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Boletim Letras 360º #94

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Preparamo-nos para mais um aniversário da escritora Clarice Lispector. Hora de Clarice, o evento que assinala a data já está todo pronto. Mais detalhes do programa de 2014 ao longo deste boletim Uma semana a mais no calendário do Letras. Anunciamos que para breve deveremos fazer uma pequena pausa por aqui. Mas, até lá, ainda teremos muitas novidades que contar. E nem deixaremos nossos leitores sozinhos nas férias. Sempre inventamos coisas que vocês nem dão pela nossa falta. Esperem só, para ver. Enquanto isso, mais um boletim com aquilo que foi notícia durante a semana em nossa páginas do Facebook.    Segunda-feira, 01/12 >>> França: Descoberto o último exemplar da primeira edição das peças de William Shakespeare Mr. William Shakespeares Comedies, Histories, & Tragedies  é a primeira coleção que reúne as peças teatrais de Shakespeare. Os estudiosos modernos costumam referir-se a ela como First Folio. Até então eram conhecidos apenas ...

Sade, o animal que habita em nós

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Por Jesús Ferrero Ilustração: Mary Evans. Marquês de Sade. Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como o marquês de Sade, nasceu em 1740. Era pleno Século das Luzes, e teve a honra de ser perseguido tanto pelo Antigo Regime como pela Assembleia Revolucionária. Dizendo em outras palavras: nenhum sistema podia assimilá-lo, e apenas o passar do tempo e a mudança de atitudes morais e filosóficas hão permitindo que toda sua obra saia à luz. Embora, ainda hoje não seja fácil julgá-lo. Dependendo do prisma pelo qual se olhe, pode ver-se também como alguém que levou ao limite do possível o espírito dissoluto e despótico da aristocracia do Ancien Régime. Talvez, ambas tendências conformam uma unidade dialética inseparável de sua figura, e talvez, as duas tenham razão, ainda que, só parcialmente. Embora em sua obra apareça com muita frequência a figura do verdugo em atos descritos com frieza e distância, o certo é que passou boa parte de sua vida em cárceres e ...

Interestelar, de Christopher Nolan

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Até então o filme mais recente de ficção científica que terá cumprido um belo retorno à forma terá sido Gravidade , de Alfonso Cuarón. Mas, a nova safra, se assim podemos enumerar, acaba de receber outro título tão ou mais poderoso que o filme do cineasta mexicano. A constatação não é gratuita: Interestelar é a produção mais ambiciosa de Christopher Nolan que traz no currículo outros magistrais feitos como a trilogia O cavaleiro das trevas e A origem . Um filme extenso e intenso que se apresenta como uma releitura em forma de homenagem a outros clássicos do gênero. Sem ser muito inventivo, mas sem escapar de tentativas bem sucedidas como a ideia de representação dobrada do tempo da ação. O cineasta não terá descoberto os enigmas do tempo que a Física desde Einstein tem se dedicado a explicar, mas conseguiu, certamente, introduzir outras possibilidades de representação através das câmeras. Isso sem cair na ideia de tempo fragmentário ou de trajetória circular. Nolan ...

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

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Por Pedro Fernandes Pode-se ler O filho de mil homens como um extenso e complexo quebra-cabeça. Não é o caso  de o leitor se deparar com uma narrativa em peças e tenha que, ao longo do itinerário construir cerzidos para lhe dar forma. É mesmo o labirinto ora previsível ora parecido coisa do acaso construído à base de um conjunto diverso de narrativas amparadas pela dorsal de uma personagem específica que leríamos como protagonista do romance. Crisóstomo é um homem sozinho que chegou aos quarenta anos sem qualquer tipo de família (também não ficamos sabedores do motivo dessa solidão); para não dizer que é um só no mundo há um boneco de pano que lhe divide os dias entre a pesca e a companhia. Desde já não há possibilidades de fugir da compreensão de que essa é uma personagem signo do indivíduo contemporâneo, cada vez mais disposto a enfrentar a existência numa redoma quase privada ou quando muito acompanhado por uma pequena quantidade diversa de outras exis...

Um mistério a mais para a obra de William Shakespeare

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A biblioteca de Saint-Omer, no norte da França, descobriu tem poucos dias que albergava, sem que ninguém tivesse dado conta em 400 anos, um exemplar de um dos livros mais importantes e valiosos da  história da cultura ocidental: um  First Folio , como é chamado a primeira edição das obras de Shakespeare. A identificação desta cópia, até agora desconhecida, será um motivo de celebração nacional entre os estudiosos da obra do bardo inglês. A descoberta volta a colocar no centro do debate o livro publicado em 1623 e que reúne 36 das 38 obras conhecidas do dramaturgo e como tudo que rodeia sua biografia, é uma obra que está cercada de perguntas até então sem respostas. Nunca foi encontrado nenhum manuscrito original de Shakespeare - apenas 14 palavras que julgam os especialistas foram escritas por seu próprio punho; dessas, seis são assinaturas em que, cada uma apresenta seu nome escrito de uma maneira diferente. Da mesma maneira também existem poucas imagens verdadeir...

Noutros rostos, de Filipe Marinheiro

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Os que se aventurarem buscar informações na web  sobre o poeta português poderão encontrar, entre a leva de poemas publicados, alguns editados no caderno-revista 7faces . Foi através desse periódico, uma publicação nascida do lugar deste blog, que chegou-nos o nome Luís Filipe Marinheiro. Um nome, como de outros jovens poetas, perseverante no ofício da escrita de poesia. E deve ser. Não apenas porque a poesia tem sido a patinho feio das editoras, mas porque o espaço de onde vem o poeta é povoado por um complexo território de grandes vozes poéticas. Essa perseverança, portanto, é espada de dois gumes necessária à formação de qualquer nome no gênero. Nascido em Coimbra em 1982 e autor de títulos como Silêncios  e Um cândido dilúvio (acto I)/ Sombras em derivas (acto II) , todos editados pela Chiado Editora em 2013, agora, apresenta-nos também por essa mesma casa editorial,  Noutros rostos . Em preâmbulo, a abrir a obra, o poeta já logo cita dois de seus mest...