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Vincere, de Marco Bellochio

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Por Pedro Fernandes Benito Mussolini (Filippo Timi) e Ida (Vittoria Mezzogiorno), estão arrebatadores em Vincere . O filme foi posto na lista dos dez melhores filmes da década publicada pela especializada revista Cahiers du cinèma . Fez sucesso em Cannes, mas não chegou a convencer o júri do Oscar daquele ano: 2009. E o filme não chegou à lista final. Não é novidade nenhuma. A Academia de Cinema já rejeitou, não uma, mas muitas vezes, vários grandes filmes. E quando chego a dizer grande filme já estou antecipando meu julgamento à película de Marco Bellochio, que tive oportunidade de ver (atrasadamente) numa sessão cinecult. A trama, que apesar de dar contas de um perfil biográfico, não segue uma ordem cronológica usa de um artifício não-inovador mas bastante do comum da narrativa contemporânea. Seu elaborador tem em mãos uma série de materiais e faz uso deles num processo de montagem que à primeira vista parece desorganizado, mas o resultado final é um todo harmônico. C...

Notas sobre a aula magna de Ariano Suassuna

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Revirando o baú das postagens do Letras in.verso e re.verso surpreendi-me com uma coincidência de datas. Há exatos dois anos, isto é, em agosto de 2009, eu havia escrito “Ariano Suassuna, os encontros que não tive” ( aqui ). À época o escritor de O auto da compadecida estava em Mossoró para a edição da Feira do Livro. Naquele ano eu estava cursando no meio de um turbilhão de coisas o meu mestrado em Letras e não pude vê-lo, mesmo sendo a Feira do Livro de Mossoró um evento do qual sempre participei assiduamente desde sua primeira edição. O fato é que agora, nesse ano, o encontro aconteceu. À distância de alguns metros, mas eu estava lá para ouvi-lo. Eu que tenho a impressão de que somente eu ainda não tinha assistido uma das suas famosas aulas magna. Primeiro devo contar da minha vizinha de plateia. Que não mediu elogios para dizer que o Agosto da Alegria – evento maior no qual se situa a abertura do seminário feita hoje por Ariano – estava muito organizado. Disse i...

Tímidas aproximações a Carlos Drummond de Andrade

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Nota do editor: É verdade que relutei, não uma vez somente, a publicar uma nota ou uma linha sequer acerca do material biobliográfico do poeta Carlos Drummond de Andrade. Quando adquiri um número da extinta revista Entrelivros que trazia um dossiê sobre o poeta, pensei (na época este blog ainda respirava muito os ares dos dossiês e das cópias de leituras minhas), pensei em digitar os textos, pelo menos um, da edição em questão. Afinal os nomes de João Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto foram apresentados por aqui nesse formato. Pois bem, concluía eu um curso sobre a constituição do moderno texto poético na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o dossiê para este blog acabou sendo descartado. Fui dedicar o tempo para escrever o ensaio de conclusão desse curso que, adivinhem, se debruçava sobre a obra poética de Drummond. O ensaio foi escrito e continua ainda guardado do público ou à espera de publicação. Isso porque os anais do evento em que foi apresentado até hoje ...

Quatro dias para Veríssimo de Melo

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Veríssimo de Melo. Imagem: Tribuna do Norte Quem foi Veríssimo de Melo pouco gente sabe. Eu pelo menos só conhecia o nome como prefaciador de alguns textos de outros escritores potiguares que já li. Está aí o déficit da parte de todos e, sobretudo dos estudantes de letras, em relação a determinados nomes e figuras da literatura do estado. Não fosse a reportagem publicada hoje, 20 de agosto, no caderno Viver , do jornal Tribuna do Norte o nome ainda continuaria a figurar apenas como alguém que prefaciou livros como a reedição de O livro de poemas de Jorge Fernandes . Aos desavisados como eu terão agora a oportunidade de saber mais sobre a figura do escritor. Pela passagem dos seus 90 anos que completaria agora em 2011 caso fosse vivo - o escritor morreu em 1996 - está sendo organizado numa parceria entre prefeitura e Capitania das Artes um evento com vasta programação, diga-se, em torno do nome de Veríssimo de Melo. Trata-se da primeira edição do Encontro de Folclore ...

Super 8, de J. J. Abrams

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Por Pedro Fernandes Fui ao cinema embalado por algumas opiniões sobre esse filme que tem o diretor do seriado Lost - o qual acompanhei por algumas temporadas - e o já famoso nome de Spielberg. E as opiniões se confirmaram. Super 8 é sim uma agradável surpresa aos olhos do telespectador. Apesar de está na produção do filme, assistida metade da trama ou até menos que isso, o telespectador irá perceber que está diante de um discípulo do diretor de E.T. ou mesmo diante de uma homenagem mais que justa àquele que trouxe para as telas, com uma produção diversa, uma forma nova de produção cinematográfica cujo tema seja extraterrestres; sabemos que depois de E.T. Spielberg compôs também do gênero Contatos imediatos do terceiro grau , outra obra que, se não alcança o ápice do seu sucesso primeiro, permanece como uma das suas mais importantes produções. Isso ocorre porque Super 8 aparece empapado das referências de Steven Spielberg. Enredo, fotografia, trilha sonora, enfim, quas...

Miacontear - O novo padre

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Tela de Georges Seurat “Obediência de negro de que vale se é sempre falsa? Esse era o suspiro do colono.” “O novo padre” é o que melhor retoma o tema do racismo e outros resquícios da colonização impetrados na cultura de Moçambique. Seu enredo está situado no período colonial, o tempo suspenso da terra de ninguém e da terra de colonizadores portugueses como o engenheiro Ludmilo Gomes, a personagem central do conto.  Pela pose que ocupa, “cheio de feição”, “aspectudo, todo enfeitado de si”, Ludmilo Gomes incorpora os traços do dominador, do que, numa terra sem-lei, vive às suas próprias leis. Preso no seu catolicismo de obrigações, o encontramos adentrar na capelinha de um vilarejo. No decorrer do trajeto, atenção seja dada para uma “aglomeração de camponeses que rodeia   o canhão que ali se posicionara, desde que começara a guerra”. Na igrejinha só os brancos. Vemos o engenheiro se aproximar do altar para tomar a comunhão. Na falta de hóstias, fala com o no...