Boletim Letras 360º #697
DO EDITOR
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| Heinrich Mann. |
Inspirado nas memórias de Julia Mann, mãe brasileira do autor, nascida em Paraty, o romance de Heinrich Mann transforma uma história familiar marcada por deslocamentos e encontros culturais em uma reflexão profunda sobre identidade, liberdade e pertencimento.
O título da obra, sobretudo na Alemanha, ainda hoje causa estranhamento pelo uso da palavra “raça” aplicada a seres humanos. Mas em 1907, quando o romance foi publicado, o termo ainda não estava impregnado pela carga ideológica nefasta que adquiriria mais tarde com os desdobramentos das teorias raciais e do racismo científico. Assim, no contexto histórico de Heinrich Mann — e na trama —, estar “entre as raças” é estar entre mundos, entre culturas, entre formas de pertencimento. Essa é a realidade da protagonista, a jovem cantora Lola Gabriel. Nascida no ambiente tropical brasileiro, com diversas cenas da infância vividas em Ilha Grande, Lola é levada ainda criança para a Europa, onde se vê confrontada por normas sociais rígidas, expectativas sufocantes e uma cultura que a percebe como estrangeira. Lola constrói sua trajetória em um espaço de fronteira, aprendendo a negociar as múltiplas dimensões de sua identidade. Entre os homens que entram em sua vida — e que representam diferentes modelos de masculinidade e de poder — destacam-se duas figuras contrastantes e fundamentais na trama: Arnold Acton, poeta que simboliza a sensibilidade intelectual, e o conde Cesare Augusto Pardi, que encarna o fascínio da autoridade e do poder masculinos. Mais do que um romance de formação, Entre as raças é uma narrativa sobre emancipação. Ao acompanhar a jornada de Lola, Heinrich Mann investiga os mecanismos de controle que moldam a vida das mulheres e denuncia as estruturas patriarcais que transformam relações afetivas em instrumentos de dominação. Romance sensível, crítico e profundamente humano, Entre as raças é um testemunho literário da busca pela dignidade, pela autonomia e pelo direito de cada indivíduo a construir sua própria identidade. Publicação da Zain. Tradução de Fernanda Boarin Boechat e Paulo Astor Soethe. Você pode comprar o livro aqui.
Única peça de teatro de Zelda Fitzgerald ganha edição e tradução brasileiras.
Em uma Nova York embriagada pelo champanhe e pela fofoca das primeiras décadas do século XX, André e Flora Mezzogania são confrontados com uma exigência absurda: para receber uma herança milionária, o jovem casal — incuravelmente doméstico — precisa provar aos executores do testamento que leva uma vida imoral e escandalosa. O embate entre o desejo de uma vida simples no campo e o fardo de uma reputação construída pelos tabloides se desdobra ora no lirismo de um casamento de fachada onde o amor floresce, ora na representação farsesca das autoridades e do poder midiático. Scandalabra, de Zelda Sayre Fitzgerald é publicado pela Temporal com tradução de Marcela Lanius e posfácio de Emanuela Siqueira. Você pode comprar o livro aqui.
Antologia apresenta ao leitor brasileiro a poesia de José Toletino Mendonça.
Antologia apresenta ao leitor brasileiro a poesia de José Toletino Mendonça.
A obra poética de José Tolentino Mendonça é um dos grandes tesouros da tão exuberante e variada poesia portuguesa contemporânea. Em profundo diálogo com as vozes do século XX, não apenas seus compatriotas Fernando Pessoa, Herberto Helder e Adília Lopes, mas também com Simone Weil e Pier Paolo Pasolini, por exemplo, Tolentino publicou treze livros de poesia nas últimas quatro décadas, lado a lado com uma obra teórica que o destacou também como um dos mais importantes estudiosos de teologia. Os enigmas singulares, organizado pelo poeta e pesquisador Marcio Cappelli, profundo conhecedor da produção poética e teológica do escritor português, apresenta uma ampla mostra da poesia de Tolentino, recolhendo textos de todos os seus livros em ordem cronológica. São quase duas centenas de poemas, diante dos quais é inevitável lembrar que estamos lendo os escritos de alguém que, no mesmo ano em que estreou na poesia, tornou-se padre. Atualmente, Tolentino é cardeal da Igreja católica, mas quem tentar desatar o nó entre o poeta e o sacerdote na sua obra, em favor de um ou de outro ofício, vai fatalmente escorregar. E ainda mais se considerar que os versos dele estão subordinados à religião, porque em todos os poemas o que brilha é contrário a qualquer dogmatismo, na voz suave de alguém que não consegue nem pretende “curar-se/ de uma delicadeza infinita”. Como afirma Cappelli, “estamos diante de alguém comprometido, no duplo sentido, com e pela poesia, concebida como conjunto de ‘enigmas singulares’”. Vem daí a força admirável desse poeta. Publicação Círculo de poemas. Você pode comprar o livro aqui.
