Boletim Letras 360º #696
DO EDITOR
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Organizado por Caco Coelho e Crica Rodrigues, caixa reúne 150 crônicas de Nelson Rodrigues inéditas em livro, que posicionam o leitor na arquibancada, pronto para se deleitar com partidas emocionantes e vitórias memoráveis que contribuíram para moldar nossa identidade como nação.
Da primeira conquista em 1958, na Suécia, seguida do bicampeonato no Chile, em 1962, passando pela dolorosa decepção de 1966, na Inglaterra, até chegar, em 1970, no México, à coroação do futebol que encantou o mundo e trouxe definitivamente para o Brasil a taça Jules Rimet, Nelson Rodrigues registra, lance a lance, o pessimismo, os medos, os delírios, mas também, e principalmente, as glórias compartilhadas e a superação do nosso complexo de vira-latas. Aqui, o scratch não é apenas uma equipe que nos representa, mas a própria pátria em calções e chuteiras, espelho em que dramas épicos, personagens inesquecíveis e flamejantes patadas retóricas refletem o que o torcedor sentia a cada drible desconcertante, cada jogada decisiva. As ilustrações de Marcelo Monteiro, que faziam tabelinha com as crônicas no jornal O Globo, entram em campo nesta caixa em perfeita sintonia com a prosa rodriguiana.
Na linha de frente de cada volume, os canhotos geniais Gérson e Tostão, ao lado de Mário Filho, O Criador das Multidões, dão o pontapé inicial e deixam Nelson Rodrigues na cara do gol, pronto para finalizar esta história apaixonada e apaixonante, escrita com seu característico visionarismo e toda alma, claro. Afinal, sem ela, como o próprio Nelson dizia, não se chupa nem um Chicabon. Publicação da Nova Fronteira. Você pode comprar o livro aqui.
Um livro recorda como Israel atua, desde há muito, no desfazimento do povo palestino.
Publicado em 1949, poucos meses após o fim da Guerra Árabe-Israelense de 1948, A história de Hirbet Hiz'a narra um único dia em que um pelotão de soldados israelenses invade uma aldeia palestina, expulsa seus habitantes e a reduz a ruínas. O assombro das vítimas, a dor da violência, a negação de suas vozes e a dificuldade em compreender suas próprias ações confrontam o narrador com um dilema moral: a tomada de consciência de que agora são eles próprios, os israelenses, algozes de uma diáspora. Mais do que um registro em primeira pessoa, o livro é a reelaboração interna de um soldado que cumpre ordens que condena. Lido por milhares de israelenses desde sua publicação e divisor de opiniões no país, o livro que assume um tom profético sobre os rumos do conflito Israel-Palestina, chega ao Brasil pela primeira vez pelo selo Manjuba com tradução anônima e texto de orelha de Milton Hatoum. Você pode comprar o livro aqui.
Um romance bélico irreverente, absurdo e profundamente provocador.
Publicado originalmente em 1982, A guerra das bichas, do argentino Raúl Damonte (Copi), chega ao Brasil pela primeira vez. Mais de quatro décadas após sua publicação original, o livro continua surpreendendo pela irreverência e pela capacidade de transformar o desconforto em humor. Vindos de terras brasileiras e com um plano de dominação intergalática, a travesti intersexo Conceïçâo do Mundô e o temerário boyceta Viniciô da Luná desembarcam na França. Antes de conquistar o mundo, porém, precisam tomar de assalto a vie en rose da classe média gay e branca parisiense. Entre discos voadores, amazonas em fúria e personagens extravagantes, Copi cria uma espécie de Jornada nas estrelas queer, misturando ficção científica e sátira social. O resultado é um romance que utiliza o exagero e o nonsense para provocar o leitor, lançando mão de temas como a violência e a formação de estereótipos. Partindo da ideia de que, diante da iminência do desastre, talvez a melhor resposta seja rir dos absurdos à nossa frente, A guerra das bichas transforma o fim do mundo em matéria-prima para uma narrativa tão desconcertante quanto divertida. Com tradução de Régis Mikail, o livro sai pela editora Ercolano. Você pode comprar o livro aqui.
