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Treze obras da literatura que têm gatos como protagonistas

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Doris Lessing  “Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual” Carlos Drummond de Andrade, “Perde o gato”, de Cadeira de balanço É possível, tantos anos depois das primeiras narrativas que trouxeram o gato como protagonista, estabelecer a compreensão de um modelo de prosa, à maneira como se determina outros segmentos na literatura. Parece que o registro mais antigo dos bichanos na narrativa literária remonta ao período grego; nas fábulas de Esopo, o gato é retratado como um animal astuto, capaz de tudo para alcançar seus interesses. O fabulista grego sublinha, assim, a inteligência, a astúcia e a esperteza; se à primeira vista o gato consegue se dar bem, não deixa de cair nas graças daqueles a que persegue, como em “O gato e os ratos” e “O gato médico e as galinhas”. Isto é, tem lugar desde esse período a condição ambivalente que assumirá ao longo das representações literárias. O papel de malvado que se apresenta nas fábulas de Esopo é ...

Iris, Iris, a esplêndida rainha do baile

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Por Antonio J. Rodríguez Retrataram-na como uma burguesa que levava uma vida intelectual indiferente. Suas maneiras eram elitizadas e parecia carregar um orgulho disso. Era o tipo de pessoa que defendia que o bom homem vê as coisas de maneira diferente do homem medíocre. Que não tinha vindo ao mundo para ser de muitos amigos, é algo que gostava de deixar claro de imediato. Houve quem a descreveu como uma Vênus depredadora e cruel – embora como sempre acontece, também não são escassos testemunhos previsivelmente mais amáveis. No verão de 1990, Jeffrey Meyers publicou na Paris Review uma entrevista que revelava a temível Iris Murdoch (1919-1999) em seu esplendor. Admitiu que havia sido militante no Partido Comunista e que logo se cansou; soube aí o quão “espantoso” era o marxismo. Esquivou-se da bipolaridade de seu mundo passando por cima das duas grandes ideologias dominantes e assim foi parar no Oriente: “O budismo deixa claro que é possível ter uma reli...

O fluir dos lentos rios de metal: A Queda de Gondolin, de J.R.R. Tolkien

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Por Guilherme Mazzafera A publicação brasileira do mais recente livro de J.R.R. Tolkien, A Queda de Gondolin , é algo a ser celebrado. Lançado aqui em 30 de agosto de 2018, no mesmo dia que as edições inglesa, americana e alemã, trata-se de algo absolutamente inédito em nosso país, fato atestado pelo amplo interesse dos leitores que lotaram os eventos de lançamento em diversas capitais. Em experiência inédita para mim, pude ler a edição brasileira imediatamente após a britânica, o que permite uma melhor fruição da tradução bem como evidencia os efeitos de certas escolhas editoriais De cara, é preciso dizer a versão nacional, altamente convidativa em sua bela capa dura, é única: as folhas de guarda, que não costumam apresentar qualquer tipo de informação, são adornadas com belas representações dos brasões das 12 casas de Gondolin. Além disso, o livro é atravessado, do Sumário às Árvores Genealógicas, por pequenos detalhes em forma de linhas, escudos, flechas, barc...

O mítico filme de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares

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Jorge Luis Borges e Hugo Santiago, o diretor de Invasión Para a criação do enredo de Invasión  (Invasão, tradução livre), Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares e Hugo Santiago criaram Aquilea, uma cidade imaginária que está prestes a ser invadida por homens de gabardina que introduzem um maquinário para a invasão em massa. O grupo da cidade é o comandado por um ancião e logo se entende que a resistência está pelo fim e é impossível proteger a cidade. O filme remete a uma batalha entre gangues, no ano de 1957, em meio de uma Aquilea urbana que não tenta dissimular nunca que se trata de Buenos Aires. Logo, não é necessário dizer que foi na capital argentina que os três criadores se inspiraram para a composição deste mítico cenário.  Descrito pelo teórico do cinema Ángel Faretta como a obra mais importante do cinema argentino Cult de vanguarda, Invasión foi construído da interface entre o cinema clássico e a nouvelle vague , de estilo f...

Adeus às armas, de Ernest Hemingway

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Por Pedro Belo Clara É claro para todos, inclusive aos leitores menos experimentados nos mais dilectos frutos do universo literário, que trazemos hoje à discussão, traçada à guisa de conselho de leitura, um dos maiores autores de sempre – e com ele uma das suas principais obras. Bem, aceitamos que este último facto poderá não ser conhecido por todos os leitores em iniciação, mas negar os louros a uma das mais proeminentes figuras da afamada “Geração Perdida”, tal como a nomeou Gertrude Stein, ao Pulitzer de 1953 e Nobel no ano seguinte, será acto diante do qual nenhuma mão quererá esboçar um movimento negativo. Não são os prémios que fazem o autor, obviamente, por isso acresce em seu benefício a tremenda popularidade da obra, várias vezes transposta para o cinema (como o trabalho que hoje seleccionámos), e também uma por vezes rara apreciação consensual da crítica competente sobre o lugar de Hemingway entre as estrelas maiores do vasto firmamento da literatura mundial. ...