Ao misturar ficção e fatos documentados, Greame Macrae-Burnet transforma a verdade em um vertiginoso jogo de espelhos.
Ao misturar ficção e fatos documentados, Greame Macrae-Burnet transforma a verdade em um vertiginoso jogo de espelhos.
Um romance engenhoso e perturbador em que nada — nem mesmo quem o narra — é inteiramente confiável. Londres, 1965. Uma jovem sem grande experiência do mundo está convencida de que o carismático psicoterapeuta Collins Braithwaite levou sua irmã Veronica ao suicídio. Determinada a descobrir o que de fato aconteceu, ela decide se aproximar do homem que acredita estar no centro dessa tragédia. Para isso, assume uma identidade falsa e se apresenta ao consultório como paciente. Sob o nome de Rebecca Smyth, passa a registrar em cadernos cada uma das sessões, na esperança de arrancar de Braithwaite algo que possa tomar como verdade. Mas o que começa como investigação logo adquire contornos instáveis e perigosos. À medida que se aprofunda no universo do terapeuta e em seus métodos pouco ortodoxos, Rebecca se vê atraída para uma zona cinzenta em que já não pode confiar em ninguém nem ter certeza de nada, passando a duvidar até mesmo de quem ela própria é. E assim, a busca pela verdade aos poucos se dissolve em vertigem, numa espiral de tensão digna das grandes obras de Alfred Hitchcock. Intercalando os cadernos de Rebecca com uma investigação biográfica sobre Braithwaite, Estudo de caso combina romance psicológico, sátira intelectual e noir. Com humor mordaz e extraordinário controle formal, Burnet explora as fronteiras entre sanidade e loucura, realidade e fabulação, autenticidade e performance. O resultado é um livro engenhoso, perturbador e ainda assim absolutamente divertido, que confirma o autor escocês como um dos ficcionistas mais inventivos da atualidade. Publicação da editora Todavia; tradução de Bruno Cobalchini Mattos. Você pode comprar o livro aqui.
Um romance sobre o preço da liberdade, a fragilidade das utopias íntimas e o momento em que uma mulher, encurralada, precisa decidir até onde é capaz de ir para não ser devorada pelo mundo ou por si mesma.
Um romance sobre o preço da liberdade, a fragilidade das utopias íntimas e o momento em que uma mulher, encurralada, precisa decidir até onde é capaz de ir para não ser devorada pelo mundo ou por si mesma.
Rosa acredita ter encontrado, ao lado de seu companheiro Gene, um refúgio possível contra a vida opressiva da cidade: uma casa de madeira erguida com as próprias mãos, no limite entre a selva e o mar do Pacífico colombiano. Mas basta que Gene se ausente por uns dias para que esse paraíso frágil revele sua face mais inquietante. Sozinha, Rosa passa a experimentar a natureza não como promessa idílica, mas como ameaça. Animais, insetos e ruídos noturnos tornam-se sinais de perigo iminente. Mais perturbadores ainda são os homens que surgem ao redor: vizinhos ambíguos, presenças masculinas que oscilam entre ajuda e hostilidade, e cuja proximidade faz aflorar medos profundos, antigos, difíceis de nomear. O que é real? O que é projeção? À medida que a noite se adensa, Rosa se vê cercada por lembranças e uma violência latente que não vem apenas da selva, mas também das relações de poder inscritas no corpo, no desejo e na solidão feminina. Com uma prosa hipnótica e de grande força sensorial, combinando atmosferas que remetem a imaginações como as de Silvina Ocampo, Samanta Schweblin e Lucrecia Martel, Pilar Quintana constrói um relato sufocante sobre medo, desejo, vulnerabilidade e sobrevivência. Noite negra é publicado pela Companhia das Letras com tradução de Elisa Menezes. Você pode comprar o livro aqui.
Uma biografia de um dos romances centrais da obra de Mario Vargas Llosa e da literatura latino-americana.
Uma biografia de um dos romances centrais da obra de Mario Vargas Llosa e da literatura latino-americana.
