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Quando as estratégias de leitura matam o prazer de ler

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Por Rafael Kafka Há uma preocupação imensa em desenvolver estratégias de leitura com os alunos do ensino fundamental e médio. Algumas são atitudes bem curiosas e que remetem a métodos bem arcaicos. Há quem defenda, por exemplo, a cópia. O aluno fica na missão de copiar determinadas páginas do livro didático com intuito de estudar o conteúdo em seu caderno, melhorar sua caligrafia e mesmo a ortografia. Confesso que esse método me pareceu útil quando fiz um curso de inglês anos atrás, mas só pareceu. Há também quem defenda o uso do ditado. O professor fala algumas palavras e frases e o aluno deve copiá-las no caderno. Após isso, o professor coloca a resposta no quadro e o aluno verifica quantas delas ele foi capaz de acertar. Há os que falam em cadernos de caligrafia para a melhoria da letra. Em suma, métodos antigos que muitos de nós provavelmente sentimos na pele e que eu de vez em quando me pego questionando a validade dos mesmos, para usar um eufemismo. Porque na ve...

Na outra margem, o leviatã, de Cristhiano Aguiar

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Por Pedro Fernandes Na outra margem, o leviatã é um  livro de contos de Cristhiano Aguiar, o primeiro depois de o escritor aparecer incluído na lista da Granta em 2012 – uma antologia que preteriu reunir, como foi caso em várias outras literaturas, os principais nomes que angariariam um futuro na literatura brasileira. Aliás, a condição profética da revista só se sustenta graças ao respaldo adquirido a partir das listas anteriores; foi de uma delas, que saiu um ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, em 2017, Kazuo Ishiguro. Não que os escritores eleitos – e nos referimos ao caso nacional – sejam duvidosos; mas é que no território das criações artísticas o futuro é tão incerto que apostas dessa natureza não deixam de carregar, como em toda lista do gênero, altas margens de erro. Se os eleitos são ou não promissores não cabe aqui discutir; a menção ao caso é apenas para apresentar ao leitor das expectativas que se guardam em torno do nome do autor desta antologia. ...

Observando fotografias: J.R.R. Tolkien: uma biografia, de Humphrey Carpenter

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Por Guilherme Mazzafera Sob o risco do autoplágio, que evito com uma sutil permuta, afirmo: nada é mais ficcional do que uma biografia, exceto a biografia oficial. O exercício biográfico é perigoso por sua ânsia explicativa, em especial pelo desejo muitas vezes obtuso de construir os liames causais entre vida e obra. Um poeta sagaz como W.H. Auden adverte com clareza sobre os riscos de tal empresa: “Um escritor é um criador, não um homem de ação. Em verdade, algumas e, em certo sentido, todas as suas obras são transmutações de experiências pessoais, mas nenhum conhecimento dos ingredientes crus explicará o sabor peculiar dos pratos verbais que ele convida o público a provar: sua vida privada não diz, nem deveria dizer respeito a ninguém a não ser ele mesmo, sua família e seus amigos.” 1   A opinião de Auden era tão inflamada que ele dizia ser melhor que os autores publicassem suas obras anonimamente, o que obrigaria os leitores a se concentrarem no que interessa:...

Por que “Frankenstein” é mais relevante hoje que há 200 anos

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Por Michael Harris Num gelado dia de 1803, no Colégio Real dos Cirurgiões, em Londres, um grupo de pessoas viu como Giovanni Aldini aplicava uma descarga elétrica na cabeça de um condenado que havia sido executado antes. Os músculos da mandíbula tremeram. Depois, Aldini deu outra descarga, desta vez nas costas e o cadáver pareceu como que se sentasse. Havia nascido o que se conhece como vitalismo. Qual era o limite das invenções da humanidade? Poderíamos animar o inanimado? Brincar de ser Deus? Enquanto as mentes pensantes do século XIX debatiam sobre estas questões, a jovem Mary Shelley, que passava uma noite numa mansão alugada a Lord Byron, teve um sonho inspirador que serviu de ponto de partida para um romance chamado Frankenstein . Nele, pulsava um emergente terror pela tecnologia, até um furor pelo progresso. E agora, justamente dois séculos depois, ainda estamos tomados por esse estranho sonho de Shelley. O termo “ficção científica” não foi cunh...

Ring Lardner e a arte de perder sem deixar de sorrir

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Por Cristian Vázquez 1 Ring Lardner (1885-1933) foi um fenômeno no jornalismo esportivo de seu lugar e de seu tempo: Estados Unidos na década de 1910. Ao longo de sua vida escreveu mais de 4.500 artigos, que chegaram a ser se publicar em 115 jornais de seu país. Depois do fim da Primeira Guerra Mundial “deu início a grande época dos esportes nos Estados Unidos e o escritor que cobria este tema se tornou uma figura principal”, escreveu o jornalista Pete Hamill. Numa época em que ainda não havia sido inventado o rádio, o sportswriter “era tão conhecido como alguns boxeadores e jogadores de beisebol”. Lardner foi talvez o mais importante de todos: há quem o chame de o pai da coluna jornalística moderna. Uma das características mais destacadas de seu estilo foi o uso slang , o jargão vernáculo e coloquial dos estadunidenses. Por meio dessa ferramenta, que até então só havia sido utilizada para livrar-se dos falantes ou como recurso cômico, Lardner retrat...

Boletim Letras 360º #293

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Estas são as notí cias que passaram durante a semana em nossa página do Facebook. Boas leituras! Uma antologia com poemas de T. S. Eliot a sair no Brasil em novembro. Mais detalhes ao longo deste Boletim Segunda-feira, 24/09 >>> Brasil: O hino de Machado de Assis para o Imperador do Brasil O pesquisador Felipe Rissato encontrou, em um jornal antigo de Florianópolis, Santa Catarina um hino escrito por Machado de Assis como “Hino Nacional”. A letra faz uma homenagem ao imperador Dom Pedro II. Na época em que escreveu os versos, o escritor tinha 28 anos e ainda não era tão conhecido. Era aniversário de 42 anos do monarca e em 2 de dezembro daquele ano o hino seria apresentado no teatro da cidade de Desterro, antigo nome da capital catarinense. Segundo a Folha de São Paulo, Rissato sabia desde 2016 da existência desse hino, porque o jornal O Mercantil , guardado no acervo da Biblioteca Nacional, anunciava na véspera um “esplêndido espetáculo”. O jornal não pu...