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Boletim Letras 360º #123

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Sem muito saber o que escrever por aqui; só vamos deixar abaixo as notícias que circularam em nossa página no Facebook durante a semana e o motivo deste BO. Bem, esta post foi criada para organizar todas as notícias que publicamos na semana em nossa página no Facebook  J  Assim, a vida não se reduz ao virtual e pela celeridade com que postamos às vezes há coisas que muita gente deixa de ver/ler. Enfim, já estamos na semana 120 desde que criamos a ideia. Segunda-feira, 22/06 >>> Brasil: As últimas correspondências de Machado de Assis Depois de publicados 4 tomos, um trabalho que se iniciou no ano do centenário de morte do escritor (2008) chega ao fim com a publicação de seu último volume. O quinto tomo de Correspondência de Machado de Assis  (Edição Academia Brasileira de Letras) vem a lume em julho e reúne cartas dos derradeiros anos de vida do escritor, de 1905 a 1908. Nesse período, Machado lançou duas obras: Relíquias da casa velha ...

Histórias de livros recusados

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Marcel Proust e protagonista do caso de recusa mais famoso de histórias do gênero. O amigo André Gide sequer se deu ao trabalho de ler o primeiro volume de Em busca do tempo perdido  e perdeu a chance de estrear uma das obras fundamentais de todos os tempos. Era um dia gelado de 1996 e Tristan Egolf, descalço, tocava um blues acompanhado com violão, na Pont des Arts de Paris. Uma jovem observou que tinha os pés roxos pelo frio e o convidou para tomar um café. Tristan, entre outras coisas, lhe contou que havia escrito um romance; nos Estados Unidos  o livro havia sido recusado por setenta e quatro editoras. A jovem era Zina Modiano, uma das filhas do escritor galardoado com Prêmio Nobel em 2014, quem depois de ler o manuscrito de Tristan levou-o ao seu pai, menino mimado da Editora Gallimard, que decidiu publicá-lo. O livro se chamava O proprietário do curral (trad. livre a partir do título em espanhol El amo del corral ) e foi um sucesso no mundo inteiro (Egolf s...

Não entres tão depressa nessa noite escura, de António Lobo Antunes

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Por Pedro Fernandes Certa vez, Miguel Real, uma das figuras mais lúcidas da crítica literária portuguesa, afirmou que António Lobo Antunes trata-se de um caso singularíssimo e alguém não igualado por ninguém, nem antes e nem na contemporaneidade, no cenário das letras portuguesas; “seus livros revelam uma nova dobra na língua portuguesa, um novo horizonte estético para esta, uma nova forma de combinação de palavras até então nunca descoberta”, diz o crítico. Provam-no a extensa obra romanesca que tem escrito, o exercício da crônica, os mais singulares na literatura em língua portuguesa contemporânea. Muito recentemente, escreveu Caminho como uma casa em chamas , que certamente merecerá atenção por aqui, noutra ocasião. Este texto agora publicado é, no entanto, um conjunto de notas sobre um de seus romances mais conhecidos, e um dos mais densos e mais difíceis também (António Lobo Antunes não escreve para leitores comuns, aliás não escreve para, desafia-os). Não entres tã...

Um Quixote para o século XXI

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Acaba de vir à luz um Quixote para todo o mundo, com mais de 150 olhares, portas e rotas que se abrem para entrar no universo do mais ilustre cavaleiro andante. Situações inusitadas, armadilhas, embustes e mal-entendidos são salvados e esclarecidos na nova edição de O engenhoso fidalgo Dom Quixote de la Mancha , de Miguel Cervantes Saavedra, como nunca visto. Mais de cinquenta especialistas, pesquisadores e escritores amantes deste clássico universal estiveram sob o comando do filólogo e acadêmico Francisco Rico para dar forma a este projeto que levou 21 anos para ficar pronto. Criar uma obra que iluminasse e analisasse cada frase de Cervantes e estudasse cada passo do Cavaleiro da Triste Figura com o objetivo de fixar a obra, ainda que nunca possa existir uma versão definitiva do texto, esse foi o propósito desse projeto. O trabalho foi executado com as técnicas mais modernas de filologia e o resultado é a revisão de quase uma centena de passagens sempre no interesse...

Mo Yan, o obrigado a calar

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Mo Yan. Autor de vasta obra e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2012. Mo Yan era, até a chegada da publicação de Mudança (Cosac Naify, 2013), um total desconhecido dos leitores brasileiros; e, sua repercussão ainda tímida por aqui tem respaldo em diversos fatores: um, a incipiente quantidade de tradutores do chinês para o português no Brasil; outro, da própria conjuntura histórico-social do mundo, a relação Ocidente-Oriente tem um início tardio. Além disso, o escritor chinês ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 2012 vive desde cedo da literatura, mas não é alguém que esteja nos grandes centros do universo editorial; prefere estar reservado ao silêncio e ao trabalho literário. Nasceu no dia 17 de fevereiro de 1955 na aldeia de Ping’an quando este lugar era um pequeno vilarejo chamado Gaomi e pertencia à província de Shandong, a 620Km de Pequim. Quando os moradores do lugar souberam que havia sido galardoado com o prêmio máximo da literatura, logo foram a sua antiga ca...

José J Veiga

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Puro encantamento. Assim poderíamos designar a literatura de José J. Veiga. Uma vez enredado pela correnteza simples da sua escrita, é difícil largá-la. Mas, não é uma mera literatura de entretenimento. Encontra-se entranhada de uma reflexão crítica sobre o contexto histórico, político e social de seu país. De modo que, o exercício escritural zela pelo efeito formal da alegoria, isto é, dedica-se a contar uma situação com o intuito de denunciar outra. Essa combinação não é coisa fácil, daí que nesse procedimento, é a própria escrita que se afasta do tipo trivial da literatura de entretenimento. Isto é, a simplicidade não deve ser confundida facilidade; e talvez, encontremos nesse confusão aquilo que fez com que a obra de Veiga não esteja ao alcance do leitor mais refinado. Processo que culmina desmerecidamente com o esquecimento do grande público. Saibam desde já, entretanto, que esse escritor é autor de alguns dos títulos indispensáveis para o conhecimento sobre a diversidade d...