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Boletim Letras 360º #109

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No Boletim da semana anterior dissemos todas as movimentações que faríamos por ocasião do Dia Nacional da Poesia. E hoje só gostaríamos de dizer que tudo valeu a pena. Os leitores estiveram atentos e fizemos um dia intenso com muita poesia. Enquanto lá fora muita gente estava em polvorosa distribuindo ódio, nós estávamos revolucionando corações pela leitura de poesia. O resultado foi este álbum lindíssimo  com 24 poemas de 24 poetas nacionais e estrangeiros enviados pelos 24 primeiros leitores e publicado cada um de hora em hora numa verdadeira maratona. Aguardamos a visita para levar adiante esses poemas. E, depois de tudo, vamos ler o que foi notícia durante a semana no blog.  Um poema inédito de Machado de Assis. Saiba sobre essa descoberta, assim, ao acaso na web. Segunda-feira, 16/03 >>> Brasil: Descoberto poema inédito de Machado de Assis O achado é de Wilton Marques, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que estuda a infl...

Cinco coisas que você precisa saber sobre Cem anos de solidão

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Por Julio Ortega Gabriel García Márquez na clássica foto em que exibe a primeira edição de Cem anos de solidão As origens Gabriel García Márquez teve a ideia do romance quando sua mãe lhe pediu para acompanhá-la a Aracataca, o povoado onde nasceu, para visitar a casa de sua infância e vendê-la. Passaram-se 40 anos e várias versões até que um dia, quando ia com Mercedes, sua companheira, e os dois filhos de férias para Acapulco, veio-lhe o ponta pé ou chave que há muito havia buscado em vão. No retorno para casa, na Cidade do México, sentou-se ante a máquina de escrever e só saiu daí dezoito meses depois quando colocou um ponto final na primeira versão do texto. O título Há uma música afro-americana chamada One hundred years of solitude , um lamento de escravos do Sul. E há um curta-metragem mudo em que um solado da Guerra Civil, frente ao pelotão de fuzilamento, recorda sua vida fugaz. Mas, em Cem anos de solidão se trata da “sol-edad”, a era solar. A saga gue...

Sobre Corpo de festim, de Alexandre Guarnieri

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Por Pedro Fernandes toda a vida contida numa exígua partícula, – desdobrável de si própria –, equilibrada sobre a mesma progressão desenfreada; deuses ferveram-na numa caldeira aquecida ante o clarão do big bang / cozeram-na por milênios, lenta, nas tripas da mais velha estrela / e lá, aprisionada, como o maior espetáculo da via láctea, além do limbo centígrado dos organismos bioquímicos, replicou-se a enzima de sua fina ( e elástica ) matematicidade // até que [...] Alexandre Guarnieri escreveu Corpo de festim , livro que integra o lento e sofisticado processo de lapidação poética porque passa todo poeta comprometido com a palavra. Sim, porque sempre existiu, mas tem ganhado forma com cada mais cinismo, o poeta criador de formas falsamente manipuláveis e, logo, facilmente quebráveis ao dinamismo do tempo. Não é porque o material verbal que o poeta utiliza é estranho ao universo acusado tantas vezes de pertencer às formas frágeis. Não. É o trabalho in...

Vanessa Maranha romancista

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Por Alexandre Bonafim Vanessa Maranha é uma das jovens e promissoras escritoras brasileiras da atualidade. Seu romance de estreia, Contagem regressiva (Ed. Off-flip), vencedor do prêmio Off-flip, não somente atesta a mesma sensibilidade, a argúcia da contista de Oitocentos e sete dias , como também a insere no time dos romancistas de talento. Contagem regressiva possui uma ironia ao estilo machadiano, principalmente de O Alienista , aliada ao humor do Campos de Carvalho de A lua vem da Ásia . E isso não é pouco. Vanessa, em sua elegante narrativa, insere-se em importante eixo de leituras de nosso cânone, revivendo, de maneira pessoal e criativa, o que temos de melhor em nossa história da literatura. Faz isso, no entanto, com personalidade e afiada agudeza crítica, o que a eleva à categoria de artesã da palavra, aprendiz dos grandes mestres, mas também mestra ela mesma, sem influências meramente fáceis e reprodutoras. E não ficamos apenas por aqui. Além dessa ironia rech...

Os desenhos de Jean-Paul Sartre

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Temos compreendido uma coisa: quem constrói mundos imaginários seja simplesmente por imaginá-los seja para explicar determinantes vividos tem necessidade, uma vez apenas, de materializar isso através de outra grafia que não a da palavra escrita. Raramente não encontramos um escritor que não tenha se dado ao desafio de transcrever em forma de imagem aquilo que é imagem através da escrita. E, o bom de tudo é depois de largo tempo descobrir esses desenhos, rabiscos, garatujas porque parece ficarmos diante do pensamento em elaboração; ou ainda ficamos em contato com certa maneira de ver-se (pensamos aqui nas quantas caricaturas que o Carlos Drummond de Andrade fez de si), de como escritor imagina aquela personagem ou situação, ou mesmo nos desfazemos de certa imagem sisuda do autor, já que a caligrafia do desenho tem uma dimensão lúdica e despojada, muitas vezes, da seriedade. Sem falar ainda que, as artes plásticas sempre têm encontrado na literatura um campo muito fértil ...

Quando Gabriel García Márquez aprendeu a escrever

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Por Winston Manrque Sabogal “O coronel destampou a garrafa de café e comprovou que não havia mais de uma xícara...”. “Muitos anos depois, frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que...”. O universo literário de Gabriel García Márquez se constrói na caribenha Arataca, quando vive sua primeira infância com seus avós maternos: Tranquilina Iguarán Cotes e Nicolás Ricardo Márquez Mejía. Ambos o envolveram com as narrações de suas histórias. Ela contribuiu com a imaginação com seus relatos de defuntos, fantasmas e mistérios do além e de cá; e ele, velho coronel aposentado, com o pragmatismo e o raciocínio com suas recordações da Guerra dos Mil Dias e as batalhas da vida diária. E em casa encontrou, também, o livro que definiria seu futuro como escritor: um dicionário que foi presente do avô e que o menino leu como se um romance, “em ordem alfabética e sem entendê-lo”. Naquela casa colombiana, sob sóis incle...