Hisham Matar e vida de dois jovens líbios radicalmente modificadas pela intervenção da polícia inglesa.
Khaled e Mustafa se conhecem na universidade em Edimburgo: dois jovens líbios de dezoito anos que esperam voltar para casa após os estudos. Num momento de imprudência e coragem, eles viajam para Londres para participar de uma manifestação em frente à embaixada da Líbia. Quando agentes do governo abrem fogo contra os manifestantes em plena luz do dia, ambos os amigos são feridos e suas vidas mudam para sempre. Ao longo dos anos que se seguem, Khaled, Mustafa e seu amigo Hosam, um escritor, permanecem unidos por sua história em comum. Se a amizade é um espaço para se habitar, o deles se torna pequeno e inóspito quando uma revolução na Líbia os força a escolher entre as vidas que construíram em Londres e as vidas que deixaram para trás. Meus amigos, de Hisham Matar sai pela editora Âyiné com tradução de Giovani T. Kurz. Você pode comprar o livro aqui.
Algo das memórias de Aharon Appelfeld.
Uma das vozes mais importantes da literatura em hebraico, dedicou-se com História de uma vida a um livro de memórias feito ao final de sua carreira, no qual embarca em uma busca por palavras movediças que consigam dar conta do que viveu como um menino que escapou por pouco, e sozinho, da máquina de morte e destruição nazista. Aharon Appelfeld era uma criança de sete anos quando o Partido Nazista assumiu o poder de sua cidade e ele, junto com a família, foram transferidos para o gueto. O menino conseguiu fugir do campo de trabalho forçado para o qual foi enviado com o pai, mas se tornou um refugiado, sem país e sem língua. Sua mãe morre e, ele presume, o pai também. O livro se tornou obra central do romancista; a busca por palavras que deem conta do que viu e viveu é uma tarefa fugidia. A guerra, quando observada pelos olhos de uma criança, traz pontos de vista inéditos, fragmentários e muitas vezes chocantes. A tradução de Paulo Geiger é publicada pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Christa Wolf revisita e refigura o mito de Medeia.
Figura central da literatura e da mitologia grega, Medeia atravessa os séculos como personagem marcada pela ambiguidade: ora vista como a mãe monstruosa capaz de matar os próprios filhos, ora como vítima da natureza inconstante de Jasão, seu marido, ou ainda como a estrangeira perpétua, que renegara as próprias origens. Em Medeia: vozes, a autora Christa Wolf, de quem a Estação Liberdade já publicou Cassandra em 2007, revisita essa figura mítica sob uma perspectiva contemporânea, despindo a personagem de antigos clichês e propondo um acerto de contas com sua ancestral má reputação. Vemos aqui o retrato de uma mulher libertina e voluptuosa, e cuja personalidade inquisidora e franca faz um contraponto à timidez e à submissão próprias das mulheres de Corinto, o lugar onde Jasão e Medeia tentam criar raízes. A Medeia da tragédia grega — a bárbara, venenosa, vingadora, assassina — e seus mitos são, portanto, passados a limpo pelo atento crivo de Christa Wolf. A autora desenha o retrato de uma mulher singela e empoderada em obra traduzida para as principais línguas e levada aos palcos em numerosas encenações. Medeia abandonara sua terra natal, a Cólquida, por não ser conivente com a corrupção reinante. Mas, ironia do destino, em Corinto as coisas não lhe serão muito diferentes. Ali, no palácio real, em meio a intrigas, calúnias e mentiras, ela descobre o segredo nefasto que o rei Creonte tenta ocultar: o de que ele, Creonte, movido unicamente pela cega ambição de consolidar seu poder, sacrificou uma de suas filhas, ocultando o assassinato de seus súditos. Determinada, Medeia se recusa a esconder a verdade, tornando-se uma ameaça. Logo, acaba abandonada por Jasão e vilipendiada como bruxa e assassina. A luta por poder é desenfreada, e Medeia acaba sacrificada como bode expiatório. É desse modo que Christa Wolf traz à tona, a partir da recriação desse mito ancestral, uma discussão oportuna sobre a condição feminina, capaz de se rebelar contra a opressão (por vezes velada) do status quo masculinista. A Medeia de Christa Wolf é portanto a personificação de questões políticas e de gênero que sempre caracterizaram sua produção literária e que a transformaram numa voz feminina incomparável no universo das letras germânicas. Com tradução de Carla Bessa. Você pode comprar o livro aqui.
