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Existo para o amor de inexistências

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Por Tiago D. Oliveira Trágico é pensar em uma vida sem o coração por vezes na boca. A fé é um instrumento de razão de nossa existência, mesmo quando envolvida pelo avesso de sua força ou empenhada em joelhos dobrados sobre pedras alheias às que sobram na pavimentação comum da sociedade. A fé é um ponto cadente na vida de qualquer indivíduo, seja ela qual for. Humana. Está marcada pela finitude da carne, mas prometida para além dos muros dos jardins. Somos todos partes de uma marca herdada que afere a nossa condição de retorno em um ciclo de reconhecimentos, No princípio era a ferida./ Em sete dias Deus/ criou a cicatriz . O reconhecimento de nossa condição é o que exatamente possibilita a projeção de um lugar de conforto, cura ou simplesmente continuação.  Em O mosteiro não é Deus , Imaculada Teixeira de Souza eleva a peregrinação de um monge a um lugar de construção no leitor, que vai recolhendo das incertezas de seu caminhante um aprendizado sobre a desconstrução de uma fé ideali...

Boletim Letras 360º #412

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DO EDITOR   1. Saudações, leitores! A previsão de retorno com as publicações diárias por aqui é dia 25 de janeiro. Até lá, passa-se o de sempre: sai uma e outra post. 2. Já as atividades nas redes sociais continuam e esperam sua visita. Neste Boletim, p.ex., estão reunidas as notícias divulgadas durante a semana na página no Facebook. 3. Obrigado a cada um dos leitores pela companhia! Friedrich Dürrenmatt. Foto: Andrej Reiser. No ano do centenário do escritor, três livros seus estão no prelo.   LANÇAMENTO   Publica-se a biografia de Alberto da Veiga Guignard, a história de seus afetos, seus amores, seu trabalho, suas amizades, sua boemia, suas andanças e também de seus tropeços .   Nosso personagem nasceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1896, e faleceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, aos 66 anos. Ele que era, a um só tempo, príncipe e patinho feio, enteado de um barão europeu que nunca lhe deu crédito. Criou-se artista em Munique, na Alemanha, e viveu a bo...

Compartilhar é paz, curtir é escravidão, comentar é força!

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Por Pablo Augusto-Silva Ilustração: Abbey Lossing   Se você nasceu antes ou por volta de 1990, traga à memória os inícios de sua vida na internet. É provável que deva ter tido uma sensação estranha quando começara a receber suas primeiras notificações, digamos, duma foto do churrasco da vizinha ou do tênis que o primo acabara de comprar; de vídeos curtos do chefe a exibir o volante do veículo ou do colega de academia a malhar o bíceps... Tal estranhamento tem a ver com nossa repulsa ao tosco, ao que não foi lapidado nem polido, porque não há nada mais tosco do que receber uma foto dum prato de comida, do tênis novo ou dum vídeo com a legenda "Ufa, treino hoje tá pago!"... Ao longo desse tempo, você até encerrara algumas contas das inúmeras redes sociais por não ver muito sentido em compartilhar tanta tosquice. Tal estranhamento, porém, entre a vergonha alheia e aquela vontade de rir quando lemos sobre hábitos muito exóticos de povos distantes no tempo ou no espaço, vem deixa...

Friedrich Dürrenmatt: a atualidade de um esquecido

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Por José Ramón Martín Largo Friedrich Dürrenmatt, 1980. Foto: Ullstein Bild “Não tem a nossa era de paz, que milhões de pessoas se esforçam por preservar fazendo manifestações, carregando faixas, cantando música pop e rezando, não há muito assumiu a forma do que, em outros tempos, chamávamos de guerra, toda vez que, para nos apaziguar, incorporamos as catástrofes à nossa paz?”   A pergunta é pertinente em nosso tempo, pois levanta outras duas questões que nos preocupam muito: a primeira, se o que chamamos de ordem mundial não é na verdade o caos; e a segunda, se os habitantes do mundo, especialmente o mundo rico e desenvolvido, apesar de nossa má consciência, não são cúmplices desta ordem, que em princípio gostaríamos de mudar enquanto hipocritamente nos beneficiamos dela. De maneira explícita, a indagação a que nos referimos refere-se à própria razão de ser do pensamento crítico, pensamento incômodo que para muitos é preferível evitar, pois nos apresenta como cúmplices, e cúmplice...

Boletim Letras 360º #411

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DO EDITOR   1. Saudações, leitores! Continuamos nosso mês de recesso. As posts por aqui deixaram de ser diárias, mas nossas atividades nas redes sociais continuam. Aqui estão reunidas as notícias que divulgamos em nossa página no Facebook.   2. E, já temos uma data de possível retorno à programação normal. Vamos esperar, no entanto, um dos próximos BO's para divulgar. 3. Agradeço aos leitores pela companhia! Yukio Mishima. Inéditos e títulos fora de circulação no Brasil ganham nova edição.   LANÇAMENTO   A reunião da obra poética de Alvarenga Peixoto . A crítica textual, tal como ensinada e praticada no Brasil, sempre se propôs como finalidade a reconstituição de um suposto original, chamado por Segismundo Spina “texto genuíno”, que representaria a etapa final de composição da obra, quando já não é mais objeto de reescritura por parte de seu autor. O texto “genuíno” é um ideal filológico pensado como possível para todos os lugares e tempos e desconsidera a historicid...

Os melhores de 2020

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Ilustração: Ilya Milstein   Será repetir o óbvio ao dizer que este 2020 guardou o pior das expectativas que levantamos todo final ano para o tempo por vir. O mais doloroso, entretanto, é descobrir a esta altura, com quase todos os doze meses de reclusão, que pioramos um pouco mais como cidadão e como humanidade. Esses duros tempos podem ter produzido uma ou outra variação de ritmo em nós, mas, no geral, as perspectivas são nada animadoras. Não é um discurso fatalista, mas custa ser positivista numa ocasião quando assistimos a vigarice, o mau-caratismo, a desumanidade, o cinismo, o negacionismo gratuito, o medíocre, a parvoíce triunfarem. Ao mesmo tempo, toda a carestia desse tempo cobra o que mais nos falta: um desvio para a civilização e para o humano. Mas, este outro caminho se mostra, mais ou menos visível, não com expectativas e sim com atitude. O possível se realiza pela ação.   E, uma alternativa para melhor, consiste numa reeducação dos sentidos; aguçá-los para a crític...