Boletim Letras 360º #699
DO EDITOR
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| Emmanuel Carrère. Foto: Manuel Braun. Reproduzida a partir de The Observer |
LANÇAMENTOS
Emmanuel Carrère volta ao terreno da memória familiar para reconstruir a saga de seus antepassados, com destaque para a conturbada relação com a mãe, a historiadora Hélène Carrère d'Encausse.
Entre os Carrère, quando as três crianças se reuniam em torno da mãe, diziam que estavam brincando de colcoz, palavra de origem russa que designa as fazendas coletivas soviéticas. Colcoz é a memória de uma família ao longo de quatro gerações, abarcando mais de um século de história, russa e francesa, até chegar à guerra na Ucrânia. É também o livro mais íntimo de Emmanuel Carrère: um retrato familiar apaixonado que tem início com o funeral de sua mãe, importante intelectual, primeira mulher a presidir a Academia Francesa e reconhecida pesquisadora da história russa. Sua morte, em 2023, levou o autor a revisitar uma coleção de arquivos, cartas e fotografias do pai, um apaixonado por genealogia, que constituem o ponto de partida desta investigação. Este relato — que combina lembranças comoventes, reviravoltas, segredos inconfessáveis, anedotas inesperadas e geopolítica — é um romance que transita entre a memória e a história, uma ode sobre a vida, a morte e o amor filial. Ao mesclar confissão, investigação e reflexão histórica, Carrère reafirma seu inconteste talento para transformar experiências pessoais em obras de cunho universal. O livro sai pela Alfaguara com tradução de Mariana Delfini. Você pode comprar o livro aqui.
A loucura coletiva e o horror são temas recorrentes na obra de Leonid Andrêiev (1871-1919), um dos autores russos mais lidos no início do século XX e cuja obra tem sido pouco publicada nas últimas décadas no Brasil. Edição apresenta dois de seus textos principais com tradução é de Érika Batista e posfácio de Elena Vássina.
“O riso vermelho — fragmentos de um manuscrito encontrado” (1904) foi motivado pela Guerra Russo-Japonesa de 1904 e escrito durante o conflito. Considerada a primeira manifestação do expressionismo na literatura russa, a novela é composta por trechos de manuscritos supostamente deixados por um oficial da artilharia ao retornar ferido do front, e de seu irmão, que não lutou mas também foi psicologicamente impactado pela guerra. O relato, em fragmentos, se inicia com cenas extremamente realistas das batalhas, mas logo vai assumindo um ritmo quase febril, misturando delírio, insanidade e horror psicológico. Um ambiente de irrealidade e alucinações toma conta dos combatentes, extenuados e famintos, que se movem pelo campo de batalha como autômatos, rodeados de mortos e poças de sangue. Nesse momento, Andrêiev não se refere mais apenas ao conflito com o Japão, mas a todas as guerras e às crises de loucura coletiva que acometem periodicamente a humanidade. Já em “O Rei Fome — espetáculo em cinco cenas com prólogo” (1908), um grupo de operários que trabalham sob o barulho incessante das máquinas no ambiente insalubre de uma fábrica é incitado, pelo próprio rei, a se revoltar. O monarca sabe que essa população pobre e faminta é sempre a vítima dos próprios protestos. A vida desse povo explorado é regida por três personagens que representam as principais instâncias do poder: o Rei Fome, a Morte e o Tempo. Este é um dos exemplos mais radicais do teatro político e visionário de Andrêiev ao dramatizar o sofrimento dos trabalhadores no contexto das tensões revolucionárias da Rússia pré-1917. Lançada numa época em que o autor desfrutava de bastante sucesso com o público, a peça foi censurada e teve sua encenação proibida ao longo de toda a vida do autor. Em 1921, o futuro cineasta Sergei Eisenstein, então cenógrafo de teatro, chegou a fazer esboços e ilustrações para a peça, mas a montagem também foi proibida. Se hoje seu nome é menos familiar para boa parte dos leitores não russos, entre 1900 e 1920 Andrêiev rivalizava, em popularidade, com autores como Anton Tchekhov e Liev Tolstói, tanto na Rússia como fora dela. Também no Brasil, segundo o tradutor e crítico Irineu Franco Perpetuo em “Como ler os russos”, a “inserção brasileira” de Andrêiev foi maior nos primeiros surtos da “febre de eslavismo” no país, na primeira metade do século XX. Sua obra mais conhecida por aqui é a peça Os sete enforcados (1908), que continuou a ser traduzida e editada nas décadas seguintes. Reunidos em um só livro, os dois textos saem pela editora Carambaia. Você pode comprar o livro aqui.
