Postagens

Um itinerário para possível leitura de Antonio Carlos Secchin (Parte 1)

Imagem
Por Marcelo Moraes Caetano Antonio Carlos Secchin. Foto: Fernando Rabelo.   Antonio Carlos Secchin é um dos maiores poetas e críticos literários da contemporaneidade, Academia Brasileira de Letras, sucessor de meu saudoso amigo Marcos Almir Madeira no Petit Trianon. Ambos, Secchin e Madeira, além de outro membro da ABL, Arnaldo Niskier, tiveram o longânimo gesto de prefaciar meu primeiro livro de poesias, Cemitério de centauros (FIRJAN, 2007), que ganhou o prêmio da Fundação Guttemberg na XIII Bienal Internacional do Rio de Janeiro (2007) e foi traduzido para o sueco um ano depois. Secchin é também membro da Academia Brasileira de Filologia e do PEN Clube internacional, onde somos confrades, além de professor emérito da UFRJ. Esta série de artigos que passo a publicar no Blog Letras comporá livro que estou escrevendo sobre a obra de Antonio Carlos Secchin, notadamente sobre seu livro Todos os ventos (Nova Fronteira, 2003). * * *   É praticamente inevitável iniciar-se a leitu...

Maus, de Art Spiegelman

Imagem
Por Sérgio Linard Art Spiegleman. Foto: Cavan Images.   Escrever resenhas e torná-las públicas é sempre, além de um desafio, uma atividade de desnudamento na qual se observa grande risco. Explico. Quando me proponho a vir aqui expressar minhas percepções sobre um determinado texto, com simples intuito de gerar em vocês a vontade pela leitura, estou abrindo algumas portas para as minhas idiossincrasias que não são tão fáceis de serem abertas em escala tão grande. Ao lerem minhas resenhas, vocês têm acesso direto às minhas escolhas de leitura bem como aos meus conceitos e preconceitos gerados por e para elas, especialmente se considerarmos que todas as resenhas até hoje publicadas partiram única e exclusivamente de vontades minhas e não por quaisquer tipos de motivações editoriais e/ ou comerciais.   Os tipos de textos que leio, as origens culturais deles, quem os escreveu, quem os publicou e tantas outras informações muito preciosas quando escolhemos um livro são simplesmente j...

O Cangaceiro: o sertão versus a civilização

Imagem
Por Heto Sazá   O narrador do filme de Lima Barreto se apresenta como afastado e deixa claro, logo na abertura da narrativa, que a história a seguir se passa em uma “época imprecisa, quando ainda havia cangaceiros”. Após esse esclarecimento, O cangaceiro se inicia à la Jonh Ford: em plano aberto, assistimos a um ajuntamento de cangaceiros montados a cavalo e perfeitamente enfileirados marchar ao som da canção popular “Mulé rendeira”. As silhuetas escuras recortadas contra o céu claro conferem um tom elogioso, para não dizer glorioso, à sequência de abertura, que poderia estar em qualquer faroeste norte-americano não fosse a especificidade do cangaço; e ele não se demora em se revelar ao público. Logo na sequência seguinte somos apresentados ao chefe do grupo, que é também o nosso protagonista, Capitão Galdino, homem rude e caprichoso, de gestos bárbaros e imprevisíveis.   Com Galdino, somos apresentados também à dicotomia base para a trama: barbárie versus civilidade. Isso p...

Isaac Bashevis Singer. O prêmio Nobel mais sozinho

Imagem
Por Rafael Conte Isaac Bashevis Singer. Foto: Yousuf Karsh.   A última e, por enquanto, a mais persistente tentativa de reafirmar a literatura em sua vocação de eternidade foi durante o último século o Prêmio Nobel de Literatura. E fê-lo através de duas características — a sua dimensão e a sua independência — que veio a adquirir, ainda que de forma bastante desigual, uma relevância que, apesar do seu prestígio, parece por vezes beirar o patetismo, dissolvido entre o súbito impacto da sua concessão e a efemeridade de suas propostas. Algumas propostas que nem sequer sobrevivem nas habituais disputas daquelas perguntas e respostas caprichosas com as quais nossas televisões tentam falsamente se convencer (e aliás a nós mesmos) de que cumprem uma função cultural, pois bem. Pois bem, nossa contradição fundamental é que a abundância de informação se autodestrói em uma pressão onde a densidade da atualidade leva à pura e simples aniquilação da cultura, pela falta de descanso, valorização e...

O silêncio de Hofmannsthal

Imagem
Por Rafael Narbona Hugo von Hofmannsthal. Foto: Arquivo Sociedade Hofmannsthal.   Hugo von Hofmannsthal (1874-1929) foi um escritor precoce. Nascido em Viena e descendente de italianos, compôs toda a sua obra lírica entre os dezessete e os vinte e cinco anos. Durante esse período, ele também escreveu algumas peças dramáticas curtas, como Ontem , O louco e a morte e O pequeno teatro no mundo , nas quais a influência do teatro espanhol do século XVII e, mais especificamente, de Calderón de la Barça é notada. É a época em que ele se relaciona com Stefan George e sua revista Folhas para a arte , embora nunca tenha chegado a subscrever plenamente a ideologia estética desse círculo poético. Durante esses anos, viaja pela Europa, visitando Paris e Veneza. Como outros autores que cresceram na severa profundidade da cultura germânica, ele ficará deslumbrado com a luz do Mediterrâneo, onde a beleza não é produto de meditação ou esforço, mas algo que se manifesta espontaneamente, como um dom...

Boletim Letras 360º #478

Imagem
    DO EDITOR   1. Caro leitor, eis o terceiro número deste Boletim no mês de abril. Aqui estão parte das notícias divulgadas durante a semana em nossa página no Facebook e outras que poderão ainda aparecer por lá ou são exclusivas aqui.   2. Reitero, o convite para o sorteio do mês de maio no clube de apoios ao Letras. Desta vez, três livros da editora-parceira Companhia das Letras: romance O avesso da pele , de Jeferson Tenório; o livro de contos Gótico nordestino , de Cristhiano Aguiar; e o romance Ossos secos escrito pelo coletivo formado por Luisa Geisler, Marcelo Ferroni, Natalia Borges Polesso e Samir Machado de Machado.   3. Para se inscrever é simples. Envia R$25 através do PIX blogletras@yahoo.com.br ; finalizada a operação, envia neste mesmo endereço (nosso e-mail) o comprovante. O sorteio está previsto para o dia 29 de maio. A escolha dos títulos desta vez sublinha o Dia da Literatura Brasileira (celebrado no primeiro dia do próximo mês) e a plurali...