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Sobre prêmios, sobre valores

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Por Pedro Fernandes Escreve-se para preencher vazios, para fazer separações contra a realidade, contra as circunstâncias Mario Vargas Llosa É verdade que muito se tem falado acerca do poder da Literatura. Até hoje, entretanto, e isso eu já disse outras vezes, até hoje, repito, nunca ouvi dizer que algum texto literário, por mais importante que seja, tenha salvado a humanidade de algum rumo grotesco dos muitos que já passamos: das ditaduras, das guerras, da fome, da miséria... E digo isso porque entendo que a função da literatura reside noutra esfera. Se não tem um sentido de salvação daquilo que, enquanto humanos, forjamos, a literatura tem sim a capacidade de introduzir na humanidade o real sentido da comunidade a qual ela se diz fazer parte. Entendo a literatura com o poder de, ao fazermo-nos humanos, levar essa comunidade a um espaço mais habitável, ainda que por força da imaginação. E se assim faz, pela força da imaginação, já temos meio caminho andado, não? Afinal, aqui...

Rever Zila, sempre

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Por Pedro Fernandes No último dia 13 de dezembro, ontem, fez-se lembranças pela morte de Zila Mamede. Poeta potiguar, dona de uma obra literária singular. 25 anos de quando foi ao encontro do mar para mergulhar eternamente noutro mar - o da literatura. Sobre ela, a também poeta Marize Castro disse, com muita propriedade: “deixou uma obra para nortear, para servir de guia para quem escreve e lê.  Em Zila nada é excesso. Tudo é garimpo, concisão. Além, claro, sensibilidade”. Por ocasião da data, devo lembrar agora que, entre setembro e outubro de 2009, copiei um texto do poeta Paulo de Tarso Correia de Melo publicado como uma espécie de introdução à poética de Zila Mamede neste que foi a última edição do seu Navegos   (Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte); o título é uma antologia organizada e publicada ainda em vida pela poeta.  O texto reproduzido em várias entradas neste Letras  perfaz todo o conjunto da obra de Zila Mamede, livro a l...

Uma página para Ana C.

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Poeta normalmente associada à Geração Marginal, movimento dos anos 1970, Ana Cristina Cesar ou como se assinava Ana C. nasceu em 1952, no Rio de Janeiro. Filha de Waldo Aranha Lenz Cesar e de Maria Luiza Cezar, a poeta desenvolveu cedo o gosto pela leitura: aos quatro anos, segundo relato paterno incluído na cronologia de sua Correspondência Incompleta , publicada em 1999, já ditava versos para a mãe e, em 1959, então com sete anos, publicava poemas no Suplemento Literário , do Jornal Tribuna da Imprensa . Com o lançamento de edições dedicadas a escritora pelo Instituto Moreira Salles, a instituição dedicou-lhe uma página na internet, onde é possível acessar uma leva de informações sobre Ana C., desde sua vida e obra, a fotos (como a que ilustra esta post) e informações sobre a fortuna crítica da autora. Aqui . 

A literatura faz sentido

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Por Pedro Fernandes A literatura, enquanto expressão verdadeiramente artística que é, é deságue para um conjunto de elementos sócio-histórico-culturais, isto é, possui a capacidade expressiva de reunir em si materialidades ideológicas e expectativas coletivas que dão tom de dada época. Isso a que Goethe vai chamar de Zeitgeist , ou espécie de fio comum, de mesma cor, que perpassa uma colcha de ponta a outra produzindo uma interdependência mútua entre os diversos fios que compõem a sua tessitura. Tanto parece ser assim que os atuais quadros de dissolução apresentados com toda a veemência possível desde o advento daquilo que consideramos por modernismo vão sendo, de modos diversos, impressos no corpo da literatura sob o signo das vanguardas, consideradas estas como a revolução que nunca antes existiu no campo das manifestações artísticas. Haveremos, entretanto, de exibir certa ponderação, com afirmações como estas. A literatura teve sempre um caráter não de abolir a mesmice...

O discurso de Vargas Llosa ao receber o Prêmio Nobel

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"Para lo único que sirves es para escribir" A frase é da companheira de Vargas Llosa, Patricia, e vem citada no seu discurso de recebimento do Prêmio Nobel de Literatura, na cerimônia realizada ontem, 8 de dezembro, em Estocolmo. Segundo a imprensa espanhola, o escritor chorou e fez todos chorarem. Não que tenha feito um discurso-drama, mas Llosa soube articular questões literárias, pessoais e políticas, num modo caudaloso e sobretudo de denúncia social. E qualquer um que tenha alguma sensibilidade, ante as palavras do autor de Conversa no Catedral ficará à beira do choro, sobretudo com as passagens em que o peruano fala da literatura, de sua importância para a história da humanidade, para a nossa existência e a sua existência. A evocação do sentido para a literatura, a denúncia forte aos imperialismos da política e da religião, e mais que tudo um sonho ainda vivo de uma América e um mundo no exercício pleno da palavra liberdade. É este um discurso histó...

Novamente, Ferreira Gullar

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Por Pedro Fernandes O poeta Ferreira Gullar em seu escritório em Copacabana. Foto de Tomás Rangel/ Portal Saraiva Segundo nota publicada no mês de setembro deste ano na coluna Gente Boa, e de que se agora tomei conhecimento, enquanto fazia uma ronda pela internet para uma post sobre o poeta maranhense, Ferreira Gullar entregou, por esta época, a Maria Amélia Mello, da editora José Olympio, os originais de  O homem como invenção de si mesmo . Provavelmente este será o seu próximo livro; trata-se de um monólogo em um ato. Em julho, o poeta, em seu apartamento em Copacabana, Rio de Janeiro, deu uma entrevista para Bruno Dorigatti e Ramon Mello, do Portal Saraiva. Na entrevista, Ferreira Gullar volta a São Luís, sua terra natal e relembra sua infância; fala do contato com a poesia, da busca pela subversão linguística, do Poema enterrado , dos anos de exílio e do momento atual, aos 80 anos, ganhador do Prêmio Camões e em ainda em pleno vapor nas suas ativid...