Canto noturno de um pastor errante da Ásia: comentário e tradução
Por Thiago Teixeira O homem não passa de um caniço, o mais débil da natureza; mas é um caniço pensante. — Pascal Edvard Munch, Melancolia . “É preciso saber esquecer”. Esta bela frase é o do Nietzsche da “Segunda consideração extemporânea”: Da utilidade e desvantagem da história para a vida . Ele inicia o texto com uma imagem: o homem no alto de sua superioridade depara-se com um rebanho de animais e os inveja. Inveja-os, pois percebe que eles não se curvam ao peso do tempo, eles não têm uma noção de passado, uma memória, uma lembrança, e, por isso, estão aptos para a felicidade. Os animais são capazes de se esquecer, já o homem, ser histórico, é abatido pelo mal de Funes, el Memorioso e chega mesmo a viver de memórias, acumulá-las como um colecionador. Acontece que, para a felicidade, diz então Nietzsche, é preciso fazer concessões nessa postura excessivamente histórica: é preciso saber esquecer: “Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que ...