser encontrado na internet ou no livro Vários Ensaios chama-se “Direito à Literatura” e nele Candido propõe uma bela reflexão acerca da defesa dos direitos humanos e da literatura enquanto um direito de tal tipo. O pequeno ensaio se mostra extremamente atual, mesmo tendo sido escrito há algumas décadas, pois vivemos numa época na qual os “cidadãos de bem” vivem a proferir discursos espumosos de raiva e ódio nos quais os direitos humanos são vistos como algo que deve ser dado somente aos humanos direitos. Candido mostra que defender os direitos humanos é, acima de tudo, entender o outro como um ser. Isso pode parecer óbvio demais, mas se vermos as notícias de jornais policiais e os discursos de certos “jornalistas” veremos que o homem o qual com...

A carta em que Guimarães Rosa revela os bastidores de Sagarana

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É tateando que sabe algum pormenor ou se tem acesso a algum arquivo melhor legível sobre o homem João Guimarães Rosa. Seus herdeiros têm imposto um rígido controle sobre os arquivos do escritor, o que, se em parte ajuda a preservação de uma ideia mais ou menos coerente sua, em parte mais atrapalha a visão mais ampla e que não se dê pela suposição biográfica a partir da obra, erro crasso, aliás.  No interior dos instrumentos de controle, aparece em 1983 pela mão da própria filha, Vilma, o livro Relembramentos: João Guimarães Rosa, meu pai , que vai para sua terceira edição; como descreveu a jornalista Marilene Felinto, da Folha de São Paulo , "é um relato entremeado de cartas do autor para seus parentes, de discursos seus e de apresentações, aulas, entrevistas e palestras conferidas pela própria Vilma sobre a obra de seu pai". Mas, ainda citamos a própria Marilene, "acrescenta poucos fatos ao que já se conhece sobre a vida do médico, ...

Franco versus Faulkner

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James Franco em O som e a fúria Há alguns anos James Franco advertiu que, apesar de ter tudo na vida, sentia um vazio interior. Havia atuado nos maiores sucessos de público e nomeado ao Oscar, mas necessitava de algo mais. “Queria expressar-me de outra maneira”, completa depois de apresentar seu novo filme como diretor, uma adaptação de O som e a fúria de William Faulkner, apresentada fora da competição na Mostra de Veneza. “Por exemplo, meu sonho era interpretar um poeta, mas um dia entendi que ninguém me proporia esses papeis. Compreendi que teria que fazê-lo eu mesmo”, assinalou.    O romance escolhido pelo ator, filho de uma professora de Literatura e autora de livros infantis, não era a mais simples que podia adaptar. Sem ir mais longe, O som e a fúria é célebre por sua dificuldade entre os estudantes estadunidenses que quebram a cabeça para entender seu primeiro capítulo narrado em estilo indireto livre por Benjy, a criança deficiente da família dos Compso...

Adolfo Bioy Casares e as mulheres

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Por Alejandra Rodriguez Ballester À direita, Elenita e Bioy Casares; à esquerda, Octavio Paz e sua companheira Elena Garro; Bioy teve um caso com ela. “Escrevi um romance, um conto, ‘El jardín de los sueños’, e agora um segundo conto: um e outro, Deus meu, tratam de fugas. Não me parece improvável que em breve me converta em fugitivo”. Bioy escrevia isto em 1969 à sua amante, a escritora mexicana Elena Garro, que, como tantas outras, havia pedido que fugisse com ela. À diferença de Borges, a quem Bioy descreve como perpetuamente enamorado e sistematicamente frustrado em suas intenções, na vida do autor de Diário da guerra do porco a relação com as mulheres parece ter sido intensíssima e feliz, além de pouco convencional, desde a enigmática relação com Silvina Ocampo até os vários triângulos que a discreta indiscrição de Bioy deixou transparecer. E se, em sua literatura foi um cultor, junto com seu amigo e mestre, da “arte deliberada” e das tramas perfeitas, o pes...

Um inverno memorável

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Por Anibal Jarkowski Com um pouco de boa vontade – e considerando as impensáveis consequências que pode resultar o encontro de escritores amigos – a breve temporada que Mary Shelley passou em 1816, frente ao Lago de Genebra, em companhia de seu companheiro Percy Shelley, Byron e alguns outros hóspedes menos notáveis, que daria origem à escrita de Frankenstein , tem sua relembrança na semana de inverno que Bioy e Borges passaram em 1935 ou 1936 no Rincón Viejo, a estância situada na localidade de Pardo, em Las Flores, que os Bioy herdaram desde sua construção, em meados do século XIX. Na época a casa já estava meio em ruínas, de modo que os amigos para proteger-se do frio e sem qualquer cuidado se trancaram na sala de jantar e, enquanto alimentavam a chaminé com galhos de eucalipto e se aqueciam tomando cacau planejaram três textos muito diversos entre si, mas cujas repercussões, dizendo borgeanamente, foram incalculáveis. As mais valiosas e evidentes dessas repercus...