Em 1963, A cidade e os cachorros, uma das obras fundamentais do Boom Latino-Americano, foi publicada em Barcelona. A construção magistral da narrativa e o realismo cru com que retratou a violência e a hipocrisia do mundo educacional e militar peruano garantiram grande sucesso de crítica e público, mas também censura, controvérsia e escândalo. Este ensaio oferece uma reconstrução abrangente da gênese, publicação e recepção do romance, iluminando facetas pouco conhecidas da biografia de Vargas Llosa, da história do Boom, do mundo editorial, da censura franquista e das conexões entre literatura e política nos anos imediatamente posteriores ao triunfo da Revolução Cubana. Indo além da versão oficial e dos mitos que cercam a história de A cidade e os cachorros, Carlos Aguirre oferece uma abordagem inovadora para a biografia de um livro e de um autor que são figuras-chave na literatura, política e cultura latino-americanas contemporâneas. A cidade e os cachorros: biografia de um romance é publicado pela Ateliê Editorial com tradução de Ulisses Capozzoli e conta com prefácio de Marisa Midori Deaecto. Você pode comprar o livro aqui.
Depois do centenário do manifesto e do livro que fez parte do nosso modernismo uma edição histórica.
Depois do centenário do manifesto e do livro que fez parte do nosso modernismo uma edição histórica.
Eis aqui um dossiê: a reprodução fac-similar da primeira edição do livro Pau Brasil (1925) e do “Manifesto da Poesia Pau Brasil” (1924), ambos de Oswald de Andrade, seguida de alguns manuscritos e outros documentos que permitem admirar a obra e acompanhar seu processo de criação. O volume é composto de duas partes. A seção “Recortes” reúne a fortuna crítica do livro no calor da hora — mais de cinquenta textos críticos publicados em jornais e revistas (1924 a 1927) —, e a seção “Entre cartas e notas” percorre a correspondência dos modernistas e as notas sociais, dando conta dos périplos do poeta, assim como dos bastidores das polêmicas. À maneira de prefácio e posfácio, dois ensaios da organizadora contemplam a obra, sua recepção e seus desdobramentos ao longo do tempo. Diante deste conjunto, confirmam-se, cem anos depois, as palavras de João Ribeiro: “O sr. Oswald de Andrade com o Pau Brasil marcou definitivamente uma época na poesia nacional”. Organizado por Gênese Andrade, Pau Brasil 100 anos: o manifesto e o livro no calor da hora sai pela Editora Unesp. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
Leviatã, de Paul Auster ganha reedição
Inflamados pela paixão política e pela sedução sexual, os passos de dois amigos escritores se cruzam e se esbarram no curso de uma intrincada rede de incidentes. Um dos protagonistas insiste na literatura, o outro opta pela ação direta. Ambos querem se fazer ouvir, ambos são apanhados pela natureza arbitrária da vida. A exemplo do que acontece nos demais livros de Paul Auster, é o acaso que tem as rédeas da história em Leviatã. Os protagonistas deste romance são dois amigos escritores que se empenham, cada um a seu modo, em fazer que o mundo os ouça. Enquanto um deles insiste na literatura, o outro opta pela ação direta e assim se condena a um fim violento. Num barracão na floresta, durante os poucos dias de que dispõe antes da chegada do FBI, o narrador tenta reconstituir a cadeia de coincidências que afastaram seu amigo e o levaram a um destino trágico. Numa dança inflamada pela paixão política e pela sedução sexual, os passos dos personagens se cruzam e se esbarram, no curso de uma intrincada rede de incidentes. Os dois escritores vivem uma rivalidade aparentemente em dois planos: o narrador cobiça a mulher de seu amigo, Sachs; Sachs inveja a obra do narrador. Fatos históricos como o terremoto de Los Angeles e a era Ronald Reagan alicerçam o turbilhão de acasos em que todos são arrastados. Ao tentar reconstituir o caminho de Sachs, o narrador também busca encontrar o sentido de sua vida. Mas as surpresas não param de vir até ele. Tudo pode acontecer. E, de um jeito ou de outro, sempre acontece. Leviatã é reeditado pela Companhia das Letras; tradução de Rubens Figueiredo. Você pode comprar o livro aqui.
O nono volume do Ciclo Tragédia Burguesa, de Octavio de Faria.
Iniciada com Mundos mortos, Os caminhos da vida, O lodo das ruas, O anjo de pedra, Os renegados, Os loucos, O Senhor do Mundo e O retrato da morte, a Tragédia burguesa é uma obra cíclica realizada em quinze volumes, nos quais, seguindo a tradição do romance ensaístico, Octavio de Faria apresenta um amplo painel da vida brasileira, em geral, e carioca, em particular. Tendo como pano de fundo o Rio de Janeiro, a Tragédia burguesa mostra um mundo congestionado pelas forças do vício e do pecado, lutando desesperadamente pela Salvação; visão essa que levou Nelson Rodrigues a declarar sua admiração pelo “poder de criação de Octavio de Faria, poder que é o maior do romance nacional”.
