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Mostrando postagens com o rótulo Julio Cortázar

Julio Cortázar, no princípio foi a poesia

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Por José María Plaza Julio Cortázar, 1972. Foto: Gisèle Freund Se alguém quisesse hoje se aproximar da magnífica obra e figura de Julio Cortázar de forma bastante completa (embora não exaustiva), eu recomendaria três livros: o romance O jogo da amarelinha , uma ampla seleção de seus contos (dispersos por tantos títulos, importantes e menos conhecidos) e sua poesia. Não devemos esquecer que Cortázar começou a escrever poesia aos 12 anos, e a poesia (a sua poesia) está entrelaçada, de uma forma ou de outra, em seus contos e até mesmo em seus romances.  Existem inúmeras edições de O jogo da amarelinha e de seus contos, mas sua poesia durante muitos anos foi escassa de encontrar. O único livro do gênero que sobreviveu foi uma edição ilustrada de Pameos y meopas , da editora Nórdica, que por sua vez era uma reimpressão desse pequeno livro publicado pela coleção Ocnos em 1971 e que nos deu a oportunidade de vislumbrar o poeta Cortázar, já que ele era visto anteriormente apenas como um f...

Balada do velho amor

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  Cristina Peri Rossi e Julio Cortázar, Paris, 1973. Foto: Julio Cortázar.   Em 2014 foi comemorado o centenário do nascimento de Julio Cortázar e os trinta anos de sua morte. Como de costume, multiplicaram-se as publicações e eventos referentes ao autor belgo-argentino. Além de seu lugar privilegiado no chamado boom da literatura latino-americana dos anos sessenta, acrescenta-se a suas características especiais como escritor e como personagem, que o tornaram atrativo para as novas gerações de leitores. Já se disse que Cortázar, além de ser apreciado por sua literatura, é também amado. Essa relação fraterna entre leitor e autor faz dos seus seguidores intransigentes diante da visão crítica, aquela que afirma que sua obra envelheceu. Mas, além da polêmica, Cortázar é um formidável contista que soube experimentar com o gênero romance, algo que ficou marcado em O jogo da amarelinha (1963) uma obra que permaneceu no centro de interesse de mais de uma geração. Ele é um escritor fu...

De Balzac a Cortázar: escritores seduzidos pelos gatos

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Por Pedro Zuazua Os gatos são um material literário muito interessante. Poucos animais oferecem tantas qualidades possíveis de servir à escrita. São elegantes, misteriosos, independentes, curiosos, misteriosos e adoráveis ​​ao mesmo tempo, amigáveis, ágeis, teimosos, graciosos e, acima de tudo, gostam de ser os protagonistas. O relacionamento deles com os livros também foi marcado por escritores que compartilharam suas vidas com eles: entre eles, estão muitos dos considerados “malditos” ou de leitura complexa. Charles Bukowski? Gato. William Burroughs? Gato. Truman Capote? Gato. Julio Cortázar? Gato. Ernest Hemingway? Gato. Acaso? A literatura abordou os felinos sob várias perspectivas. A fórmula mais complicada e ousada, sem dúvida, é colocar o gato como narrador. Talvez o topo dessa corrente seja Eu sou um gato (Estação Liberdade), do japonês Natsume Soseki. Um exemplo de narrativa, ritmo e humor japonês. Com tudo o que isso implica. A receita para comentar o m...

As mulheres que habitam a Maga, de O jogo da amarelinha

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Por Nancy Paola Moreno Ilustração: Katy Horan Lucía, ou melhor, Maga, se nega a aceitar o aceitável. É a revelação da desordem a causa do fracasso das leis em sua vida. Desse caos constrói uma ordem misteriosa, inacessível e talvez mágica. É a negação daquelas lições aprendidas e replicadas pela maioria das meninas no mundo: deves ser virtuosa e serás uma grande mãe e esposa. Não era ensinar. Doutrinaram, as meninas cresceram e sofrem por causa dessa sentença imposta. A Maga é o retrato de uma soma de imperfeições que pode ser luz. Adora a cor amarela e os cigarros Gitanes. Não quis acreditar naquela invenção humana da perfeição. Seu mistério a converteu numa mulher vital e complexa. Numa eterna pergunta que jamais se extingue. Sofre irremediavelmente ao retornar para suas recordações, mas é capaz de nadar extensos rios metafísicos que nenhum homem compreenderia. Nunca entende o que é ser mãe. Mas, sem nenhuma dúvida, a carta que escreve ao seu filho ...

