Boletim Letras 360º #706
DO EDITOR
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Outro romance que se tornou marco na literatura brasileira ganha nova edição nos seus cinquenta anos.
Uma festa, na Belo Horizonte dos anos 1970, reúne uma extensa galeria de personagens, diversos e cativantes. Em A festa, de Ivan Angelo, o autor revoluciona a forma de se narrar o Brasil e sua história, cobrindo um passado que começa nos anos 1930 e chega, visionariamente, até as portas do século XXI. O livro que se tornou um grande marco da literatura latino-americana da nossa época trata de temas como tenentismo, cangaço, Estado Novo, Segunda Guerra Mundial, Guerra Fria, ditadura militar, êxodo rural, urbanização e revolução sexual. É a Arquipélago Editorial que publica uma edição comemorativa de 50 anos de A festa com posfácio do escritor Rodrigo Lacerda. Você pode comprar o livro aqui.
Luis García Montero, um dos poetas mais consagrados da Espanha, também é um de seus grandes poetas do amor. Agora, um dos seus livros mais reconhecidos marca a estreia da sua obra entre os leitores brasileiros.
Em Completamente sexta, ele explora a descoberta e o encontro com a amada. Não há momento, atividade, dia que não esteja entremeado pela presença do outro. Até os maus pensamentos, as rotinas, o trabalho, o caos urbano desenham os dias do apaixonado. Acima das sombras que se cruzam, além dos tropeços e das torpezas, o poeta deixa clara sua vontade de afirmar a plenitude do seu amor, a totalidade dessa experiência: a esse sentimento pertence não só “a realidade com seu olhar inóspito, / o desejo que nasce dos sonhos”, mas também o passado e o futuro. Se o amor é o sentimento que se resgata da literatura, aqui comprovamos admirados que é também o que a torna por vezes possível. Com tradução de Irma Emiliozzi, o livro é publicado pelas Edições Jabuticaba. Você pode comprar o livro aqui.
Uma estreia pungente de Leticia Rossi Martines.
Uma estreia pungente de Leticia Rossi Martines.
O cenário deste romance é a São Bernardo do Campo dos anos 1960, paulatinamente atingida por indícios de industrialização. Mas a vida doméstica como que passa ao largo do mundo, marcada pelas obrigações absolutas do cuidado materno, e é a única paisagem da vida de Tereza. A casa, os cômodos, a cozinha. Às vezes, pela janela, entra um lapso de novidade naquela melancólica modorra, que a faz pressentir a existência de um mundo outro, mais arejado, mais cintilante. Presa entre as paredes da casa e o sincero amor que cultiva pelas filhas, Tereza descobre a possibilidade de outras vidas nas páginas dos livros apresentados por Sylvia, encantadora professora de suas meninas. O encontro com as histórias a encoraja a mudar de atitude e de paisagem, numa demonstração do poder transformador da literatura. Dezembros é publicado pela editora Nós. Você pode comprar o livro aqui.
Neste retrato sensível, Nara Vidal faz da pequena existência de sua protagonista uma profunda meditação sobre o tempo e o peso secreto de nossas escolhas.
Na vida de Doralice existia Otávio, menino que desde sempre vivia agarrado a ela, quase como parte do cenário. Tavinho era também o menino que a morte acompanhava como uma sombra. Mesmo assim, foi com ele que Doralice se casou, tornando-se Doralice Antunes. Casou-se por medo de ficar sozinha e de não ter onde morar, evitando assim tornar-se como as mulheres estranhas da cidade. Não lhe faltavam desejos e segredos, mas “se tinha uma coisa que Doralice sabia fazer na vida, era a coisa certa”. E Tavinho, “com o habitual desentusiasmo abraçado a ele”, era o certo a fazer. E seguiram juntos, compartilhando os anos e as mortes. Nas mãos da autora, a dona de casa do interior de Minas Gerais se torna uma anti-heroína enigmática, numa história de desejo e morte, onde a superfície plácida esconde as turbulências que nos tornam aquilo que somos. Uma das maiores romancistas brasileiras da atualidade, Nara Vidal realiza neste extraordinário romance aquilo que só a grande literatura é capaz: captar no detalhe que quase escapa aos olhos a profundidade da vida humana. Previsão do tempo para Doralice Antunes é publicado pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.