O novo romance de Carla Madeira explora temas como maternidade, culpa, homofobia e violência no Brasil da década de 1980.
Anunciado pela editora Record como romance marcado pela riqueza de recursos formais, porque se tornou a escritora mais vendida do país, em Quando Viridiana é a mãe amorosa e atenta de Margarida, Valquíria e Tito. No calor de um acontecimento trágico, será capaz do ato impensado: denunciar o próprio filho à polícia, o que abre um abismo entre eles. Depois de vinte anos sem se verem, quando o tempo parece ter dissolvido todas as possibilidades, somos colocados diante da extraordinária força dos afetos. Você pode comprar o livro aqui.
Vencedor do Prêmio Goncourt de Primeiro Romance em 2025, livro de Simon Chevrier, é um dos romances de estreia mais celebrados na França recentemente e é lançado no Brasil.
Em plena pandemia da covid-19, um jovem francês passa a trabalhar como garoto de programa para fechar as contas do mês. Entre encontros marcados por aplicativos e empregos precários, ele vê, na cabeceira de um date, o retrato de um desconhecido: uma fotografia feita por Peter Hujar em 1981, do jovem Daniel Schock, hoje quase desaparecido dos registros históricos. A fotografia vira obsessão. Ao mesmo tempo que passa a investigar quem foi o homem da foto, ele se vê confrontado ao desaparecimento gradual do pai, à fragilidade dos seus relacionamentos e ao fim da sua fé no futuro.
Chevrier aproxima duas épocas marcadas pela perda: a pandemia vivida pelo protagonista e a sombra da epidemia de aids que atravessa a obra de Hujar. A prosa é fragmentada, como se cada trecho fosse uma foto, e o romance transforma imagens e lembranças em resistência ao esquecimento. Com tradução de Alexandre Rabelo, o livro é publicado pela editora Ercolano. Você pode comprar o livro aqui.
Um homem relembra sua infância mágica não só como uma época passada, e sim como uma possibilidade perdida.
Em A infância do mago, Hermann Hesse oferece um relato autobiográfico de um menino que carregava a centelha do extraordinário, mas foi ofuscado pela realidade da vida adulta. O livro narra o despertar de um menino em sua infância campestre no fim do século XIX. A obra data de 1922, quando Hesse chegava aos quarenta e cinco anos e ingressava na fase mais madura de sua criação literária. Engana-se quem pensa que esse breve e encantador relato é uma tentativa de resgatar lembranças de uma fase tranquila e bucólica. Este conto, ou fábula autobiográfica, funde o registro estilístico e os temas que Hesse veio a abordar em sua obra literária. Cercado por macieiras, sol, chuva, rios e bosques — em comunhão com a natureza e com os animais — o menino acredita viver no paraíso. Sua família inteira gira em torno do avô materno, um homem sábio e erudito, que intriga e apazigua o garoto. E o centro da casa é o gabinete de estudos do avô, um espaço físico fechado, mas que, ao mesmo tempo, funciona como uma porta para o mundo, especialmente para a Ásia — seus idiomas, suas religiões e sua cultura. Ao longo das páginas deste emocionante conto, vemos o menino, cujo sonho era ser mágico, aos poucos desprender-se das fantasias infantis — seja pela maturidade exigida frente a determinadas situações ou pela perda da inocência — e ser capturado pela vida adulta, forçado a se curvar diante daquela nova realidade. As memórias do Prêmio Nobel de Literatura se misturam aos registros dessa criança que tinha especial admiração pela arte de se tornar invisível, mas que, aos poucos, foi deixando de lado a ideia da invisibilidade sob um manto mágico em prol da invisibilidade do sábio, que conhece tudo e nunca é reconhecido. Tradução de Samuel Titan Jr. Publicação da editora Record. Você pode comprar o livro aqui.