As obras de Cortázar que terminaram no lixo

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Por María Laura Avignolo Cortázar em sua casa em Saignon. O sino da igreja medieval de Notre Dame de Pietá marca as horas, sem peregrinos. É o único som que rompe o silêncio outonal em Saigon, um povoado preso entre as rochas da Provence francesa, mergulhado num profundo sono. A agência dos correios agora está fechada, mas graças à sua luta, Martine Veyron, é uma sua representante que faz existir ainda a presença de um carteiro no lugar. Ela foi quem lutou para que o único ponto de contato entre Saigon e o resto do mundo continuasse sendo o pilar desta comunidade de mil habitantes no verão que se reduz a menos de seis centenas no inverno. E Julio Cortázar haveria apoiado. Em “La Poste” (o correio) se iniciou o vínculo entre Julio Cortázar e Saigon, seu secreto e pequeno esconderijo. Entre ele e seus habitantes, que ainda recordam-no como um gigante de dois metros que caminhava a grandes passos, falava com todos e gastava uma hora de sua casa – na periferia do pov...

Aurora Bernárdez, sem Julio Cortázar

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O nome de Aurora Bernárdez nunca conseguiu ser desassociado da figura de Julio Cortázar, com quem se casou em 1953 e com quem viveu em Paris durante a etapa mais prolífica do escritor argentino, incluindo a de criação de O jogo da amarelinha . Mas com a publicação de O livro de Aurora (Alfaguara), vem à luz uma faceta desconhecida desta tradutora argentina filha de galegos, viajante ativa e, agora, escritora póstuma. A edição é publicada graças ao empenho do compositor e cineasta francês, amigo íntimo de Aurora Bernárdez desde o início dos anos 1980, e quem, junto com Julia Saltzamnn organiza o livro. Segundo Philippe Fénelon, não há mais nada além dos textos agora publicados. Isto é, este o primeiro e também o último livro da escritora. Livro que é uma revelação mesmo para alguns do seu círculo de amizades, afinal, se os mais achegados a Aurora sabiam que ela escrevia, mesmo assim, grande parte não haviam lido nada. “Ninguém, exceto sua irmã Teresa e Perla Rotzait, sua...

Um poeta chamado Cortázar

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Julio Cortázar em Genebra, 1955. Em 1971, Julio Cortázar publicou seu primeiro livro de poemas Pameos y meopas , obra, para muitos, apesar do pouco grado do próprio escritor para com ela, fundamental para a compreensão do restante de sua produção literária. Aurora Bernárdez, companheira do escritor, diz que "se alguém quer saber como era Cortázar, o que pensava, com que sonhava, como imaginava o mundo, precisa ler sua poesia". E acrescenta que o autor de O jogo da amarelinha  "era um poeta até quando escrevia em prosa". O texto a seguir é do próprio escritor. Trata-se de um prefácio que escreveu para o livro de 1971; nele, não apenas explica-se como poeta como também, enxergando-se homem no limiar das transformações estético-culturais, formula uma teoria da poesia contemporânea a partir do grafite. Já então, curiosamente, Cortázar pensava em ampliar o conceito de poesia, no intuito de pensá-la além dos clássicos e da estrutural formal, tal como terão pensado o...

Julio Cortázar, tradutor de Edgar Allan Poe

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Por Juan Tallón Na literatura às vezes é bom confundir trabalho e prazer. Alguns escritores sabem disso e obtêm seus livros dessa mistura perigosa. Em 1953, Julio Cortázar foi de férias para a Itália no intuito de traduzir os contos e ensaios de Edgar Allan Poe, e depois de nove meses de viagem, regressou a Paris com mais de mil páginas de tradução, prólogos e notas de rodapé. O idílio do autor de O jogo da amarelinha com Poe, entretanto, havia começado muito antes, quase como se não tivesse um começo. Em sua juventude, como recorda Miguel Herráez em Julio Cortázar. Una biografia revisada , o autor argentino, sem diretrizes nem mestres, começou a “devorar toda a literatura fantástica que tinha ao seu alcance: Horace Walpole, Joseph Sheridan Le Fanu, Charles Maturin, Mary Shelley, Ambrose Bierce, Gustav Meyrink e Edgar Allan Poe, este na edição espanhola de Blanco Belmonte”. Um bom leitor aceita ser perturbado desde quando é um jovem ainda sem critérios. Em La vuelta a Juli...