Uma obra que vem a ser “a mais sofrida, ousada, ampla e profunda experiência no gênero a que o Brasil assistiu desde a morte de Machado de Assis”, segundo Afonso Arinos de Melo Franco, ou, nas palavras de Rachel de Queiroz, uma “obra sem par na nossa história literária, espero seja muito mais duradoura do que qualquer outro monumento em pedra ou bronze. Estamos realmente em contato com um romance, e com um grande romance”, pois Octavio de Faria dá a seus personagens “uma vida, uma atualidade, uma percussão, um duplo palco que intensifica extraordinariamente o significado intrínseco dos episódios”, como escreveu Tristão de Athayde. Com O retrato da morte, a Editora Sétimo Selo dá continuidade à reedição ao ciclo de “um grande romancista, que com suas admiráveis forças criadoras, conseguirá entusiasmar todo leitor bem intencionado”, como escreveu Mário de Andrade. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
Inédito de Vladimir Nabokov. Sai pela Alfaguara, com tradução de Jorio Dauster, Glória. Trata-se de um dos primeiros livros do autor, escrito em russo e publicado em 1932 no exílio em Paris.
O verso segundo Olavo Bilac e Guimarães Passos. A editora BEC reedita o Tratado de versificação assinado pelos dois autores. A nova edição inclui prefácio de José Francisco Hillal Botelho.
Da Contemporânea. A Pinard publica em agosto O gosto da liberdade, do venezuelano Alejandro Puyana. O romance investiga as promessas e frustrações dos projetos revolucionários no país do autor. Sai com tradução de Lígia Azevedo.
O deus das pequenas coisas. O livro que colocou a literatura de Arundhati Roy em destaque regressa aos leitores brasileiros, agora, pela editora Record.
OBITUÁRIO
Morreu Slavenka Drakulić.
Slavenka Drakulić nasceu em Rijeka, na Croácia, em 4 de julho de 1949. Sua vida literária teve início no fim da década de 1970, quando era estudante na Universidade de Zagreb. Sua obra está entre as mais relevantes do século XX em seu país, e Drakulić foi uma das primeiras vozes a rediscutir o feminismo e a trazê-lo para o debate intelectual croata, além de escrever sobre os traumas de uma sociedade que atravessara os terríveis anos do comunismo e do nacionalismo. Essas posições motivaram ataques públicos dirigidos também contra outras mulheres de sua geração, como Jelena Lovrić, Rada Iveković, Vesna Kesić e Dubravka Ugrešić. Depois de ameaças, a escritora viu-se forçada a deixar o seu país e refugiou-se, durante a década de 1990, na Suécia. Entre seus primeiros livros estão o ensaio Os pecados mortais do feminismo e o romance Hologramas do medo. Deixou uma vasta obra, entre o romance e o ensaio. Inédita no Brasil até agora, Não faziam mal a uma mosca e Como sobrevivemos ao comunismo sem perder o sentido de humor estão entre seus livros disponíveis em língua portuguesa. Drakulić morreu em 20 de junho de 2026. Por que nunca aprendi a cozinhar, obra em que cruza gastronomia e feminismo, acabara de ser publicada.
DICAS DE LEITURA
1. Gliff, de Ali Smith (Trad. Camila von Holdefer, Amarcord, 256p.) Uma família de inverificáveis precisa se desfazer para sobreviver a uma sociedade marcada pela supervigilância e o controle. Você pode comprar o livro aqui.
2. O espelho do mar seguido de Um registro pessoal, de Joseph Conrad (Trad. Celso Mauro Paciornik, Iluminuras, 288p.) Dois textos em que o autor de algumas das obras mais consagradas da literatura registra memórias de sua vida. Você pode comprar o livro aqui.
3. Seis problemas para Dom Isidro Parodi; Duas fantasias memoráveis, de Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares (Trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro, Biblioteca Azul, 185p.) Um dos três livros escritos em colaboração heteronímica entre Borges e Bioy. Um astuto investigador encarcerado e mesmo assim capaz de solucionar casas a partir de depoimentos e pistas recolhidas de interrogatórios. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Os Cadernos de Literatura Brasileira foram publicados pelo Instituto Moreira Salles entre 1996 e 2012. Foram 27 edições concebidas como um conjunto monográfico destinado a trazer entrevistas com escritores, textos analíticos, uma cronologia exaustiva e um minucioso levantamento bibliográfico de obras e fortuna crítica. Aos poucos, todos as edições têm saído online. Esta semana foi a vez da edição dedicada a Machado de Assis. Acesse aqui.
BAÚ DE LETRAS
Recordamos Kenzaburo Oe. Em 2023, Cláudia Ayumi Enabe escreveu para o Letras este ensaio à volta da obra do escritor japonês.
DUAS PALAVRINHAS
DUAS PALAVRINHAS
O intelectual que se acomoda à casta dominante trai o espírito.
— Heinrich Mann
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