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De Thomas Bernhard

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Por Daniel Rodríguez Barron Thomas Bernhard. Foto: Erika Schmied.   Ler Thomas Bernhard é um esforço que só podemos empreender uma vez a cada dois ou três anos. A maioria dos leitores — incluindo os críticos — conjectura que sua maior dificuldade reside em seus traços estilísticos: suas obras se desdobram em longos parágrafos de orações subordinadas que se transformam em páginas inteiras, que por sua vez atingem o tamanho de capítulos e, frequentemente, em livros inteiros. A essa exigência, que nos obriga a mergulhar em um fluxo em que ora nadamos contra a corrente, ora estamos francamente à beira do afogamento, deve-se acrescentar a repetição incessante e estridente de palavras e até frases inteiras, quase sempre ofensivas, sediciosas ou mórbidas.   Proponho que aí reside a verdadeira dificuldade com Bernhard: ele nos aniquila, implacável e sem descanso; não podemos segui-lo sem nos envergonharmos de nossa existência. E praticamente nenhuma outra literatura faz isso por nós....

Thomas Bernhard: o riso (desesperado) de um hater

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Por Rebeca García Nieto Thomas Bernhard. Foto: Brigitte Hellgoth É incomum que alguém comece a sua autobiografia com uma referência sobre a taxa de suicídios que ocorrem na cidade onde cresceu: “Duas mil pessoas todos os anos no Land federal de Salzburgo tentam acabar com as suas vidas, e uma décima parte dessas tentativas de suicídio têm um resultado fatal.” Seus personagens se enforcam, se jogam pela janela, e quem não “escapa da vida” pensa continuamente em suicídio. Pelo que ele disse em Uma criança , seu próprio avô pensava em suicídio o dia inteiro, e ele próprio pensava em se matar “a todo momento”. Não é de surpreender que, quando ele morreu, tenha sido dito que ele havia recorrido ao suicídio assistido. Apesar do exposto e do “profundo pessimismo existencial” que todos os seus romances destilam, devo admitir que poucos livros me fizeram rir tanto quanto os de Thomas Bernhard. E eu não sou a única. Javier Marías o considerava um comediante e Agota Kristof apresentava Sim a to...

Sobre duas narrativas de Thomas Bernhard

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Por Joaquim Serra Extinção: uma derrocada não é um livro para qualquer cabeça. Thomas Bernhard não é escritor para qualquer leitor. Cheio de repetições, divagações longas que parecem, por vezes, quase sem sentido. Parece, mas não é. O ritmo lento parece música, uma música truncada como o espírito que escolhe guiar, pelas desventuras do homem que acorda um dia e recebe um tal telegrama com notícia de morte (“Pais e Johannes mortos em acidente. Caecilia, Amalia”), uma tal metonímia que o força a reconstruir seu passado e os interesses materiais da família que sempre se reúne em uma sala escura, e que insiste em se comportar como aristocratas. Franz-Josef Murau agora é um professor, mora longe de casa, e tem um aluno preferido: o brilhante Gambetti. Um reflexo dele, interessado e inteligente. Wolfsegg vai ficar cravada na memória do leitor. Wolfsegg, onde ele foi criado como filho de proprietários de terra ainda carrega fortes desejos – quase de vingança – pelos primeiros a...