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A poesia de Antonio Cicero

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Por Pedro Fernandes Antonio Cicero, um dos nomes mais proeminentes da poesia brasileira do século XX, dedicou-se a várias frentes da escrita, além do gênero no qual se destacou; foi letrista e ensaísta. Dessas várias faces, ficou mais conhecido pelas suas letras que tomaram forma e ritmo na voz de alguns dos mais expressivos intérpretes da nossa rica cena musical; produção que se deu desde jovem, mas só se torna popular por sua irmã, a cantora, compositora e também escritora Marina Lima. A formação de Antonio Cicero é na área da filosofia, curso iniciado na Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) depois de cumprir o ensino médio em Washington, nos Estados Unidos, onde morou quando o pai, o economista Ewaldo Correia, foi nomeado para um cargo no recém-fundado Banco Interamericano de Desenvolvimento e a família precisou deixar o Brasil.  O curso superior só foi concluído na Universidade de Londres. Como muitos de sua geração, Cicero também se viu obrigado a deixar...

Helio Pellegrino

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Helio Pellegrino é mineiro, de Belo Horizonte. Nasceu no dia 05 de janeiro de 1924 e morreu no dia 23 de março de 1988, no Rio de Janeiro, cidade para onde se mudou em 1952. Quatro anos depois de nascido, conhece ninguém menos que Fernando Sabino. Ou seja, o grupo que na cena literária brasileira ficou conhecido como os Quatro Mineiros - se juntariam mais tarde aos dois Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos - começa de alguma maneira ainda no jardim-de-infância.  É em 1939 que começa a escrever seus primeiros poemas, fortemente inspirado pelas leituras de Carlos Drummond de Andrade. E é por essa época ele publica um poema, o seu primeiro, no jornal O Diário . Mas não é ainda com a literatura que Helio Pellegrino passa a viver somente; em 1942, incentivado pela família, ingressa na Faculdade de Medicina, também na capital mineira; vai ao curso contra sua vontade, porque segundo dizia entre os amigos, queria mesmo era fazer Filosofia. Em 1943, já decidido pelo ramo ...

Uma crônica de José Saramago sobre Jorge de Sena

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1.  Há alguns meses cumpriu a longa travessia pelo Atlântico, não por mares mas por ares, um livro dos muitos de José Saramago que estão sem publicação no Brasil. Chama-se Folhas Políticas  e recolhe textos publicados em meios diversos da mídia portuguesa entre os anos de 1976 e 1998. Apesar do título notei que os textos percorrem temas e idéias das mais variadas. E os textos são de gêneros também diversas; a grande parte é de crônicas, mas há discursos, como o que leu  no recebimento do Prêmio Cidade de Lisboa, em 1981, pelo livro Levantado do chão . 2. Na segunda-feira, faz 30 anos da morte do escritor Jorge de Sena. Para quem não o conhece, o português viveu uma parte de sua vida no Brasil; fez doutorado aqui e foi professor em Araraquara. Suspeito que quase ninguém saiba disso. Se viveu aqui, aqui escreveu então boa parte de sua obra. Veio para cá perseguido pela ditadura em seu país e foi embora do Brasil pelo mesmo motivo. Passou a viver nos Estados Unidos e lá...

O fabuloso destino de Amélie Poulain, de Jean-Pierre Jeunet

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Por Pedro Fernandes Exibido nas chamadas sessões Cults O fabuloso destino de Amélie Poulain é certamente um dos filmes mais delicados (e fofos), sem ser piegas, das produções contemporâneas. Marcado por um narrador em off tão metódico com os detalhes quanto a natureza das personagens que pretende analisar (alguns caricatos e parece que saídos de um conto de fadas), trata-se de uma produção reveladora sobre a nossa relação individual com os mundos que fabulamos e o quanto esses interferem na vida coletiva. Quer dizer, ao menos o universo de Amélie e porque ela, movida por um certo espírito quixotesco, de heroína contemporânea num mundo sem heróis, decide reanimar a rotina desvalida de sentido das vidas dos que estão ao seu redor. Isso significa dizer que, da mesma maneira que a personagem central da história faz com que seu mundo particular possa intervir de alguma maneira (como se obra do acaso na vida dos que lhe são próximos), a vida repentina e monótona destes são r...

Fitzcarraldo, de Werner Herzog

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Construção de teatro de ópera na selva é a metáfora do projeto civilizatório que se frima sobre a natureza Fitzcarraldo é um filme de um sonho. A história do imigrante irlandês que anseia ficar milionário com a extração da borracha para construir um imenso teatro de ópera no coração da floresta amazônica, a ser inaugurada pelo mítico tenor Enrico Caruso, tem muito da obsessão do diretor alemão Werner Herzog. Ele almejava rodar o longa no meio da selva, com uma equipe e aparatos gigantescos. Ninguém acreditava que seria possível concluir o filme. Herzog não só conseguiu terminá-lo como Fitzcarraldo tornou seu trabalho mais aplaudido, vencedor do prêmio de Direção no Festival de Cannes, em 1982 (também foi indicado à Palma de Ouro) e síntese de uma carreira que se mistura entre ficção e documentário. A produção problemática foi tão falada quanto o próprio resultado final. Jason Robords faria o papel-título, mas ficou doente na metade das filmagens. Para seu lugar foi escalado Kl...

Taxi Driver, Martin Scorsese

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A violência e a paranóia das ruas de Nova York encarnadas na mente perturbada de motorista solitário "Eu sou um homem solitário de Deus", diz Travis Bickle, ex-combatente do Vietnã que, aos 26 anos, não tem nada melhor para ocupar seu tempo do que assistir a filmes pornográficos em cinemas de terceira classe. Para sanar o vazio, ele se oferece para trabalhar como taxista em qualquer horário e passa as madrugadas rolando pelos becos mais obscuros de Nova York, sonhando em limpar as ruas dos negros, prostitutas, drogados e toda a sorte de (em sua visão) de desajustados. Uma espécie de versão urbana e moderna de Memórias do Subsolo , do escritor russo Fiódor Dostoiévski, ele é resultado dos excessos da contra cultura: reacionário, obsessivo e anti-social. Como os brutos também amam, Travis se apaixona por uma secretária do comitê de campanha do senador à Presidência (Cybill Shepherd). Só que sua falta de jeito é tão grande que no primeiro encontro ele a leva a um cinem...