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Quinze mulheres da literatura brasileira

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Rachel de Queirós, a primeira mulher a fazer parte da Academia Brasileira de Letras. O fato de o calendário dispor de uma data para lembrar das mulheres não é à toa. Num mundo modelado à imagem e semelhança dos homens, em que elas tiveram de vencer (e ainda têm) cada um dos empecilhos sociais a elas impostos, um 8 de março é mais que uma conquista à memória das que pereceram na luta; é um convite à reflexão sobre o quanto a humanidade foi mesquinha nessa querela de tornar díspar a relação entre um membros de grupo em que, por mais diverso e heterogêneo que seja (culturalmente, biologicamente) são alinhados às mesmas qualidades: humanos.  O universo da literatura é apenas uma das esferas onde elas tiveram de galgar espaço. Basta lembrar que já houve um tempo que foi negado a alfabetização às mulheres e escrever era coisa de homem; algumas desafiaram essas limitações e ousaram escrever com nomes masculinos e publicaram à surdina, outras não, quiseram dizer ao mundo que mulh...

Agustina Bessa-Luís: a romancista que sonhou sua obra

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Por Carlos Leme Câmara Agustina Bessa-Luís nasceu, em 1922, a 15 de outubro, um domingo, pelas seis horas da tarde, em Vila Meã, no concelho de Amarante. Descendente de uma família rural de Entre-Douro-e-Minho, pelo lado paterno, e de uma família espanhola de Zamora, pelo lado materno, guardou como herança genética a região de Amarante: “Sou um produto da região, como o vinho verde, que não embriaga mais alegra” ( O livro de Agustina Bessa-Luís , Três Sinais Editores, 2002). Banhada pelo rio Tâmega e com a mítica Igreja de S. Gonçalo coabitando com a ponte, Amarante é uma cidade onde, pelo menos uma vez por ano, o santo protector é abraçado pelos seus habitantes. Após o casamento, em 1917, os pais de Agustina, Artur Teixeira Bessa (1882-1964) e Laura Jurado Ferreira (1897-1994), andaram entre seca e meca (Vila Nova de Gaia, Santas, Póvoa de Varzim e Porto), passando alguns períodos no Doutor, na casa da família materna em Godim – num percurso em tudo idêntico ao que conh...

A Felicidade não se Compra, de Frank Capra

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O longa traz elementos sacralizados pelo imaginário da cultura americana para fazer um inesquecível conto de natal Clássico dos clássicos de Natal, esse filme até hoje [2007] é reprisado no fim de ano na televisão americana e continua levando os telespectadores às lágrimas da mesma forma que 60 anos atrás. A Felicidade não se Compra conta a história de George Bailey, um homem terno, idealista e sonhador que, deprimido pela falência financeira e revoltado com a exploração de um milionário sobre a pequena cidade onde vive, resolve cometer suicídio e é salvo por um anjo. Bailey (James Stewart) representa o homem comum, com as alegrias e fraquezas de todo mundo. Após a tentativa, o personagem descobre como teria sido diferente (e pior) a vida da sua cidade e da sua família, caso ele nunca tivesse existido. Poucos cineastas assumiram em sua obra a tarefa de difundir os valores essenciais da sociedade norte-americana quanto Frank Capra. Para muitos críticos ele é considera...

Natsume Soseki: a ironia e a brevidade da vida

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Pergentino José Ruiz Natsume Soseki (Tóquio, 1867 – 1916), mostrou em sua narrativa um desapego crescente pela influência direta da literatura europeia. Estudou Literatura Inglesa na Universidade Imperial de Tóquio. A partir de 1900, viveu na Inglaterra por três anos custeado pelo governo japonês. Sua atitude pelo Ocidente se moveu entre a desconfiança e a recusa. Soseki viveu numa época em que se exaltava certo individualismo mas como uma forma de sujeição à autoridade, no reinado do imperador Meiji (1868-1912), reformador das políticas sociais com as quais o Japão se abriu ao Ocidente. Renunciou à sua cátedra de Literatura Inglesa para trabalhar em 1907 no jornal Asahi Shimbun , gesto que os intelectuais seus contemporâneos consideraram antissocial. Na obra de Soseki se destaca a essência da cultura japonesa, aquela que se praticava na corte no período Heian (794-1185) ou nos períodos de certa prosperidade no século XVI do shogunato governado pela família Tokugawa....

Alberto de Oliveira

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Da esquerda para a direita: Alberto Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, o trio do Parnasianismo Pode-se perceber, em Meridionais (1884), segundo livro de Alberto de Oliveira, a devoção ao “culto da forma”, sem que isso contudo significasse uma impassibilidade declarada e almejada. A diferença entre os parnasianos e os românticos (duas gerações entre as quais o poeta tem participação) é que a opção por abandonar um registro de natureza emotiva em prol de uma maior atenção para as sensações e impressões provocadas por algo real. Como diz o crítico Alfredo Bosi, o resultado é que os parnasianos deslocam “a tônica dos sentimentos vagos para a visão do real ”. Um exagero nessa tendência levou alguns poetas a adotarem uma postura de verdadeira adoração por objetos (vasos, flautas gregas, taças de coral, ídolos de gesso etc.). Alberto de Oliveira pode ser considerado dentre os parnasianos, um mestre na arte de compor poeticamente retratos, quadros, cenas, em que predomina uma ...

A lista negra de George Orwell

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Por José Miguel Oviedo Em 2003 cumpriu-se o centenário de nascimento do escritor inglês George Orwell, famoso sobretudo por seus romances A revolução dos bichos (1945) e 1984 (1949), duas notáveis alegorias (uma, satírica; a outra, aterradora) do totalitarismo que dominaria boa parte do século XX. Por essas obras e outras como Homenagem a Catalunha (1938), testemunho sobre sua experiência na Guerra Civil espanhola ao lado dos republicanos e de seu posterior desencanto pela repressão de trotskistas e anarquistas que se abriu no setor comunista, Orwell é reconhecido como um dos romancistas, ensaístas e jornalistas políticos de maior importância em seu tempo e mais influente no nosso. Soube ver os perigos da intolerância ideológica nos dois lados do espectro político e nos alertou sobre o que poderia ser o mundo do futuro – o que hoje vivemos – se não defendêssemos a liberdade e os valores democráticos. Mas, precisamente em 2003, em meio às celebrações e homenagens receb...