O novo romance de Haruki Murakami é uma história de amor, memória e perda que atravessa décadas e dois mundos: o real e uma cidade misteriosa, cercada por muralhas. Um livro delicado e inquietante.
Durante o verão, de tempos em tempos um jovem se encontra com a namorada que conheceu no concurso estudantil de redação. Em um dos momentos que passam juntos, ela lhe revela a existência de uma cidade enigmática. Quando ela desaparece subitamente, ele decide procurar a cidade misteriosa, convencido de que ela possa ter ido para lá. Assim começa uma busca que atravessa décadas e que o leva a um emprego em uma biblioteca remota, também cercada de segredos, e a uma jornada entre o mundo real e outro mundo: uma cidade sem sombras, onde unicórnios vagam e salgueiros crescem silenciosamente. É nesse lugar que ele a reencontra, mas ela não guarda qualquer lembrança da vida que dividiram. À medida que as estações passam e os limites entre os dois mundos se tornam cada vez mais incertos, o homem precisa então decidir o que está disposto a perder. Em A cidade e suas muralhas incertas, Haruki Murakami retoma e transforma uma ideia que o acompanha desde os anos 1980 para construir um de seus romances mais pessoais. Escrito décadas depois de sua concepção inicial, este romance dialoga diretamente com O fim do mundo e o impiedoso país das maravilhas e ocupa um lugar especial na trajetória do autor. Ao mesmo tempo íntimo e expansivo, é um livro que confirma a força e a permanência de um dos grandes nomes da literatura contemporânea. Publicação da Alfaguara; tradução de Jefferson José Teixeira. Você pode comprar o livro aqui.
Nova antologia reúne o essencial da prosa breve de um dos grandes mestres do conto brasileiro. Com organização e prefácio de Regina Zilberman.
Separados em sua primeira edição por eixos temáticos, com recortes definidos pelo próprio autor, os contos de Moacyr Scliar são publicados agora em uma nova seleta organizada por Regina Zilberman e acrescida de textos não incluídos na antologia anterior. Em seu brilhante prefácio, a pesquisadora e crítica literária avalia a relação da obra de Scliar com a tradição do conto brasileiro, traçando semelhanças do autor com mestres do gênero como Machado de Assis, e também ressaltando paralelos e diferenças entre Scliar e os escritores do chamado boom latino-americano. Em Contos reunidos contempla-se um amálgama de estilo e forma que sempre caracterizou a obra de Moacyr Scliar. A concisão narrativa de seus contos, costurados com bisturi de lâmina afiada, agrupam histórias onde habitam desde personagens do mais comezinho e banal cotidiano até os dos mitos formadores da cultura judaico-cristã, revisitados, a um só passo, com iconoclastia e a reverência de um autor que sempre interpretou as sagradas escrituras como excelentes peças de ficção. Elementos fantásticos e sobrenaturais, uma aguda crítica social e a fusão entre o tom reflexivo e o vigor poético, entre o humor e a melancolia, são características que povoam a prosa breve do autor gaúcho. Publicação da Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.
Este livro foi especialmente concebido como gesto de recepção crítica e criativa da poesia de Maria Lúcia Alvim.
Maria Lúcia Alvim e a poesia das imagens reúne ensaios sobre a biografia e a vasta produção da poeta, alguns textos críticos que buscam desdobrar instigações de sua poética em confrontação com outras autoras e autores, além de um conjunto de poemas inéditos. Inovando em relação ao formato habitual das coletâneas de ensaios, o volume traz um caderno de criação com inéditos de poetas atualmente em atividade, cujas criações foram especialmente concebidas para esta homenagem a Maria Lúcia Alvim.
Organizado por Paulo Henriques Britto e Patrícia Lavelle reúne ensaios e poemas de Guilherme Gontijo Flores, Larissa Lins, Rafael Zacca, Pedro Duarte, Helena Martins, Marcia Sá Cavalcante Schuback, Ricardo Domeneck, Leonardo Marona, Ana Elisa Ribeiro, Julia de Souza e Daniel Kondo. Publicação da Relicário Edições. Você pode comprar o livro aqui.
Perfil de um nome que circulou entre executoras secretas da ditadura no Chile.