A chegada de Teresa Veiga aos leitores brasileiros.
Finalista do prêmio Oceanos em 2025, Vermelho delicado reúne sete contos de fôlego em que humor, melancolia e estranhamento se entrelaçam numa atmosfera singular. Com uma prosa elegante, precisa e repleta de zonas de sombra, Teresa Veiga cria um universo de personagens femininas invulgares e situações em que a realidade parece lentamente sair do eixo, revelando fissuras no cotidiano. Três vezes vencedora do Grande Prêmio de Conto Camilo Castelo Branco, a autora portuguesa demonstra neste livro sua notável capacidade de arranhar o verniz da normalidade e reafirma sua posição de mestre da narrativa breve. O livro é publicado pela Tinta-da-China Brasil. Você pode comprar o livro aqui.
Neste romance breve e bem-humorado, Claudia Cavalcanti, escritora finalista do prêmio São Paulo de Literatura, apresenta uma história que flui com o tempo de um voo doméstico.
Nele, a jornalista Suzana Molinos está num avião lendo na revista francesa Paris 21 uma reportagem sobre os dez anos da queda do voo AF 447, que fazia sua rota entre Rio de Janeiro e Paris quando desabou no Atlântico em 2009. Não é só a curiosidade inusitada pelo tema que arrasta a atenção de Suzana para a matéria. Ao longo da leitura, ela descobre que sua vida estava muito mais intrincada com o acidente do que jamais pudera imaginar. Embora à época tivesse ouvido falar do desaparecimento da aeronave, não dera atenção por estar imersa em sua própria tragédia pessoal: a morte de seu marido no ano anterior. Didier Petit era um ornitólogo francês discreto, e morrera durante uma de suas expedições de observação de pássaros na Serra da Mantiqueira. Depois do insight provocado pela revista, porém, a percepção que Suzana tinha do casamento tranquilo com Didier se desmancha no ar. Em texto de orelha à edição, Julián Fuks afirma: “O leitor não se confunda com a aparente despretensão deste livro. Quem lê a sinopse, quem lê as primeiras linhas, pode pensar que está prestes a encarar um simples relato de viagem, passar algumas horas na companhia de uma mulher durante um voo, ver seus gestos banais, ouvir seus comentários de leitura. Grave engano [...]. Há também um outro aspecto notável neste pequeno livro: o modo como cumpre à risca algumas das propostas de Italo Calvino para as narrativas do novo milênio”. No ritmo de um thriller, deixamos a carga dramática do luto de lado e somos atraídos ora pela história de Suzana — contada por sua vizinha —, ora pela reportagem, surpreendendo-nos com as coincidências que as voltas da vida podem gerar. Entre passado, presente e futuro, a protagonista também apresenta microensaios que tratam desde a observação de pássaros até comentários sobre autores como Rosa Montero e Nelson Rodrigues. Assim, Espaço aéreo nos lança numa verdadeira viagem pelos percalços e momentos alegres de uma mulher na maturidade. Publicação da Editora Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.
Uma saga familiar sobre coragem, pertencimento e os caminhos que moldaram o Brasil.
