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Prometheus, de Ridley Scott

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Por Pedro Fernandes Michael Fassbender, na pele do robô David; sua personagem está para além da necessidade de sobrevivência, pela simples razão de está condenada a imortalidade. O simples fato lhe dá a capacidade de, sozinho, chegar ao cerne de tudo, afinal numa aventura em que os humanos, seus criadores, estão à cata de saber de si, David quer saber também dos outros para aprender a ser ele próprio. As chamadas para Prometheus  deixaram, certamente, muitos expectadores como eu, em suspense, à cata dos dias pela chegada do filme ao cinema. Um Ridley Scott verdadeiro, desde Alien  ou Blade Runner  se anunciava. Ainda dei com dois trailers fora do normal, denunciando uma grandiosidade para além do normal. Agora, o suspense desfeito, já alerto: não estamos diante de grande coisa. Tudo e todos têm seu limite e o da ficção científica de Scott parece ter findado mesmo nos idos 1980. Ainda assim, acalmo: não estará o telespectador diante de um trabalho em vão. Promethe...

Carlos Drummond de Andrade, o cronista do vasto mundo

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“Sempre gostei de ver o sujeito às voltas com o fato, tendo de captá-lo e expô-lo no calor da hora. Transformar o fato em notícia, produzir essa notícia do modo mais objetivo, claro, marcante, só palavras essenciais. Ou interpretá-lo, analisá-lo de um ponto de vista que concilie a posição do jornal com o sentimento comum, construindo um pequeno edifício de razão que ajude o leitor a entender e concluir por si mesmo: não é um jogo intelectual fascinante? E renovado todo dia! Não há pausa. Não há dorzinha pessoal que possa impedi-lo. O fato não espera. Então você adquire o hábito de viver pelo fato, amigado com o fato. Você se sente infeliz se o fato escapou à sua percepção.”   Carlos Drummond de Andrade,  Tempo vida poesia . Carlos Drummond em sua biblioteca particular. Foto: Jornal do Brasil. Os jornais foram porta de entrada para Drummond em todas as fases de sua carreira. Sim. Desde quando se constitui leitor a quando é o escritor conhecido. O fascínio pela b...

Carlos Drummond de Andrade e a poesia de todos os tempos

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O livro de Carlos Drummond de Andrade, dentre as dezenas livros de prosa e verso que publicou, que mais me diz de sua própria obra é o de poesia A rosa do povo . Mas, toda superioridade que dou a ele será vã se olharem para meu currículo de leitor e notar a presença de apenas esse livro como um dos lidos ponta a ponta por mim. Como todo mundo já deve ter feito – e está aí o caráter de liberdade da poesia – li já muitos esparsos. Agora, se em vida eu conseguir ler apenas A rosa do povo terei, com plena convicção, lido aquilo que de mais significativo produziu o poeta, afinal, todo escritor tem, em algum momento de sua vida literária, aquilo que comumente podemos chamar por epifania. O limite ou topo, para usar uma linguagem rasteira. Isso porque A rosa do povo assinala como o livro que atravessa a vida do poeta e o seu tempo e num só instante é capaz de, para o leitor, alargar-lhe os sentidos e as fronteiras da existência. Datiloscrito do poema  “ Nota  social ” ...

Carlos Drummond de Andrade e o tempo das revistas

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“Essas revistas, lidas, relidas, alisadas no excelente papel couché, fizeram minha iniciação literária, muito imperfeita mas decisiva. Guardo até hoje visualmente de cor, por assim dizer, páginas e páginas das duas. Sei a posição das gravuras, os títulos das matérias”.    Drummond,  Tempo vida poesia     Capa da 1ª edição de A revista , de julho de 1925. O periódico tinha com um dos dirigentes Carlos Drummond de Andrade. Quase todo ele também foi escrito pelo poeta. Foto: Arquivo on-line da Brasiliana/ USP. Reprodução/Divulgação. Quando eu era criança, lembro-me que minha avó costuma guardar entre uma pilha de velhos papéis aquilo que ela chamava por folhetos. Havia entre eles os cordéis e estes sim eram os folhetos, mas havia também algumas revistas; O cruzeiro era uma delas, lembro-me bem. Esses papéis avulsos eram o entretenimento dela nas horas vagas na fazenda. Devem ter sido lidos de frente para trás e trás para frente até serem incorporad...

Carlos Drummond de Andrade e o cinema

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Cineteatro Glória, em Belo Horizonte, 1929. Depois que foi para BH, na década de 30 Drummond esteve aí várias vezes e anotou no seu diário o título dos filmes assistidos. Foto:  Acervo do Museu Histórico Abílio Barreto “ só quem assistiu à infância do cinema no Brasil pode avaliar o que era essa magia dominical das fitas francesas e italianas, sonho da semana inteira. ” Carlos Drummond de Andrade,  Tempo vida poesia Não seria o primeiro certamente que teve atração pela sétima arte. No catálogo da exposição José Saramago – a consistência dos sonhos , organizada por Fernando Gómez Aguilera, há uma lista expressa de filmes que o escritor português assistiu e anotou o feito.  E foi olhando para essa galeria bem particular que decidi procurar sobre a relação de Carlos Drummond de Andrade com o cinema. Outro princípio também é o fato de o próprio poeta ter atuado num documentário dirigido por Fernando Sabino e David Neves, em 1972, O fazendeiro do ar , homônimo de u...

Carlos Drummond de Andrade e a arte de escrever cartas

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“Nas cartas que escrevo costuma insinuar-se o rascunho da grande carta (grande? ou conterá só duas linhas?), mas bem sei que não adianta rascunhar o que não pode ser previsto e menos ainda planejado. Ou a carta se faz espontaneamente na brancura da folha, tão imperativa que só me resta assiná-la, ou todo o meu empenho literário de reunir as expressões mais adequadas resultará na caricatura de um documento que independe de estilização e mesmo a repele. A correspondência da vida inteira torna-se o esboço inútil de uma única peça postal que não tenho aptidão para compor, e não me é ditada, mas que exige ser escrita.   Estamos nisto, eu e a minha carta, já concreta, palpável, legível de tão imaginada: em sua plenitude branca.”  Carlos Drummond de Andrade, “Projeto de carta”,  Os dias lindos    Bilhete que Carlos Drummond de Andrade escreveu a Clarice Lispector após ler De corpo inteiro . Foto: Acervo da família. Arquivo Museu de Literatura da Fundação ...