Rachel Kushner faz de um thriller de espionagem um romance tenso e deslumbrante.
Rachel Kushner faz de um thriller de espionagem um romance tenso e deslumbrante.
Uma espiã de 34 anos e táticas implacáveis, enviada à França para fazer o trabalho sujo de seus empregadores. É assim que “Sadie Smith”, a narradora de O lago da criação, chega a uma comuna rural de eco-subversivos, com a missão secreta de observá-los. E é assim que ela seduz Lucien, num encontro encenado que seu amante parisiense acredita ter sido apenas acidental. Como é o caso de todos os seus alvos, Lucien será usado por ela apenas enquanto for útil. Grande estrategista e mestra da dissimulação, Sadie obedece às ordens de seus contatos: misteriosos empresários e agentes sombrios do governo que a utilizam para provocar e desestabilizar seus alvos, seja quem forem. Numa região de fazendas e cavernas pré-históricas, Sadie conhece o enigmático Bruno Lacombe, mentor dos jovens ativistas e que supostamente mora numa rede de cavernas da região. Para Lacombe, o caminho rumo à emancipação estaria não na revolta aberta, mas num retorno ao passado ancestral da humanidade. Estaria Sadie, acostumada a manipular e a conduzir seus alvos de acordo com os próprios desígnios, caindo no jogo de Lacombe? Conforme ele a seduz com suas histórias engenhosas, seus lamentos criativos e sua própria e trágica história, nada mais é o que parece. Publicação da editora Todavia; tradução de Fernanda Abreu. Você pode comprar o livro aqui.
Nova tradução e edição de um dos principais livros de Álvaro Mutis.
É em A neve do almirante que Álvaro Mutis apresenta aos leitores Maqroll, o Gajeiro, um dos personagens mais fascinantes da literatura latino-americana. Em meio a uma viagem por um rio remoto e caudaloso, em algum lugar dos trópicos americanos, Maqroll registra em seu diário os encontros, as paisagens, as expectativas e os fracassos que marcam sua travessia em busca de um empreendimento tão promissor quanto incerto. Com uma prosa hipnótica e profundamente poética, Mutis transforma uma expedição fluvial em uma reflexão sobre o desejo, a errância, a amizade e a inevitabilidade da derrota. Entre a aventura e a meditação existencial, o livro conduz o leitor por um universo em que as fronteiras entre geografia, memória e destino se tornam cada vez mais fluidas. Primeiro romance do ciclo dedicado a Maqroll, o Gajeiro, esta obra consagrou Álvaro Mutis como uma das grandes vozes da literatura em língua espanhola e permanece como um clássico incontornável da literatura latino-americana contemporânea. Publicação da editora Pinard e tradução de André Aires. Você pode comprar o livro aqui.
Livro de contos de Damián González Bertolino que venceu o prestigioso prêmio uruguaio Narradores de la Banda Oriental, em 2009, chega aos leitores brasileiros.
O conto que dá nome ao livro, “O incrível Springer”, narra a construção da amizade de dois adolescentes, na Punta del Este dos anos 1950, com todos os prazeres e complexidades que esta fase da vida apresenta. No caso dos protagonistas, as complexidades são potencializadas quando Gastón Springer é acometido por uma anomalia, ao melhor estilo kafkiano. O fio narrativo é construído a partir da ideia de que há palavras que, escutadas pela primeira vez, permanecem associadas a um lugar, a um tempo. É desta forma que o autor nos prende entre tartarugas gigantes, anomalias raras, jogos de futebol, a areia das dunas, enigmas, disputas, o mar e o cadáver de um leão-marinho. Com tradução de Maria Luiza Silveira, o livro é publicado pela editora Arte & Letra. Você pode comprar o livro aqui.
Aimé Césaire revisita a história do ex-escravizado, general e líder da revolução Haitiana, Toussaint Louverture.
