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A literatura nazista na América, de Roberto Bolaño

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Por Pedro Fernandes As discussões crítico-teóricas sobre o que determinam as textualidades para o literário costumam citar a intertextualidade e a autorreflexão como dois elementos fundamentalmente recorrentes; isto é, pensando que a principal tarefa dos escritores têm sido a de renovação – e essa quase sempre se determina pela ruptura com forças já estabelecidas – é que se acredita que todo texto literário decorre do trabalho de revisão e da reflexão sobre esse trabalho. É evidente que, como todas as definições sobre o literário, essa não é (ou pelo menos não funciona como) uma verdade universal e absoluta. E sua recorrência aqui se apresenta porque A literatura nazista na América se filia a uma tradição que permitiu o pensamento crítico-teórico alcançar essa compreensão intertextual e autorreflexiva sobre a literatura. Isso porque a dicção do romance de Roberto Bolaño se constitui de uma estreita relação com o sistema literário e, por sua vez, com a materialidade que o ...

Felisberto Hernández, um autor com mais defensores que detratores

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Por Fernando Chelle Em certa ocasião Carlos Maggi, o grande escritor uruguaio pertencente à Geração de 45, disse: “Felisberto foi o principal inimigo de sua literatura. Era um tipo inseguro, tímido, meio preso. Ansioso para ter confiança, buscando que o elogiassem ou que lhe dessem uma opinião favorável” (Di Candia, 2003)*. Seria bom analisarmos essas palavras e refletir, a partir de uma perspectiva histórica, por que Felisberto buscava ansiosamente a aprovação de seus contemporâneos. A narrativa felisbertiana representou para as letras uruguaias uma ruptura significativa com o que havia sido feito até então. É verdade que o Uruguai contava já com uma tradição de contistas relevantes, com os da Geração de 900 – Javier de Viana no que se refere à literatura rural e Horacio Quiroga com seus contos urbanos; mas não existia um escritor cuja perspectiva narrativa estivesse tão associada ao psicológico, às associações mentais, mais que ao racional e bem-estruturado. ...

A verdade sobre a bala perdida de Burroughs

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Por Juan Tallón Jorge García-Robles é a pessoa que melhor sabe o que aconteceu no dia 6 de setembro de 1951 no apartamento da rua Monterrey, 122, México DF, onde William Burroughs matou com um tiro sua companheira, Joan Vollmer. Investigou o escritor durante quatro anos; primeiro, com o seu agente literário, James Grauerholz; e, depois, sozinho. O resultado é A bala perdida (tradução livre), obra de culto sobre os dias no México do autor beat publicada há 24 anos. O retorno à obra traz consigo a notícia de que os seus direitos foram adquiridos por uma das produtoras de Narcos para uma série sobre Burroughs, o escritor que levou mais longe a relação entre literatura e drogas. No capítulo mais intenso do livro, García-Robles relata que aquele dia fatídico, quando o escritor e sua companheira chegaram ao apartamento da rua Monterrey, se passava uma animada reunião de amigos. O lugar estava cheio de garrafas de gim e de refrigerantes vazias. Depois de duas hora...

Boletim Letras 360º #326

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Começo de semana de riquezas para os leitores do Letras in.verso e re.verso. Em nossa conta no Instagram realizamos o sorteio da nova edição de Grande sertão: veredas , de João Guimarães Rosa (Companhia das Letras); foi o segundo sorteio deste livro entre os que acompanham o blog a partir das redes sociais, o primeiro foi em nossa página no Facebook. Bom, e nesse espaço realizamos outro sorteio: há muito estávamos com uma enquete que perguntava aos leitores sobre o conteúdo disponibilizado na página e os interessados em concorrer a um livro surpresa bastavam deixar um comentário na enquete depois de votarem. Noutra ocasião, quando o livro chegar às mãos da ganhadora (foi uma leitora do Rio de Janeiro) divulgaremos qual era o título em questão. Agora, vamos às notícias da semana por lá. Euclides da Cunha. O evento que sublinha homenagem à sua obra divulga programação. Segunda-feira, 13 de maio Escritora conhecida por seus cordéis, Jarid Arraes estreia no gênero dos con...

O erudito, o popular e a doce virtude da ignorância

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Por Rafael Kafka ©Bruno Novelli Sempre tentei entender por que as pessoas são tão apaixonadas pelos filmes de super-heróis. Mesmo em minha fase adolescente tendo sido um entusiasta dos desenhos animados japoneses, certas condutas típicas de geeks e otakus me aborreciam, como essa vontade de fazer cosplays . Ao mesmo tempo, porém, havia em mim uma certa sensibilidade imaginativa provocada em demasia pelos temas discutidos dentro de animes e mangás e muitas vezes me peguei envolvido com personagens desse universo em um grau maior do que com o tido com pessoas do mundo real. Mas o meu purismo prevaleceu sobre meu bom senso e durante anos eu julguei pessoas que gostavam de filmes de super-heróis como tolas e infantis. Demorei a me libertar dele e demorei mais ainda para decidir ver um filme e avaliar por conta própria o charme dessas obras de arte. Por mais que nunca tenha lido nada dos autores os quais se utilizam do conceito de indústria cultural, esta foi uma noção m...