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Ariano Suassuna por Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna. Foto: Fred Veras (detalhe / reprodução) A paixão pela leitura “Eu comecei pela literatura, querendo ser escritor aos 12 anos de idade. Assim que me alfabetizei, senti a paixão pela leitura. Meu pai tinha deixado uma biblioteca, coisa que não é comum no sertão. Ele era um grande leitor, tinha uma memória prodigiosa, gostava de poesia popular, como eu. Um dos livros de Leonardo Mota, importante pesquisador do cancioneiro e dos cantadores, eu encontrei na biblioteca de meu pai. Era Sertão alegre, foi dedicado a seis pessoas e uma delas era meu pai. Meu pai deu vários versos a ele. Eu tive primeiro a experiência com a biblioteca do meu pai, da qual ainda tenho alguns exemplares. E não por acaso, os três folhetos que me baseei para fazer o Auto da Compadecida , estão todos três lá. Depois meus irmãos, que já estavam no Recife, começavam a levar livros quando ia passar as férias em Taperoá. Comecei a ler romances ilustrados e romances de aventura. Um deles o Escaram...

Até breve, Ariano

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Por Pedro Fernandes 1. “Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que vivo, morre” – a passagem é de Auto da compadecida , de Ariano Suassuna. 2. Sim, a morte é o único destino para o qual todos os seres se encaminham. Todas as explicações até hoje construídas em torno do termo são mera especulações. Mas um sentido se cumpre como verdade: perdas são perdas. E o que dissermos não substituirá o vazio delas porque cada ser é único. Talvez momentos dessa natureza devessem se cumprir sem quaisquer estardalhaços, apenas com o silêncio, condição que nos aproxima do sentido da perda e sobre nossas limitações no mundo. Mas, perdas insuportáveis como estas têm de vir mais que um nó na garganta; tem de vir a lágrima vertida pela palavra. 3. Quando José Saramago morreu numa data assim próxima ...

A lista de leituras de Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna numa de suas viagens. Recentemente um foto do gênero tornou-se viral na web , mas a prática há muito que já era comum do escritor: descansar para uma leitura. Registro do livro O decifrador , do genro Alexandre Nóbrega. Que obras estão na estante de um escritor ou lhe servem como espaço de construção de sua obra ou mesmo lhe serve ao deleite? Todo escritor terá suas obras prediletas seja qual for a especificidade da lista. Para o livro  Ariano Suassuna, um perfil biográfico  publicado pela Zahar Editora, de Adriana Victor e Juliana Lins, o próprio Ariano escreveu uma lista de obras da literatura, brasileira e mundial, que influenciaram a sua formação de escritor. São mais de 43 livros que vão desde as primeiras leituras aos 17, 18 anos. A ordem é cronológica: "do menino de Taperoá ao jovem estudante do Recife". Trata-se de uma lista um tanto extensa se pensarmos em algumas que já colecionamos por aqui, mas um itinerário fabuloso do escritor de Auto da...

Carta para Ariano

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Por Matheus Nachtergaele   Em cena de O auto da Compadecida  Selton Melo e Matheus Nachtergaele na pele dos eternos Chicó e João Grilo. Filme de Guel Arraes (2000) baseado na peça de Ariano Suassuna. Foto: Rede Globo. "Quem te escreve agora é o Cavalo do teu Grilo. Um dos cavalos do teu Grilo. Aquele que te sente todos os dias, nas ruas, nos bares, nas casas. Toda vez que alguém, homem, mulher, criança ou velho, me acena sorrindo e nos olhos contentes me salva da morte ao me ver Grilo.  "Esse que te escreve já foi cavalgado por loucos caubóis: Por Jó, cavaleiro sábio que insistia na pergunta primordial. Por Trepliev, infantil édipo de talento transbordante e melancólicas desculpas. Fui domado por cavaleiros de Sheakespeare, de Nelson, de Tchekov. Fui duas vezes cavalgado por Dias Gomes. Adentrei perigosas veredas guiado por Carrière, por Büchner e Yeats. Mas de todos eles, meu favorito foi teu Grilo. "O Grilo colocou em mim rédeas de sisal, sem fo...

Relendo "O sorriso do lagarto" 25 anos depois: homenagem a João Ubaldo Ribeiro (1941-2014)

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Por Alfredo Monte Há 25 anos, João Ubaldo Ribeiro lançava O sorriso do lagarto , e parecia-me naquele momento — juízo que prevaleceu durante certa fase (ratificado com o aparecimento de O feitiço da Ilha do Pavão , de 1997 e A casa dos budas ditosos , de 1999) — a indicação clara de que o outrora grande prosador baiano estava pendendo para o comercial, no sentido de aclimatar fórmulas do Best-seller internacional standard , numa mistura de triângulo amoroso com elementos de ficção científica e suspense (não faltavam nem cenas clichês como a da conversa entre o herói e o cientista-vilão, quando este explica seus planos para o adversário que tentava desvendá-los). De fato, as vendas foram expressivas e houve até uma adaptação televisiva, onde todos os elementos folhetinescos eram realçados até a caricatura. A prevenção talvez fosse fruto do impacto da leitura de alguns de seus primeiros títulos: Sargento Getúlio  (publicado quando ele tinha apenas 30 anos, em 197...

Dia do mar, de Sophia de Mello Breyner Andresen

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Por Pedro Belo Clara Sobre Sophia já tudo terá sido dito. Se não tudo, pelo menos quase. Mesmo que as múltiplas considerações de notáveis amigos, familiares ou meros admiradores da célebre autora não sejam suficientes, a obra falará por si – como seria de esperar. Nas palavras de José Agostinho Baptista, a própria definição de tudo, sonho e real, ou a simples manifestação léxica erigida em verso só aos poetas cabe em direito: «eles que digam tudo, quase tudo, eles que nos cerquem, que nos toquem». E Sophia sem dúvida que pertence a essa ínclita estirpe de poetas que ainda nos cercam e nos tocam com a mais suave subtileza de uma palavra depurada ou de um poema amanhecido. Encerramos o mês que, como se sabe, marcou uma década desde o desaparecimento físico de Sophia com a sugestão de mais um livro de índole poética. No caso, Dia do Mar , um dos seus primeiros trabalhos, editado em 1947. A bem da verdade, a sugestão é meramente simbólica, já que em alguém tão versado em div...