Toussaint conduziu a transformação de uma revolta de escravizados em um dos acontecimentos mais decisivos da modernidade. Em São Domingos, então a mais rica colônia da França, sua atuação se entrelaça à da Revolução Francesa: enquanto em Paris se proclamavam os ideais de liberdade e igualdade, nas colônias esses princípios esbarravam na realidade da escravidão. Ao narrar e analisar a trajetória de Toussaint Louverture, protagonista da primeira revolução negra vitoriosa da história, Aimé Césaire mostra como a luta pela emancipação, que resultou na independência do Haiti, trouxe para o centro dos debates da época as contradições e a violência da máquina colonial, alterando de forma inédita os alicerces do sistema escravista atlântico e os rumos da história mundial. Toussaint Louverture: a Revolução Francesa e o problema colonial sai pela Bazar do Tempo. A tradução é de Leo Gonçalves. O livro conta com prefácio de Tiganá Santana. Você pode comprar o livro aqui.
Banu Mushtaq e o cotidiano de mulheres e meninas nas comunidades muçulmanas do sul da Índia.
Publicados originalmente em canarês, esses retratos das tensões familiares e comunitárias foram inspirados nos anos em que Mushtaq trabalhou como jornalista e advogada, período no qual defendeu incansavelmente os direitos das mulheres e protestou contra todas as formas de opressão religiosa e de casta. Escrito em um estilo ao mesmo tempo espirituoso, coloquial e contundente, é em suas personagens — as crianças cheias de energia, as avós audaciosas, os irmãos machistas, os maridos muitas vezes infelizes e, acima de tudo, as mães, que sobrevivem aos próprios sentimentos a um custo altíssimo — que Mushtaq se revela uma surpreendente observadora da natureza humana, alcançando picos emocionais desconcertantes. Coração iluminado celebra um triplo pioneirismo: foi a primeira antologia de contos a vencer o International Booker Prize, conquistou o primeiro prêmio para a literatura em canarês e também a primeira vitória de uma tradutora indiana, Deepa Bhasthi, na história da premiação. Com tradução de Júlia Dantas, o livro é publicado pela editora Instante. Você pode comprar o livro aqui.
O novo livro de Paloma Vidal. Quem sabe dançar reúne oito contos.
Ao longo de sua obra, Paloma Vidal construiu uma escrita marcada pelo deslocamento: entre países e línguas, entre a memória e o presente, entre a experiência vivida e sua reinvenção pela literatura. Entre a afirmação e a pergunta, seu novo livro parece nascer de um gesto de aproximação: são escritos dirigidos a alguém — uma irmã, uma amiga, uma amante, uma autora admirada, um interlocutor distante — e fazem da interlocução não apenas um tema, mas um princípio formal. Cada narrativa é atravessada pela tentativa de alcançar o outro, de vê-lo e de se deixar ver. Não se trata, porém, de uma literatura da confidência. O que interessa aqui não é a revelação de uma intimidade, mas os modos pelos quais as relações se transformam em linguagem. Viagens, traduções, cartas, áudios, livros lidos em trânsito, encontros e desencontros amorosos, lembranças familiares: tudo se converte em matéria narrativa, sem perder a sua condição de experiência em movimento. Conto, ensaio, diário, memória, conferência, carta de amor... As formas se aproximam umas das outras, numa espécie de dança, criando novos sentidos. Em “Ensaio de voo”, a partida da irmã desencadeia uma reflexão sobre exílio, pertencimento e liberdade. “A contiguidade dos mapas” explora as geografias afetivas que ligam línguas, cidades e histórias pessoais. Em “Segundo retorno ao México”, a tradução, a amizade e o desejo compõem um delicado inventário das perdas e dos encontros. “A camisa rosa” transforma a distância amorosa em voz, ritmo e corpo, numa escrita que procura preservar a intensidade do desejo sem aprisioná-lo. Com seu estilo muito particular de cativar o leitor, criando logo uma intimidade que parece diluir as fronteiras entre o escrito e o vivido (será?), os textos de Paloma refletem sobre si mesmos (sobre nós) enquanto avançam. Duvidam, corrigem o rumo, recuam, retomam um detalhe aparentemente secundário até que ele revele uma dimensão inesperada. Essa atenção ao processo faz com que a leitura acompanhe não apenas uma história, mas o próprio surgimento de um olhar sobre ela. Entre a pergunta e a afirmação, entre o que pode ser e o que é, Quem sabe dançar abre um espaço de expectativa, de convite: não para encontrar respostas, mas para acompanhar os movimentos de uma escrita que faz da proximidade, da escuta e da incerteza um jeito singular de ler o mundo. Publicação da 7Letras. Você pode comprar o livro aqui.