Organizado por Paulo Henriques Britto e Patrícia Lavelle reúne ensaios e poemas de Guilherme Gontijo Flores, Larissa Lins, Rafael Zacca, Pedro Duarte, Helena Martins, Marcia Sá Cavalcante Schuback, Ricardo Domeneck, Leonardo Marona, Ana Elisa Ribeiro, Julia de Souza e Daniel Kondo. Publicação da Relicário Edições. Você pode comprar o livro aqui.
Perfil de um nome que circulou entre executoras secretas da ditadura no Chile.
Buenos Aires, 1974. O general Prats, exilado da ditadura Pinochet, é morto em um atentado a bomba. Washington, 1976. O diplomata chileno Orlando Letelier também é morto em um atentado. Em 1998, Pedro Lemebel publica As orquídeas negras de Mariana Callejas (ou o Centro Cultural da DINA)" e, em 2000, é publicado Noturno do Chile, em que Roberto Bolaño aborda o ambiente literário chileno nos anos 1970. Quem afinal era Mariana Callejas? Qual a sua relação com os atentados? Poderia uma autora premiada, que ministrava oficinas literárias, ser agente da ditadura e assassinar opositores ao regime de Pinochet? Linhas tortas: um perfil de Mariana Callejas sai pelo Selo Manjuba com tradução de Bruno Cobalchini Mattos. Você pode comprar o livro aqui.
Escritor, dramaturgo e ativista, João Silvério Trevisan reflete sobre a memória como uma forma de resistência ao esquecimento.
Partindo da própria trajetória, atravessada pela literatura e pela dissidência, o autor mostra que recordar não é apenas olhar para trás, mas preservar experiências que continuam produzindo sentido no presente. A memória, em O que não se pode apagar, surge como uma força viva, para além de um arquivo do passado, capaz de iluminar o presente e renovar os significados das histórias que contamos sobre nós mesmos e sobre o mundo que habitamos. No livro publicado pela editora Planeta, temas que atravessam a vida e a obra do autor — como o ato da escrita, a vivência dos afetos e a luta por reconhecimento — ganham novos contornos. Ao revisitar alguns momentos decisivos, de perdas e de conquistas em sua vida, João Silvério evidencia como as experiências individuais se inscrevem na história de seu tempo. Sem nostalgia ou idealizações, o autor reafirma o valor de narrar a própria experiência, reconhecendo nas memórias não apenas um abrigo, mas um modo de sobreviver e resistir diante daquilo que pode ser silenciado ou apagado. Você pode comprar o livro aqui.
As urgências de uma comunidade no boom do HIV e da AIDS.
As urgências de uma comunidade no boom do HIV e da AIDS.
No coração da obra está a troca contínua de cartas e cartões-postais entre a personagem-autor Celso e seu grande irmão de alma, Dionísio, carinhosamente chamado de Dindi. Redigidas nos anos 1980 e 1990, essas missivas expõem as urgências e as dores da juventude LGBTQIAP+ encurralada pelo pavor da doença, pela homofobia e pela violência urbana. Dionísio vive uma trajetória que, além de poética, torna-se errante e trágica ao levar às últimas consequências a decisão de não se deixar dominar pelo vírus. Ambos encontram no teatro, na literatura e no amor mútuo o antídoto necessário para suportar o medo da morte e manter viva a chama da criação. A dimensão informativa do livro é ancorada nas seções intituladas Pílulas de solidariedade, realidade e saúde pública, que resgatam os marcos da história do HIV e da AIDS no país entre 1982 e 1995. Esses recortes contextualizam a mobilização da sociedade civil e das populações mais vulneráveis, destacando a criação de ONGs pioneiras, de acolhimento humanizado, e os passos decisivos que culminaram na consolidação do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Toda essa jornada deságua nos avanços da medicina com os medicamentos antirretrovirais, que permitiram o alcance da tão sonhada intransmissibilidade. Por trás dessas narrativas está a trajetória de Celsim P.S., artista multifacetada: uma atriz, dramaturga, cantora e escritora que, após a desistência de gênero, encontra no indetectável e no feminino sua forma de expressão. Com uma escrita de forte apelo poético e profundo compromisso histórico, este romance solar dedica-se a honrar a memória dos que partiram sem ver os avanços médicos, e a celebrar a força de uma vida que insiste em triunfar por meio da arte. Indetectável sai pela Fósforo. Você pode comprar o livro aqui.
REEDIÇÕES
Marco da literatura cubana ganha reedição.
