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A eternidade de Dante Alighieri

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Por que lemos Dante Por Matthew Pearl Domenico di Michelino.  La Commedia ilumina Firenze . (1465) Catedral de Florença. Santa Maria del Fiore.  Nunca existirá outro Dante. Não apenas porque Dante Alighieri, o poeta florentino do século XIII, foi um gênio irrepetível, mas também porque as condições modernas provavelmente não poderiam levar ao aparecimento de um novo Dante. Considere a personalidade de Dante, que, pelo pouco que sabemos, provavelmente era um tanto intolerante. Estava muito certo de possuir razão, em tudo. Tinha certeza de sua teologia católica idiossincrática e do seu sistema de valores, que diferia o suficiente dos ditames oficiais do Vaticano tanto que alguns de seus escritos foram proibidos; estava certo o suficiente sobre sua própria compreensão dos assuntos religiosos para descrever o território inexplorado do purgatório e nos dizer como a Santíssima Trindade deveria se parecer; tinha certeza de que diferentes religiões estavam erradas ao colocar seus lí...

Dante e a experiência

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Por Marco Perilli Gustave Doré. Dante. Ilustração para o Canto I de A divina Comédia , 1861.   Embora o rosto meu, qual por um calo, agora pelo frio, qualquer evento estivesse impedido de afetá-lo,   ainda me pareceu sentir um vento¹   Assim é como o peregrino, chegado ao centro da Terra, percebe a presença de um limite tenebroso, algo que atemoriza e o enche de terror. Não ignoro o que acontecerá. Encontro-me a poucos metros de profundidade. Dante, por sua vez, suspeita, deduz, pergunta ao seu guia; seguramente teme alguma coisa. Tem medo, muito medo. Viu alguns gigantes que distante pareciam torres: um deles lhe acenou com a mão, junto com Virgílio, para descer até ao fundo do abismo. Agora sopra um vento frio, que lembra o inefável. Ou algo tão físico e concreto como o espasmo do homem que encara o possível.   pelo que eu: “Mestre, eu sinto algo mover; não é isto aqui de todo sopro isento?”   E ele a mim: “Poderás logo saber; teu próprio olhar vai te dar a r...

Boletim Letras 360º #447

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DO EDITOR 1. Caro leitor, copiamos abaixo, as notícias que passaram pela página do blog no Facebook durante a semana e as demais dicas nas outras seções deste Boletim. Em nome do Letras, muito obrigado pela companhia. Boas leituras! Marguerite Duras. Foto: Julio Donoso.   LANÇAMENTOS   O primeiro livro da coleção com obras de Marguerite Duras editada pela Relicário Edições. A casa planeja pelo menos dez títulos ainda inéditos no Brasil .   Escrever  é literalmente o livro dos livros de Marguerite Duras. Um relato-síntese de mais de cinquenta anos de escrita, como aquele último filme da vida em que alguém se revê num apanhado essencial. A escritora e seus amantes, seus amigos, sua infância selvagem na Indochina colonial, seus livros e personagens coextensivos à sua vida, seus filmes rodados a partir dos livros, sua ligação com o PCF, a maternidade, o convívio com o mar de Trouville e os jardins de Neauphle, sua autoestrada de palavras de cronista: tudo está aqui, tudo...

Édipo ou Hamlet: nenhum sistema poético é filho de si mesmo

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Por Marcelo Moraes Caetano Ilustração: Atelier Tout va bien   Vamos começar com uma hipótese bem simples: o primeiro teórico a dizer algo não é necessariamente a mais importante referência naquilo que ele, pela primeira vez, enunciou. Não se trata de uma regra, mas de um eixo de reflexão. Deixo elucidado, também, que este meu texto não terá nenhum viés psicanalítico, perspectiva que eu, como psicanalista, encaminharei em outros momentos.   Assim, por exemplo, Aristóteles foi, decerto, o primeiro a escrever um tratado de Semântica no ocidente (a “Lógica”, de que  De interpretatione  faz parte). No entanto, não é, nem de longe, hoje, a maior autoridade em semântica no mesmo ocidente onde a semente foi plantada. Os que o sucederam e recompuseram sua obra, através de sucessivas reformulações (Santo Agostinho de Hipona em suas Confissões , Frege, Russell, Wittgenstein em seu Tractatus Logico-Philosophicus ) em demolições (do alemão Abbau, no sentido de Heidegger, em Ser e...