O novo livro da Coleção Estudos Saramaguianos.
Em O espaço da memória em José Saramago, de Denise Noronha Lima, professora e pesquisadora do escritor português, entre outros escritores a que foram dedicados outros estudos, encontramos originalmente uma Tese de Doutoramento em Literatura Comparada, compreendendo vertentes críticas como: Escrita Autobiográfica, Memória, História, a perfazerem categorias essenciais a uma investigação tanto formal, incluindo-se minucioso detalhamento dos recursos discursivos, quanto o alcance estético da linguagem de José Saramago (1922-2010). O alinhamento entre os recursos formais e estéticos da obra examinada em seu conjunto, tanto observando o caminho cronológico de escrita, entre tantas atividades desenvolvidas pelo escritor, quanto o domínio estético, alcançado na poesia e na prosa, o alinhamento, constatamos, aponta a formação rigorosa e apaixonada da pesquisadora, mas, igualmente acompanha uma trajetória que, necessariamente, destaca os inícios, desde 1947, com Terra do pecado, ao fechamento de uma escrita até tornar-se um estilo, com Caim, de 2009, e póstumas. O estudo criativo, que agora alcança um público mais diversificado, reúne alguns conhecimentos para a ciência do homem, ou ciência de compreensão do humano, através da arte, em destaque, a arte literária: com tais exigências, a pesquisa de Denise Noronha Lima com as categorias elencadas, foge a uma designação apressada, de crítica motivada pela proximidade com a obra; ou seja, o estudo ultrapassa a visão de que biografia, memorialismo se bastariam da subjetividade do autor, com apoio em rastros da vida, de confissões, de depoimentos pessoais, correspondências e afins. A crítica biográfica cultiva uma reunião de critérios que o estudo criativo exige; ou seja, para além das impressões de autor e leitores, assinala as perguntas que alicerçam a diferença: conhecer quando aconteceu a construção de cada obra em análise; por que a feitura daquela obra se impôs imperiosamente diante do autor, imiscuindo-se em sua vida, tomando-a tão completamente; as circunstâncias que envolvem a vida também se fazem coadjuvantes e interlocutores fazem-se de vozes no colóquio de narradores. (Odalice de Castro Silva) O livro é publicado pela editora Moinhos. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
Reedição revista e ampliada de um projeto colossal Borges babilônico.
Sob a coordenação de Jorge Schwartz e Maria Carolina de Araújo, dezenas de especialistas brasileiros e estrangeiros produziram mais de mil verbetes, compondo uma espécie de enciclopédia que ajuda a decifrar nomes, referências, temas e citações que aparecem nos textos de Jorge Luis Borges (1899-1986). Com textos de Ricardo Piglia, Beatriz Sarlo, Davi Arrigucci Jr. e muitos outros, Borges babilônico leva o leitor a inventar novos caminhos e sentidos para a obra de um dos escritores-chave do século XX. Reedição da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Nova edição de livro de Samuel Beckett editado pela extinta Cosac Naify.
