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Mostrando postagens com o rótulo A Divina Comédia

Uma passagem pelos infernos políticos de Dante

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Por Raúl Rojas Dante e Virgílio no inferno. Gustave Doré. A divina comédia é um livro alucinante. O famoso florentino Dante Alighieri levou décadas para retrabalhar a história alegórica que terminou, pouco antes de sua morte em 1321. A obra é difícil de ler, pois em seus versos Dante faz referências veladas a uma infinidade de motivos religiosos e da mitologia grega. Além disso, passa em revista muito dos seus muitos inimigos colocados nos níveis apropriados de punição no inferno. Para ler a obra sem as anotações necessárias, seria preciso ter vivido naquela época e estudado história e teologia. Hoje é altamente recomendável usar uma versão anotada, talvez com a versão italiana contraposta a tradução, e incluindo as fabulosas ilustrações de Gustave Doré.   Dante foi um homem político: exilado de Florença no calor das disputas públicas das quais participou, aí viveu até sua morte. Talvez seja por isso que Dante reservou a antessala do inferno para os indecisos e para aqueles que não...

Dante nas artes plásticas

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Por Felipe Jiménez   A Biblioteca Apostólica Vaticana de Roma e o Museu de Impressões e Desenhos de Berlim guardam um verdadeiro tesouro do Renascimento. Foi necessária a intervenção de três gigantes de seu tempo para que esta obra-prima viesse à luz: Dante Alighieri (Florença, 1265-Ravena, 1321), autor de A divina comédia , obra fundacional da literatura em língua italiana; Lorenzo di Pierfrancesco de Médici (Florença, 1463-1503), mecenas e grande protetor dos artistas; e Sandro Botticelli (Florença, 1445-1503), pintor de algumas das obras mais emblemáticas do Renascimento e um dos criadores que mais contribuíram para o esplendor de Florença. Para a concepção desta obra, Dante contribuiu com a inspiração temática; Lorenzo de Médici, com o convencimento sobre a necessidade de representar o poema e os meios para isso; e Botticelli que colocou todo seu gênio criador a serviço de um projeto que era um verdadeiro desafio.   O artista imortalizaria a beleza em criações como O nasci...

Por que somos dantescos?

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Por José María Mico Dante e Virgílio caminham entre os sepulcros abertos que findam o dia do juízo final. Ilustração de Sandro Botticelli para  A divina comédia , 1480-1495. Canto X, do “Inferno”.   Há pouco mais de um ano, as imagens dos caixões chegando em grande quantidade ao Palácio de Gelo de Madrid tornaram inevitável a memória de uma das ilustrações que Sandro Botticelli preparou para o seu inacabado mas impressionante projeto iconográfico da Comédia . O que Dante e Virgílio veem ao cruzar as muralhas da capital do inferno e entrar no sexto círculo é uma grande extensão de tumbas, e o autor a compara as das necrópoles de Arles e de Pula, famosa e relativamente próxima de seus primeiros leitores.   Em tempos de incerteza, as fotos de Madrid pareciam uma performance pós-moderna do juízo final e eram, à sua maneira, uma citação de Dante. Porque a Comédia é uma obra medieval carregada de futuro. Nos sete séculos que nos separam da morte de seu autor, foi copiada,...

A eternidade de Dante Alighieri

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Por que lemos Dante Por Matthew Pearl Domenico di Michelino.  La Commedia ilumina Firenze . (1465) Catedral de Florença. Santa Maria del Fiore.  Nunca existirá outro Dante. Não apenas porque Dante Alighieri, o poeta florentino do século XIII, foi um gênio irrepetível, mas também porque as condições modernas provavelmente não poderiam levar ao aparecimento de um novo Dante. Considere a personalidade de Dante, que, pelo pouco que sabemos, provavelmente era um tanto intolerante. Estava muito certo de possuir razão, em tudo. Tinha certeza de sua teologia católica idiossincrática e do seu sistema de valores, que diferia o suficiente dos ditames oficiais do Vaticano tanto que alguns de seus escritos foram proibidos; estava certo o suficiente sobre sua própria compreensão dos assuntos religiosos para descrever o território inexplorado do purgatório e nos dizer como a Santíssima Trindade deveria se parecer; tinha certeza de que diferentes religiões estavam erradas ao colocar seus lí...

Dante e a experiência

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Por Marco Perilli Gustave Doré. Dante. Ilustração para o Canto I de A divina Comédia , 1861.   Embora o rosto meu, qual por um calo, agora pelo frio, qualquer evento estivesse impedido de afetá-lo,   ainda me pareceu sentir um vento¹   Assim é como o peregrino, chegado ao centro da Terra, percebe a presença de um limite tenebroso, algo que atemoriza e o enche de terror. Não ignoro o que acontecerá. Encontro-me a poucos metros de profundidade. Dante, por sua vez, suspeita, deduz, pergunta ao seu guia; seguramente teme alguma coisa. Tem medo, muito medo. Viu alguns gigantes que distante pareciam torres: um deles lhe acenou com a mão, junto com Virgílio, para descer até ao fundo do abismo. Agora sopra um vento frio, que lembra o inefável. Ou algo tão físico e concreto como o espasmo do homem que encara o possível.   pelo que eu: “Mestre, eu sinto algo mover; não é isto aqui de todo sopro isento?”   E ele a mim: “Poderás logo saber; teu próprio olhar vai te dar a r...