Postagens

O estágio em que ainda estamos

Imagem
Por Pedro Fernandes Em toda força militar (ou qualquer outro grupo social) há gays. Cena do filme Yossi & Jagger: delicada relação . As duas personagens  que dão título ao filme  são jovens soldados que atuam na fronteira entre Israel e o Líbano e  vivem uma história de amor proibida. Se casos como esses são comuns e naturais, há quem peça punição aos envolvidos. Essa semana, nas idas e vindas   pela internet, topo com uma constatação daquelas que vem sujar a cara pobre do Brasil. O portal de notícias Nominuto motivado pela declaração descabida do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho fez aos internautas o seguinte questionamento: Você concorda com a presença de gays nas Forças Armadas?  O Raymundão, indicado para uma vaga no Superior Tribunal Militar durante sabatina, na Comissão de Constituição e Justiça afirmara que a homossexualidade era um "desvio de comportamento" e que os gays deveriam "procurar outro ramo de atividade".  Os ...

O princípio da desconfiança

Imagem
Por Pedro Fernandes Se queres prolongar o amor não permitas que a desconfiança te domine em relação à pessoa amada. Ovídio Esta post de hoje não teria vez neste espaço se o mantenedor dele não tivesse passando em sua vida pessoal por uma situação se não complicada, mas no minimo desconfortável. Não devo relatá-la porque isso, creio, é de meu interesse próprio e não deve ser ou vir-a-ser matéria de conversas alheias e creio que ao longo do texto claro ficará do que se trate a referida situação. Quero refletir acerca desse princípio que tem tomado dos pés à cabeça muita gente quando se trata da construção de uma nova cadeia de relacionamento amoroso. Todo mundo já deve, em algum momento da vida, ter se envolvido o suficiente com uma pessoa a ponto de esquecer-se de si para dar lugar ao outro. Isso não é doença. É um sentimento a que se denominou paixão e que tem data de fabricação e validade por tempo determinado. Também creio que essa mesma pessoa ...

Amor sem escalas, de Jason Reitman

Imagem
Por Pedro Fernandes Recente fui ao cinema ver esse que tem sido o trabalho de Jason Reitman mais comentado desde Juno . Baseado no livro de Walter Kirn, a trama é simples e diríamos envolver apenas três personagens, com destaque para a figura interpretada por Clooney, Ryan Bingham, um sujeito com uma profissão no mínimo peculiar; Ryan é pago para viajar pelos Estados Unidos fazendo aquilo que sempre fez Donald Trump no seu programa The Apprentice, feito no Brasil pelo publicitário Roberto Justus: despedindo funcionários de empresas em crise (a única diferença dos dois Reality shows - empresas em crise). De cara o filme se faz mais que atual ao por em tela - ainda mais quando a trama é interceptada por histórias reais de pessoas que foram sendo despedidas - as dimensões da crise econômica que tem abatido o mercado estadunidense e o resto do mundo. Ryan faz parte daquele grupo que se diz desapegado de tudo e de todos; passa a maior parte do tempo ...

O iPad

Imagem
Por Pedro Fernandes 1.  Uma nova onda tem balançado e muito as opiniões de quem tem uma relação mais íntima com a escrita e a leitura - principalmente essa última. O motivo para tanto veio da Apple que lançou no último dia 27 de janeiro de 2010 uma espécie de iPhone gigante, gentilmente batizado de iPad. A relação com a leitura será uma das abaladas com a invenção, dizem os inventores, porque dentre todas as praticidades que estão atreladas ao aparelho uma delas é a que visa ser um leitor de livros eletrônicos. 2.  Parte dessa balbúrdia, entretanto, deve ser controlada. Não vivi o tempo do surgimento da máquina de escrever e quando do surgimento dos computadores e dos notebooks ainda tinha minha cabeça enfiada noutro mundo - mas creio que, essas tecnologias tenham também elas causado algum mal entendido entre os tais sujeitos da escrita e da leitura na época. Mas, se dizem que nos acostumamos a tudo - a ambas tecnologias nos adaptamos e com ela só tivemos a enr...

Antonio Callado

Imagem
Se no futuro for produzida uma lista com os mais significativos romances da literatura brasileira, um livro é indispensável não ficar ausente nela: Quarup , de Antônio Callado. Publicado em 1967, além de ser o mais famoso dos trabalhos do jornalista, romancista, biógrafo e dramaturgo brasileiro, não necessariamente nessa ordem, este livro, uma reapropriação de narrativas históricas e míticas se apropria, antes das reapropriações, de um pensamento que tem movido a literatura nacional desde José de Alencar, o da identidade nacional. Está aí o Brasil dos preguiçosos, dos doentes, a nação bricolada do que melhor e do que ruim há nos outros países, numa síntese que não quer renovar estereótipos, mas pensar a nação, pelos ângulos da contradição como um país que constantemente se reiventa. No entanto, se a lista fosse feita já hoje, duvido que este romance aí estivesse; seja por nossa amnésia literária, seja porque, a olho nu, este não parece ser um livro tão conhecido como já ...

Solidão interrompida

Imagem
Por Maria Betânia Monteiro Certamente a nova geração de leitores desconhece a obra de Walflan de Queiroz, um dos mais significativos poetas potiguares. O fato se deve principalmente a circulação restrita de seus livros nas bibliotecas do Estado. Para tentar mudar esse vácuo do destino, estudiosos buscam incentivo financeiro para divulgar a obra do poeta e escritor Walflan de Queiroz. Agora em 2010 completam-se 15 anos da morte do potiguar que nasceu em 1930, publicou oito livros de poesia e cerca de noventa trabalhos entre artigos, crônicas e pequenos ensaios impressos nos jornais de maior circulação no Estado. Para facilitar o acesso aos novos leitores, uma coletânea dos livros do poeta, organizada por Márcio Simões, deverá ser lançada pela editora Escrituras, em São Paulo. Além deste, outros dois livros estão a caminho: Biografia de Walflan de Queiroz e Obra em Prosa de Walflan de Queiroz , ambos do pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, João Antô...