Concebida em 1954 e finalizada em 1956, após a explosão criativa que trouxe Esperando Godot e sua trilogia de romances, Fim de partida custou várias reescritas até alcançar sua versão final, cultuada como uma das grandes obras de Beckett e a peça preferida do autor. “A vida inteira as mesmas perguntas, as mesmas respostas”, comenta Clov, um personagem desta peça que é central no cânone beckettiano e que traz muitas de suas principais marcas: notadamente, o riso em meio ao aparente absurdo da frágil condição humana moderna. A frase de Clov sinaliza a repetição doentia a que parecem estar condenados a viver os personagens em Fim de partida. No cenário inspirado pela atmosfera opressora do pós-guerra, encontramos Hamm em uma cadeira de rodas que pergunta pelo fim que nunca chega, enquanto Clov o auxilia nas tarefas mais banais, em uma relação complexa de amor e ódio sadomasoquista. Enfatizando o clima angustiante estão os pais de Hamm, Nagg e Nell, que vivem mutilados dentro de latões de lixo. Publicação da Companhia das Letras; tradução de Fabio de Souza Andrade. Você pode comprar o livro aqui.
RAPIDINHAS
As memórias de Sergei Eisenstein. A Ars et Vita anunciou que prepara a edição definitiva de Yo em português. Traduzidas diretamente do russo por Irineu Franco Perpétuo, o livro é comentado por Naum Kleiman, traz introdução de Luis Felipe Labaki e centenas de imagens.
Vozes de Cortázar. A 7Letras publica um livro com quatro entrevistas célebres concedidas pelo escritor argentino em televisões da Argentina e da Espanha entre 1977 e 1983. Trabalho (transcrição, organização e tradução) de Cassiano Viana.
Cartas inéditas de Proust 1. A Biblioteca Nacional da França com a Honoré Champion publicaram um conjunto de cartas recentemente adquirido pela instituição. O material cobre os anos de 1886 a 1922 e inclui notas, rascunhos de cartas não enviadas ou devolvidas.
Cartas inéditas de Proust 2. Entre os destaques da publicação organizada por Julie André, Sophie Duval e Guillaume Fau estão rascunhos da vida doméstica, um poema em prosa dedicado a Reynaldo Hahn, uma declaração de admiração para Blaise Cendras e um carta de ruptura endereçada a Alfred Agostinelli.
Ainda Orides. A Cult publica Heranças de Orides Fontela. Organizado por Patrícia Lavelle, o livreto reúne oito ensaios e uma reportagem de Victor Kutz. É o material revisto e ampliado do dossiê publicado em 2020 pela revista.
DICAS DE LEITURA
1. Tudo sobre Deus, de José Eduardo Agualusa (Tusquets Editores, 160p.) Um geólogo e respeitado poeta angolano compra uma igreja abandonada no deserto do Namibe para um retiro de silêncio e escrita à procura diversa: de si, da filha desaparecida, da fé, da palavra. Você pode comprar o livro aqui.
2. Diante da manta do soldado, de Lídia Jorge (Autêntica Contemporânea, 200p.) Um romance e três títulos — será este o definitivo? Uma mulher mergulha numa jornada de resgate da memória e dos laços familiares, marcada pela ausência do pai. Você pode comprar o livro aqui.
3. De jogos e festas, de José J. Veiga (Companhia das Letras, 224p.) Três novelas em que um mestre do fantástico apresenta três histórias que fogem do banal pela maneira como explora, com humor e inteligência, o inesperado que irrompe do cotidiano. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
Voltou a circular na web uma entrevista concedida por Lygia Fagundes Telles no dia seu aniversário de 1977 para o programa de TV Bom Dia São Paulo. A escritora participou do quadro Café da manhã com a repórter Sumika Yamasaki. E nós recortamos um pedacinho da conversa em que ela discorre sobre o antes e o depois da escrita de um livro. Está aqui.
BAÚ DE LETRAS
Anunciado e em pré-venda, o romance de Simon Chevrier foi lido e resenhado por Pedro Fernandes. O texto ainda se encontra na superfície do nosso baú — aqui.
Depois de referir os inéditos papéis de Proust, vale recordar outros, os literários. Em maio de 2025, a nossa colunista Gabriella Kelmer resenhou a antologia O fim do ciúme e outros contos.
É também dela a resenha de Um romance russo, outro dos livros de outro francês agora em alta no Brasil — Emmanuel Carrère. O texto saiu no Letras em outubro de 2024.
DUAS PALAVRINHAS
Um escritor escreve o que sabe de formas naturais a ele.
— Mo Yan
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