Em Três Tristes Tigres, Guillermo Cabrera Infante transforma a noite de Havana em uma celebração vertiginosa da linguagem. Entre bares, clubes, conversas, músicas, flertes e encontros pelas ruas da cidade, um grupo de personagens atravessa a Havana dos anos 1950, pouco antes da Revolução Cubana. Mais do que contar uma história, Cabrera Infante brinca com as possibilidades da língua: diálogos, trocadilhos, referências culturais, jogos sonoros e diferentes formas de falar constroem um retrato vivo e irreverente de uma cidade e de uma época. A narrativa se move com liberdade entre o humor, a memória e a experimentação, fazendo da própria linguagem uma das grandes protagonistas do romance. Publicado originalmente em 1967, Três Tristes Tigres é uma das obras fundamentais da literatura cubana do século XX e um dos romances mais ousados do chamado Boom latino-americano. Uma obra sobre Havana, mas também sobre a memória, a amizade, a noite e, sobretudo, sobre o prazer de brincar com as palavras. A tradução de Luis Carlos Cabral é reeditada pela editora Pinard.
René Girard deseja compreender como nossa capacidade de imitar — gestos, padrões, vontades — intensifica o caráter competitivo da vida, gerando rivalidades, conflitos e, por fim, a violência. Para ele, não desejamos algo por seu valor intrínseco, mas porque outros o fazem: imitamos, ainda que de maneira inconsciente, o desejo alheio, e essa inveja — ou “desejo mimético” — ergue-se como um dos fundamentos da condição humana. Dessa reflexão nasce o conceito do “mecanismo do bode expiatório”: a sociedade concentra sua agressividade em uma única vítima de modo a restabelecer a ordem, um ato sacrificial que dá origem a proibições, rituais e instituições destinadas a conter o caos. Em Teatro da inveja, um dos mais importantes críticos literários e culturais volta seu olhar para a figura central da literatura inglesa, William Shakespeare, e oferece uma leitura inovadora de quase toda a sua produção teatral. Ao aplicar suas intuições radicais à dramaturgia do Bardo, René Girard convida o leitor a revisitá-lo à luz da teoria mimética. Ao demonstrar como Shakespeare transforma a matéria bruta da tragédia em uma visão profética sobre a violência, Girard não se limita a aplicar sua teoria ao dramaturgo; mas demonstra que o próprio Shakespeare já pressentira a lógica mimética, registrando-a desde as primeiras peças. Tradução de Bernardo Santos. Publicação da Sétimo Selo.
Lançado originalmente em 1987, este livro de Davi Arrigucci Jr. se tornou uma referência da crítica literária brasileira.
Nos treze ensaios reunidos em Enigma e comentário, o crítico e professor Davi Arrigucci Jr. se revela um leitor excepcional ao se debruçar sobre a poesia e a prosa de escritores como Manuel Bandeira, Rubem Braga, Pedro Nava e Jorge Luis Borges. Escritos ao longo da década de 1980, os ensaios têm como ponto de partida a leitura crítica de obras literárias brasileiras e hispano-americanas. Trata de poetas, contistas, romancistas, ensaístas, jornalistas e de obras também muito diversas pela posição diante do mundo e da tradição literária, pelo traço singular do estilo, pela peculiaridade do modo de ser: Manuel Bandeira, Rubem Braga, Pedro Nava, Antonio Callado, Fernando Gabeira, Murilo Rubião, Juan Rulfo, Julio Cortázar, Ricardo Piglia, Jorge Luis Borges e outros de passagem, como Machado de Assis. Mas é como se buscasse uma identidade fugidia sob as múltiplas faces e, por tentativas, tateios, ensaios, quisesse reconhecer em cada caso a secreta fisionomia nascida de uma fonte comum: o processo de transposição simbólica da experiência de vida para o plano artístico da literatura. Reedição da Companhia das Letras.
RAPIDINHAS
A aventura brasileira de Blaise Cendras. A Edusp prepara uma terceira edição ampliada por Alexandre Eulalio deste livro de pistas de Blaise Cendras pelo Brasil. O livro organizado por Carlos Augusto Calil reúne textos, fac-símiles, fotografias, desenhos e vários outros materiais.
Retorno de uma Best-Seller. Um escorpião na balança e A santa vaca estão entre os primeiros títulos que recolocará em circulação, pela Relicário Edições, um dos fenômenos de massa no Brasil: a obra de Cassandra Rios. Ela foi uma das mais vendidas em seu tempo.