Em uma narrativa que mistura ficção e realidade, histórias de amor, receitas de família e acontecimentos que marcaram o país, Murmúrios da terra acompanha quatro décadas da vida de homens e mulheres de diferentes origens e etnias que desafiaram o destino em busca de novas oportunidades. No centro dessa jornada estão Cecília e Palmira, duas mulheres fortes e resilientes cujas trajetórias atravessam gerações. Enquanto enfrentam desafios, perdas, preconceitos e recomeços, seus caminhos se cruzam em um Brasil em plena transformação, marcado pelo avanço da fronteira agrícola e pelos movimentos migratórios que levaram milhares de famílias a deixar as colônias do Sul e se lançar às amplitudes então solitárias do Centro-Oeste e do Norte do país. Com sensibilidade e apuro histórico, a premiada escritora Anna Mariano resgata um capítulo pouco explorado da história brasileira. Uma emocionante saga familiar sobre os murmúrios que atravessam gerações e nos lembram que a verdadeira herança de uma família não está no que ela acumula, mas nas histórias que escolhe preservar. Publicação da Globo Livros. Você pode comprar o livro aqui.
As últimas conversas de Ursula K. Le Guin.
Quando começou a escrever, na década de 1960, Ursula K. Le Guin era, em muitos aspectos, uma completa outsider do meio literário: uma mulher escrevendo em um cenário dominado por homens, uma autora de ficção científica e fantasia em uma época que considerava a literatura de gênero algo menor, e uma escritora da costa oeste dos Estados Unidos, vivendo longe dos círculos editoriais prestigiados da costa leste. As entrevistas reunidas neste volume — abrangendo impressionantes quarenta anos de produção intelectual e tratando de temas que vão de sua infância em Berkeley às reflexões de Le Guin sobre o fim do capitalismo — evidenciam essa perspectiva singular, responsável por dar origem a algumas das obras mais visionárias, duradouras e influentes da literatura moderna. Ursula K. Le Guin: a última entrevista e outras conversas sai pela Relicário com tradução de Adriana Lisboa. Você pode comprar o livro aqui.
O novo livro de Irene Vallejo no Brasil.
Um manifesto para quem acredita nos livros. Uma declaração de amor à literatura. Livros são a morada da memória e portais para imaginar o futuro. Eles aguçam nossa maior força, a criatividade: a mesma que inventou o mito de Ícaro e os aviões, que sonha o impossível para torná-lo realidade. Ler desenvolve, a um só instante, a capacidade de enxergar com os olhos dos outros e com os olhos da nossa própria mente. Mas por que ainda é preciso defender a leitura no século XXI? Em tempos de mudanças e incertezas, ler é um verdadeiro ato de resistência frente ao consumo de informação cada vez mais veloz e passivo. Irene Vallejo nos convoca a recuperar o prazer da concentração e afirma: quanto melhor desenvolvermos, por meio da leitura, a habilidade de enxergarmos pelos olhos do outro, mais sólida será a democracia que construiremos. a leitura faz parte da preparação necessária para viver em democracia. Editado em parceria entre as editoras Dublinense e Seiva, este Manifesto pela leitura é uma celebração apaixonada, para a qual estão convidados todos aqueles que acreditam no poder desses pequenos objetos que chamamos de livros: capazes de transformar as pessoas e, portanto, o mundo. Tradução de Júlia Dantas. Você pode comprar o livro aqui.
O bibliófilo e tradutor argentino Alberto Manguel entrelaça filosofia, história, religião e literatura para explorar a complexa natureza do ato de traduzir.
