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Camilo Pessanha

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Por Pedro Fernandes   Eu vi a luz em um país perdido. A minha alma é lânguida e inerme. Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído! No chão sumir-se, como faz um verme… O texto mais significativo de crítica literária feita no Brasil que li até agora sobre o poeta português Camilo Pessanha — e não sou um leitor versado no tema — é da professora Leyla Perrone-Moisés e está publicado no livro  Inútil poesia e outros ensaios breves . Chama-se “Camilo Pessanha e as miragens do nada”. Depois, encontrei com a edição de  Clepsydra  — única obra de Camilo — que no Brasil foi reeditada pela Ateliê Editorial organizada pelo professor Paulo Franchetti, quem também assina um ensaio crítico e notas explicativas ao longo do livro. Tive interesse, logo, em comentar algo do autor por aqui. Mas, acossado ainda pelo ensaio de Perrone-Moisés, achei por bem não tocar no assunto.   Agora, outra vez o destino me coloca diante da questão: descubro que a Biblioteca Nacional de Portugal, ao...

Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino

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Por Pedro Fernandes Christoph Waltz na pele do coronel nazista Hans Landa. Sua atuação foi lida, por unanimidade, com o up de Bastardos inglórios . Há em Quentin Tarantino uma ironia sangrenta; quem assistiu Kill Bill e depois este Bastardos inglórios entenderá o sentido ou o conceito impresso nesses termos. O anterior é, numa leitura de duas palavras, um blasé entre uma “ex-gângster” e seus ex-parceiros do esquadrão. Dividido em dois volumes, o filme bebe na fonte dos textos escritos pela forma como está estruturado e é altamente contaminado por um jogo intercinematográfico difícil de precisar os seus limites. O modo se repete no filme de 2009. Usando dos momentos históricos do nazismo e da Segunda Guerra Mundial, Tarantino dá espaço para a atuação de dois planos elaborados por contraventores ao regime de Hitler; planos que vão desembocar na ideia de assassinato do próprio ditador, muito embora não pareça ser esta a direção inicial da narrativa. Prevalece aqui certa ...

Os lusíadas on-line

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Camões, 1907, óleo sobre tela José Malhoa Que Os Lusíadas , de Luís de Camões, é um dos mais importantes textos da literatura em língua portuguesa, todos hão de concordar; outros até acrescerão que o épico camoniano é já clássico para a cultura ocidental. Agora, fazer do clássico leitura para leitores comuns, nem todos hão de acreditar na possibilidade. E a situação é ainda mais absurda se formos ver de perto que a imensa maioria dos estudantes de Letras no Brasil, público que lida diretamente com leitura, nunca leu a obra. Considero absurda porque – e isso eu já comentei por aqui – há títulos que integram aquela lista de leitura obrigatória a certo público por mais que não o apeteça. Agora, um projeto conduzido pela Biblioteca Nacional de Portugal, país de nascimento do poema, traz o texto na sua primeira impressão em formato digital . Entendendo Os Lusíadas como obra importante no cânone universal, integra a proposta a digitalização da primeira edição em diferen...

Exposição “Intracenas”, do artista plástico Mauro Silper

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Mauro Silper abre exposição Intracenas , em Belo Horizonte. Foto: site do artista plástico Com o título de “Intracenas”, que significa estar no âmago, no interior, dentro da cena, ao ponto de uma se ligar à outra em composições e intenções, o artista plástico Mauro Silper, autor de um conjunto telas compostas a partir da obra de José Saramago e publicadas na edição especial do caderno-revista 7faces Variações de um mesmo tom: diálogos sobre a poesia de José Saramago , em julho de 2011 , abre exposição individual amanhã, dia 29 de maio , às 19h , na Galeria de Arte Beatriz Abi-Acl, na rua Santa Catarina, 1155, bairro de Lourdes, em Belo Horizonte . A mostra fica aberta ao público até o dia 23 de junho, sempre das 9 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, e das 9 às 13 horas, aos sábados. O artista explica que a ideia — ou inspiração — para criar as obras, todas inéditas, que vão compor a exposição, adveio de uma frase pinçada da letra de uma música composta por Chico Buar...

“Escrever é uma revolução”

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Salman Rushdie, o autor de Os Versos Satânicos , livro e autor censurados em 1989. No dia 6 de maio passado Salman Rushdie encerrou o PEN World Voices Festival de Nova Iorque com uma fala sobre o dramaturgo Arthur Miller. E falou sobre a censura. Os escritores estão dispostos a falar sobre editores e críticos, sobre quanto ganham, sobre fofocas de outros escritores, sobre política, sobre amor e inclusive sobre literatura, mas nunca sobre a censura. Discutem sobre a criação sem notar que a censura é a anticriação, a energia negativa. Não há que ficar calado sobre isso. Diante do texto de Rushdie (que pode ser lido integralmente em  The New Yorker , em inglês, aqui ), o escritor Iván Thays, que escreve para o blog do jornal  El País , Vano Oficio , redigiu um amplo comentário ( aqui ) a partir do qual faço livre tradução e acrescento pequenos detalhes de leitor. *** Poucos escritores têm a autoridade moral para falar de censura como Salman Rushdie. Todos...

Ler a Odisseia (Parte VII)

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Por Pedro Fernandes Ulisses se apresenta para Penélope O texto de Homero materializa através da linguagem as primeiras tentativas do homem grego em dominar o mundo pela razão. Ou, nessa esteira, esteja nascendo no poeta a consciência que só se revelará plena muitos séculos depois de que a palavra sendo intermediária entre o ocorrido e o narrado também pode construir universos tanto quando o universo empírico. Novamente me reporto aqui ao episódio das sereias contado pelo próprio Ulisses no Canto XII. Primeiro, pensemos na atitude individualista do herói em somente ele ter acesso ao canto das sereias com marco de uso da razão sobre o mito. A simples premissa de que estariam aí prenúncios do mito como algo falso talvez seja vã. Depois, pensemos novamente como que o fato é narrado na Odisseia . É narrado não somente pelo poeta, mas pela personagem, como que, também numa leitura ingênua, Homero buscasse se eximir do fato de não está sendo fiel à empiria. Volto às duas que...