Pascal Quignard, amor e sexo. A Ercolano abre uma nova linha editorial dedicada ao ensaio e com Complementos à teoria sexual e sobre o amor. É um ensaio em que o escritor francês revisita um dois dos temas mais caros da nossa cultura.
OBITUÁRIO
Morreu Péter Nádas.
Péter Nádas nasceu em Budapeste no dia 14 de outubro de 1942. No período dos estudos em Jornalismo e Fotografia passou a atuar na imprensa húngara e a publicar seus primeiros textos de feição literária; eram ainda os cerrados anos do cerco a Budapeste que resultou em quase quatro décadas de domínio comunista sob a égide dos soviéticos. Nádas começou a publicar sua obra no final dos anos 1960 e se tornou um dos mais importantes escritores da Hungria no século XX. Escreveu prosa — transitando pelo conto, o romance e o ensaio. Pouco conhecida em língua portuguesa — constam até o presente A bíblia e O fim de um romance familiar —, a obra de Nádas foi reconhecida com inúmeros prêmios, como o Prêmio de Arte Húngara (1989) e o Prêmio Franz Kafka (2003). Seu livro mais destacado é o monumental Párhuzamos történetek (Histórias paralelas, trad. livre), romance experimental em três volumes que custou quase duas décadas de escrita constituído com múltiplos enredos e personagens que atravessam os acontecimentos mais difíceis da história húngara no século XX. O escritor morreu no dia 26 de agosto de 2026, em sua terra natal.
DICAS DE LEITURA
1. Trilogia mexicana, de Yuri Herrera (Trad. Rachel dos Guimarães Gutiérrez, Amarcord, 336p.) O livro reúne três romances cujas histórias se situam entre o visceral e o alegórico, o erudito e o popular e encara dramas excepcionais da realidade latino-americana, tais como a violência e o contrabando de drogas. Você pode comprar o livro aqui.
2. Histórias do centro do mundo: nova ficção do Oriente Médio, de Jordan Elgrably (Org.) (Trads. Safa Jubran, Felipe Benjamin Francisco, Nicolas Voss, Marília Scalzo, Edições Cosac, 400p.) Coletânea de 25 contos de autores da Síria, Líbano, Marrocos, Paquistão, Omã, Qatar, entre outros países que oferecem janelas para literaturas ainda pouco conhecidas dos leitores de língua portuguesa. Você pode comprar o livro aqui.
3. Brilha o verão, então vem a escuridão, de Jón Kalman Stefánsson (Trad. Lucas Alencar, Köttur, 384p.) Um amplo painel islandês a partir de um vilarejo ao Noroeste marcado por acontecimentos comuns e inusuais que tocam as fronteiras entre real e o imaginado, a luz e a treva. Você pode comprar o livro aqui.
VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS
A Fundação José Saramago reabilitou o chamado aos leitores para registrarem em vídeo para as redes sociais a leitura de passagens de uma obra do escritor Prêmio Nobel de Literatura. A campanha Eu leio Saramago reúne personalidades diversas da literatura, de outras artes e outros campos, dentro e fora de Portugal. Entre as participações recentes está o nosso editor. Pedro Fernandes lê um excerto de O Evangelho segundo Jesus Cristo, o controverso romance retirado do Prêmio Literário Europeu em 1991, abrindo uma celeuma no meio cultural em seu país que marcaria definitivamente o percurso literário do escritor.
BAÚ DE LETRAS
O referido romance de José Saramago na seção anterior foi duplamente comentado para o Letras. Em 2007, pelo próprio Pedro Fernandes, em texto disponível aqui. Cinco anos adiante, O Evangelho segundo Jesus Cristo foi resenhado por Pedro Belo Clara.
O até agora único romance de Péter Nádas traduzido no Brasil — A bíblia — saiu em 2023 e foi resenhado, no ano seguinte, por Pedro Fernandes. Passou da hora de novas traduções da obra do escritor húngaro por aqui.
DUAS PALAVRINHAS
A literatura é uma questão pessoal, não pública, não nacional, mas se ninguém a cultivar, a população se tornará estúpida.
— Péter Nádas
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* Todas as informações sobre lançamentos de livros aqui divulgadas são as oferecidas pelas editoras na abertura das pré-vendas e o conteúdo, portanto, de responsabilidade das referidas casas.

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