Definida pelo autor como um ato político e a forma mais intensa de leitura, a tradução, assim como a arte, nasce da consciência do fracasso inevitável da linguagem em alcançar a perfeição, já que cada palavra encerraria em si uma antologia de sentidos. Ao longo de 44 notas conceituais, Manguel apresenta a tradução como um ato político, uma busca incessante pela inteligibilidade, e convida o leitor a contemplar o avesso das línguas: o ponto em que o texto original e sua recriação se refletem como num espelho fragmentado. O resultado é um livro sobre a beleza do erro, a hospitalidade das palavras e a eternidade das vozes que habitam cada tradução. O avesso da tapeçaria: notas sobre a arte da tradução sai pela SESC-SP Edições. A tradução é de Jamille Pinheiro Dias. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
RAPIDINHAS
Prêmio Machado de Assis 2026. A Academia Brasileira de Letras reconheceu o conjunto da obra de Cristovão Tezza com o mais importante galardão da literatura no Brasil.
Borges babilônico. A enciclopédia organizada por Jorge Schwartz e Maria Carolina de Araújo à volta da obra de Jorge Luis Borges ganha edição revista e ampliada pela Companhia das Letras em agosto.
Octávio de Faria além da tragédia burguesa. A Faria & Silva recuperou a esgotada edição de Três novelas da masmorra. O livro reúne os textos “Memórias de um cão danado”, “O outro” e “O gato selvagem”. Esta é a terceira vez que se reedita este livro do escritor.
Fernando Pessoa e a ficção policial. Acabou de sair em Portugal — e deve chegar ao Brasil — um conjunto de textos em que o poeta de Mensagem desenvolve uma compreensão acerca do gênero, quando este ainda nem assim era reconhecido. Publicação da Tinta-da-China na ampla coleção dirigida por Jerónimo Pizarro.
OBITUÁRIO
Morreu Carlo Ginzburg.
Carlo Ginzburg nasceu em Turim, em 15 de abril de 1939. Filho do intelectual Leone Ginzburg e da escritora Natalia Ginzburg, alcançou lugar entre os mais importantes nomes da historiografia da segunda metade do século XX, como um dos mestres da micro-história, corrente formada na Itália na década de 1970 que apontou outras maneiras de ler o passado a partir do que era ignorado pela historiografia tradicional: o comum e o pormenor. Singular, nesse sentido, é O queijo e os vermes, livro de 1976 que marcou sua trajetória. A obra se centra na história do moleiro Menocchio, julgado pela Inquisição por suas crenças religiosas; por meio da leitura atenta e minuciosa dos documentos do julgamento, Ginzburg traz à superfície da história uma figura esquecida. O fio e os rastros, História noturna, Os andarilhos do bem, Nenhuma ilha é uma ilha, Olhos de madeira, Investigando Piero, Mitos, emblemas, sinais, Medo, reverência, terror e Relações de força são outros de seus livros publicados no Brasil. Agraciado com 19 títulos de doutor honoris causa, Carlo Ginzburg recebeu diversas premiações e foi traduzido para mais de vinte idiomas. O historiador morreu em 17 de junho de 2026, conforme registraram as primeiras notícias da manhã na Itália.
Morreu Raimundo Carrero.
Raimundo Carrero nasceu em Salgueiro, em 20 de dezembro de 1947. Jornalista, atuou em vários meios, com destaque para o Diário de Pernambuco, onde trabalhou por quase três décadas em várias frentes, da edição à crítica literária, passando pela chefia de redação. Foi na década de 1970 que participou, como romancista e contista, do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, e se estabeleceu no meio literário. Com o dramaturgo do Auto da Compadecida, escreveu o Romance do Bordado e da Pantera Negra. Carrero deixou vasta obra no conto, na crônica, na novela, no ensaio e no romance: A história de Bernarda Soledade, a tigre do sertão, As sementes do sol, A dupla face do baralho: confissões do comissário Félix Gurgel, Sombra severa, Viagem no ventre de Baleia, Maçã agreste — o primeiro título da Tetralogia condenados à vida, composta ainda por Somos pedras que se consomem, O amor não tem bons sentimentos e Tangolomango —, Sinfonia para vagabundos, Extremos do arco-íris, As sombrias ruínas da alma, Ao redor do escorpião… uma tarântula?, Prêmio Jabuti), O senhor dos sonhos, Os segredos da ficção, A preparação do escritor, Minha alma é irmã de Deus (Prêmio Machado de Assis e Prêmio São Paulo de Literatura), Seria uma sombria noite secreta, O senhor agora vai mudar de corpo, Colégio de freiras, Estão matando os meninos, entre outros. Raimundo Carrero morreu em 16 de junho de 2026. O comunicado da família sublinha que o escritor “se dedicou à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira”.
