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Florbela, de Vicente Alves do Ó

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Três casamentos, abortos, amantes, um amor incestuoso pelo irmão que morre tragicamente num acidente de avião, rejeição da crítica pela sua escrita, uma personagem perdidamente entre os fluxos da vida, dada ao arrebatamento em tudo que faz, uma suicida. Um perfil assim, tão simples, mas sublinhado por situações tão complexas, é já matéria suficiente ao exercício criativo em produzir qualquer texto sobre a vida da poeta portuguesa Florbela Espanca. Diante dessas situações, há muitas possibilidades de produção. Fiquemos, no entanto, com duas delas: transformar isso num melodrama típico ou trabalhar o drama até aproximá-lo do trágico. Nem precisa dizer que os dois extremos são um tanto perigosos. E não ter o domínio da objetividade, corre o risco de quem por aí se aventurar dar com os burros n’água. Isto é, transformar uma biografia que muito tem a dizer em qualquer coisa para agradar emoções ou exacerbá-las. A questão se complica ainda mais quando lembramos está diante de...

A cruzada moral em Os miseráveis

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Por Lee Pontes Eugène Delacroix. La Liberté guidant le peuple Se a literatura é sempre um oceano de possibilidades,  Os Miseráveis é um mar em si. Expõe não alguns anos, mas um século. Cem anos saltam de suas páginas que, na nossa leitura, inicia-se pela capa. A editora Martin Claret escolheu da produção artística da revolução francesa o quadro La Liberté guidant le peuple , mais conhecido, de Eugène Delacroix, que eterniza um momento, a revolução de julho de 1830 que levou a queda de Carlos X. Uma mulher surge em primeiro plano com a roupa rasgada e o peito nu. Madame Liberté se ergue sobre aqueles que morreram para defender a revolução. Com uma baioneta em punho e a bandeira da França para o alto, chama os homens à luta contra os inimigos da revolução. O peito nu representa a pureza de seus ideais, que aspiram a um Estado em que homens, mulheres e crianças sejam tratados como iguais. Assim, despe-se de sua condição feminina e luta por um novo futuro. Os sans culot...

Nadine Gordimer

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A escritora Nadine Gordimer em sua casa em Joanesburgo. Foto: Jordi Matas A África do Sul tem produzido vários escritores de grande envergadura desde a metade do século XX, mas poucos têm seguido à risca o difícil caminho que seguiu Nadine Gordimer; afinal é para poucos aliar literatura e política sem cair na armadilha de se tornar panfletário. Sondar a relação homem-sociedade, que, afinal é isso o caráter político de toda obra de arte, e tornar isso matéria literária também não é fácil. Mas, diga-se, um escritor não sabe falar de outra coisa se não daquilo que lhe incomoda, se não daquilo que experiencia. No discurso de recepção ao Prêmio Nobel, em 1991, disse “O homem é o único animal com capacidade de observar a si mesmo e o único dotado da dolorosa capacidade de haver sempre querido saber o porquê. E isso não é apenas a grande questão ontológica sobre por que estamos aqui, através de que religiões ou filosofias buscamos a resposta final que distintos povos em temp...

A besta humana, de Émile Zola

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Por Pedro Fernandes Toda nova tradução é uma tradução. A tautologia tem uma justificativa. É que, apresentar uma nova tradução é como ver a obra ser de novo escrita e ser de novo apresentada. É mais que isso. Cumpre ainda um exercício de a aproximação entre gerações diversas: com a dos que leram pela primeira vez a obra, com a de outros lugares onde a obra também foi traduzida, com as de um mesmo lugar que tiveram contato com outras traduções. Pouco importa dizer que cada leitura – de um tempo, de um público, de uma pessoa – é forma individual porque é suficiente crer que é isso um exercício de irmanação pela palavra. Os leitores brasileiros ainda estão muito distantes de terem acesso, no seu idioma, a muitas obras importantes. Isso não é novidade. Também não se pode ter tudo. E o melhor é se contentar com o que nos aparece. Sim, não temos do reclamar. A primeira tradução de La Bête humaine de Émile Zola, por aqui, se não tenho lido apressadamente, data de 1958, po...

Um abraço no Pelé

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Por Vinicius de Moraes Pelé ao centro. Depois, Dorival Caymmi. E Vinicius de Moraes. 1968. Eu ainda não tive o prazer de lhe ser apresentado, meu caro Pelé, mas agora, com o fato de termos sido condecorados juntos pelo governo de França – você no grau de Cavaleiro e eu no de Oficial: e mais justo me pareceria o contrário – vamos certamente nos conhecer e tornar amigos.  Ninguém mais que você merece tão alta distinção, sobretudo por ter sido conferida espontaneamente – pois ninguém mais que você tem levado o nome do Brasil para fora de nossas fronteiras. Da Sibéria à Patagônia todo mundo conhece Pelé; e eu estou certo de que você entraria fácil na lista das dez personalidades mais famosas de nossos dias. Não posso disfarçar o orgulho que a condecoração me causa, embora seja, de natureza, avesso às honrarias; e orgulho tanto maior porque nela estamos juntos: preto e branco (as cores do meu Botafogo!) e também as cores irmãs de nossa integração racial. Si...

Boletim Letras 360º #73

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Esta é Jane Austen, uma reprodução da artista Melissa Dring. Mais detalhes ao longo deste Boletim. Hoje colocamos ponto final em dois acontecimentos que marcaram o blog desde o dia 12 de junho, data de abertura da Copa do Mundo 2014: uma perquirição pelo território da literatura brasileira e estrangeira mais como muita comunicação com os leitores nacionais sobre o tema do futebol, este que moveu todo um mundo durante esses trinta dias. Como anunciamos, primeiro em nossa comunidade no Google+, depois no Facebook, ainda teremos mais, um último suspiro que seja. Aguardem por aqui que essa novidade logo chegará. A outra novidade é a promoção que sorteia cinco kits de livros aos que dela participaram. Também batizada de Gol de Letra, não teve lá a repercussão que outras por aqui já tiveram, mas aconteceu. Enfim, deixemos de conversa e visitemos o que se passou em nossa página no Facebook, essa sim, sempre movimentada. Segunda-feira, 07/07  >>> Inglaterra: Rei L...