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Sete escritoras italianas além de Elena Ferrante que você precisa conhecer

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Natalia Ginzburg e Elsa Morante. As duas escritoras estão, depois de Elena Ferrante, entre as da literatura italiana que melhor circulam no Brasil.  Desde a publicação do longo romance dividido em quatro tomos que conta a história de duas amigas, da infância à maturidade, passando por momentos singulares em comum e à distância, revisitando instantes conturbados da história italiana e das transformações de Nápoles, a obra de Elena Ferrante nunca mais foi a mesma: deixou o sucesso no seu país natal para se tornar Best-Seller que agrega leitores de todos os tipos e camadas. A chamada febre Ferrante serviu para que no Brasil se traduzisse e se publicasse em tempo recorde toda sua obra, incluindo as incursões da escritora pelo universo infantil. Como se isso não fosse suficiente, abriu os sentidos para um campo entre nós vasto, mas pouco percorrido, o da ficção publicada contemporaneamente na Itália e, na onda dos novos feminismos, o reencontro com obras de escritora desse p...

Joseph Conrad. O mar como uma moral

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Por Manuel Vicent O jovem Joseph Conrad. Pelos lugares passou, restou algum registro; este foi de quando esteve em Marienbad, em 1883. Numa tarde melancólica, uma criança fantasiosa, deitada de bruços na cama diante de um atlas aberto, para de navegar com o dedo indicador todos os mares azuis para adentrar com absoluta liberdade nas selvas mais perigosas. Com a cabeça cheia de barcos piratas, de baús de tesouro, de leões, presas de elefantes, chega um momento em que o menino coloca o dedo num ponto do mapa, o mais exótico, e pensa: “Um dia, quando for mais velho, irei aqui”. Alguns conseguiram realizar este sonho, mas só um se chamou Joseph Conrad. Este menino não era filho de um conde polonês nem sua tia era princesa belga nem foi apresentado muito cedo ao imperador Francisco José numa audiência reservada no Hofburg de Viena. Os primeiros anos deste escritor, cujo nome de batismo era Jósef Teodor Konrad Korzeniowski, estão rodeados de sonhos aristocráticos qu...

Boletim Letras 360º #334

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Abaixo, o leitor e a leitora do Letras (re)encontra as notícias copiadas durante a semana em nossa página no Facebook: dos novos livros que chegam às nossas livrarias, dos novos interesses editoriais, uma e outra curiosidade ― coisas, enfim, que estão alinhadas com nosso universo. Não sequência têm dicas de leitura, que segue o itinerário nascido do texto de abertura nesta semana no blog, sobre a escritora mexicana Elena Garro. E depois outras dicas ― de vídeos raros e de textos nossos. Silvina Ocampo. Livrarias brasileiras recebem pela primeira vez obra da escritora argentina.  Segunda-feira, 8 de julho Encontrados dois ensaios inéditos de Juan Rulfo. Muito além do mito sobre as três décadas de silêncio depois da publicação de Pedro Páramo  é certo que Juan Rulfo nunca deixou de escrever. Um material inédito acaba de vir a público e serve nas negociações entre a fundação que zela pela memória do escritor e a agência Carmen Balcells para publicação. ...

Ficção de realidade e realidade de ficção

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Por Amanda Lins Pontes de Miranda, o professor de introdução ao direito diz incessantemente à turma sonolenta, leiam Pontes de Miranda. Algo no tom dele faz nascer em mim um ensaio de irritação, irritação a qual, a princípio, não consigo identificar o motivo. Mas anoto a sugestão-barra-imposição no canto do caderno e empurro a porta, indo em direção ao mormaço do mundo. As salas de aula no verão nunca são convidativas. Nascimento em 1892... morte em 1979... escreveu diversos tratados sobre direito privado, vou lendo enquanto passo meus dedos pelas capas empoeiradas, formando um rastro de que estive ali, marcando-me nos sumários já comidos pelo tempo até a metade e nas contracapas quase inexistentes. Na biblioteca, o que entra de luz precisa antes dançar pelos resquícios de poeira, formando uma cortina que me banha de sol aos poucos e me convida, novamente, ao calor de fora. Posso sentar-me num banco e terminar de ler o romance que larguei durante a aula, reflito. ...

Odes a Maximin, de Ricardo Domeneck

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Por Pedro Fernandes A partir da descoberta dos versos de “Autopsicografia” em 1932 foi possível compreender um dos pontos-limite da lírica moderna; a questão, entretanto, não pode se reduzir aqui, nem começa com Fernando Pessoa e considerá-la como tal ou o poeta como a voz exclusiva de uma virada na poesia resulta em graves consequências para uma melhor compreensão sobre a própria história desse gênero literário, mesmo porque, conjeturas dessa natureza aparecem e são mais produtos das investidas para a construção de um mitologema no-do poeta de Mensagem no imaginário cultural português. O valor dos versos de Pessoa se justifica pela ação provocativa; no contexto literário do poeta reafirma-se o ideário de uma ruptura com as formas simuladas da poesia, sobretudo, as nascidas no interior do romantismo que sedimentaram os valores de um sentimentalismo piegas corriqueiramente debandado para as rotações pessoais. Mas, no fim de tudo, não se oferece nenhuma revelação capaz d...

A cosmologia do caminho

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Por Tiago D. Oliveira Uma orquestra de minorias , do nigeriano Chigozie Obioma, traduzido por Claudio Carina e publicado pela Globo Livros, é um romance fincado sob o conjunto de tradições e crenças de um   povo, a cosmologia igbo. Ele traz uma história que apresenta a relação de um criador apaixonado por aves, Chinonso, com Ndali, uma mulher da alta classe da Nigéria. A paixão dos dois evoca uma cena clássica na literatura, um conflito que se vale da diferença das classes sociais, mas que se reinventa a partir da estrutura narrativa e da voz de um narrador que se apresenta como Chi , o espírito guardião de seu hospedeiro, Chinonso.   Depois que Chinonso vê Ndali se encorajando para pular de uma ponte ele a convence de que seria um ato impensado e salva a moça plantando a semente de um interesse mútuo que se transformaria em um relacionamento amoroso. A forte oposição da família de Ndali à relação dos dois faz com que Chinonso queira ter um diploma para ser acei...