Morreu Telê Ancona Lopez.
Telê Ancona Lopez nasceu em Ribeirão Preto, em 2 de novembro de 1938. Com formação em Letras Neolatinas e especializações em Teoria Literária, Literatura Comparada, Literatura Brasileira e Literatura Portuguesa, construiu uma trajetória singular no estudo da obra de Mário de Andrade, sobre a qual escreveu duas teses e uma dissertação. Foi curadora do arquivo do escritor modernista desde a organização de sua obra, atuando na transcrição integral da marginália, de extensa parte da correspondência e de outros manuscritos. Apenas da correspondência, coordenou a organização de nove volumes publicados pela Edusp. Entre seus livros publicados estão títulos como Mário de Andrade: ramais e caminho, A imagem de Mário: fotobiografia, Manuel Bandeira: verso e reverso, Mariodeandradiando e Mário de Andrade, cronista do modernismo: 1920-1921. Ancona Lopez morreu em 15 de junho de 2026.
DICAS DE LEITURA
1. A vaca, de Andrei Platónov (Trad. Maria Vragova, Ars et Vita, 64p.) Nesta novela, acompanhamos o cotidiano de uma família ligada ao universo ferroviário que se organiza em torno de uma vaca, seu animal de sustento, trabalho e vínculo afetivo. Você pode comprar o livro aqui.
2. O bom mal, de Samanta Schweblin (Trad. Livia Deorsola, Fósforo, 288p.) Esta é uma coleção de contos que continua a ampliar o rico universo herdado da literatura de horror ao estilo Edgar Allan Poe. Os seis textos reunidos neste livro lidam com personagens cujas vidas são transformadas uma vez confrontadas com situações que irrompem em plena vida comum. Você pode comprar o livro aqui.
3. Revolução, de Hugo Gonçalves (Companhia das Letras, 432p.) O fim da ditadura e o renascimento da democracia em Portugal a partir do interior de uma família e seus conflitos. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Neste 20 de junho celebramos o centenário de Max Martins. O poeta, um dos destaques na sua geração vinda do Norte do Brasil, nasceu em Belém, cidade onde viveu por toda a vida, até 9 de fevereiro de 2009, e onde produziu toda a sua obra, que, segundo Benedito Nunes, se constituiu da “aventura da linguagem levada até os seus limites”. Há uma década, quando a sua obra foi redescoberta, organizou-se diversas iniciativas, incluindo este rico dossiê da revista Moara que aqui recordamos.
No blog da encerrada revista 7faces, o leitor encontra três poemas de Max Martins colhidos da sua obra completa. E, pode saber um pouco mais dessa obra, ao ler a entrada de Pedro Fernandes que editamos em nossa conta no Instagram.
BAÚ DE LETRAS
No dia 18 de junho, Lídia Jorge alcançou os 80 anos. Neste endereço, o leitor encontra as principais entradas no nosso arquivo dedicadas à escritora e sua obra. Há um breve perfil e resenhas de livros como A costa dos murmúrios, O dia dos prodígios, Combateremos a sombra e Misericórdia.
Em 2021, nossa então colunista Flaviana Silva resenhou, de Raimundo Carrero, O amor não tem bons sentimentos, livro da chamada Tetralogia condenados à vida. Leia aqui.
DUAS PALAVRINHAS
Os escritores são seres de liberdade e de libertação dos outros.
— Lídia Jorge
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